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Menino de 7 anos luta contra um câncer raro, Justiça nega remédio de R$ 2 milhões e família inicia corrida contra o tempo para arrecadar recursos; após anos de tratamento, esperança agora depende da solidariedade para salvar Gusttavo Lima Neves
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 04/08/2026 às 15:45
Atualizado em 04/08/2026 às 15:46
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Após enfrentar quimioterapia, cirurgias, transplantes e radioterapia, criança de Santa Catarina aguarda acesso ao medicamento Naxitamabe, aprovado pela Anvisa, mas ainda fora da lista do SUS. Enquanto a disputa judicial continua, a família intensifica uma campanha solidária para reunir cerca de R$ 2 milhões e tentar garantir a continuidade do tratamento.
A batalha contra o câncer raro transformou completamente a vida da família de Gusttavo Lima Neves, de apenas 7 anos. Morador de Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, o menino trava uma luta diária contra um neuroblastoma de alto risco, um dos tipos mais agressivos de câncer infantil. Segundo informações publicadas pelo ND Mais, a esperança da família sofreu um novo impacto após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negar o pedido para que a União e o Estado de Santa Catarina fossem obrigados a fornecer imediatamente um medicamento avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões.
A decisão aumentou a preocupação dos pais, que agora dependem ainda mais da mobilização popular para tentar garantir o tratamento considerado essencial pelos médicos responsáveis pelo caso.
Justiça rejeita pedido urgente, mas processo continua em andamento
A defesa da família havia solicitado uma tutela de urgência para que o medicamento Naxitamabe (Danyelza) fosse disponibilizado em até cinco dias, inclusive com possibilidade de bloqueio de verbas públicas caso fosse necessário adquirir a medicação na rede privada.
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Entretanto, o magistrado explicou que a negativa não representa uma análise definitiva sobre o direito ao tratamento.
Conforme a decisão, o recurso já havia ultrapassado a fase de admissibilidade e teve seguimento negado, impedindo que a Vice-Presidência do tribunal analisasse o pedido emergencial. Além disso, o juiz entendeu que, naquele momento processual, não estavam presentes os requisitos jurídicos necessários para conceder a antecipação da tutela.
Apesar do revés, o processo segue em tramitação.
A própria decisão ressalta que a família poderá apresentar novo pedido perante instâncias superiores, caso considere cabível. Enquanto isso, o agravo interno continuará sendo analisado pelo TRF-4, mantendo aberta a discussão sobre qual ente público deverá assumir o custo do tratamento.
Medicamento tem aprovação da Anvisa, mas ainda não é oferecido pelo SUS
O medicamento Naxitamabe (Danyelza) já possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e vem sendo utilizado em pacientes com neuroblastoma de alto risco, especialmente em casos de recidiva ou doença resistente aos tratamentos convencionais.
Mesmo assim, o remédio ainda não integra a lista de medicamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Há cerca de um ano, União e Estado de Santa Catarina discutem judicialmente quem deve arcar com o tratamento. Enquanto isso, Gusttavo permanece sem acesso ao medicamento indicado por sua equipe médica.
Para a família, cada semana de espera representa uma nova preocupação, já que o câncer exige rapidez na adoção das terapias disponíveis.
Diagnóstico mudou completamente a rotina da família
A história começou com sintomas aparentemente comuns.
Inicialmente, Gusttavo apresentou perda de peso e aumento do volume abdominal, mas exames iniciais não apontaram alterações significativas.
A descoberta ocorreu apenas em maio de 2024, quando o menino passou a sentir fortes dores na costela.
Segundo o relato da mãe, Simone Silva de Lima, ela acreditava inicialmente que o filho tivesse sofrido apenas uma pancada durante uma brincadeira.
Após atendimento médico e realização de um ultrassom, foi identificado líquido no pulmão. Em seguida, Gusttavo foi encaminhado para um hospital em Lages (SC), onde exames mais detalhados revelaram um tumor de aproximadamente 20 centímetros localizado na glândula suprarrenal direita.
Desde então, a criança enfrentou uma longa sequência de tratamentos.
Ao longo dos últimos dois anos, passou por sessões de quimioterapia, radioterapia, cirurgias e transplantes, sempre acompanhado pela mãe, que precisou abandonar o emprego para permanecer ao lado do filho durante as sucessivas internações no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.
Hoje, toda a renda da família depende exclusivamente do pai, Jeferson Maciel Neves, caminhoneiro.
Além do desgaste emocional provocado pela doença, o impacto financeiro tornou-se um enorme desafio diante do alto custo do tratamento.
Campanha solidária busca arrecadar R$ 2 milhões
Sem poder aguardar o desfecho definitivo da disputa judicial, a família decidiu iniciar uma campanha de arrecadação para tentar comprar o medicamento.
A mobilização começou em 14 de julho e, até o momento da publicação da reportagem original, já havia reunido aproximadamente R$ 150 mil.
Apesar do avanço, o valor ainda representa apenas uma pequena parcela dos cerca de R$ 2 milhões necessários para adquirir o Naxitamabe.
Os pais também pedem que a população compartilhe a campanha nas redes sociais para ampliar o alcance da mobilização e aumentar as chances de que Gusttavo consiga iniciar a imunoterapia o quanto antes.
Segundo a reportagem do ND Mais, as doações podem ser realizadas diretamente para a família por meio da chave PIX (49) 98892-2648, em nome de Simone Silva de Lima, além da campanha disponibilizada na plataforma Vakinha.
Enquanto a batalha jurídica continua, a esperança da família permanece sustentada pela solidariedade de milhares de brasileiros que acompanham a história do menino catarinense e torcem para que ele tenha uma nova oportunidade de vencer a doença.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

