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Novo telhado solar da Tegolasolare imita as tradicionais telhas de barro, transforma 40 metros quadrados de cobertura em uma “usina solar” e gera até 3 quilowatts de energia sem alterar a aparência do imóvel
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/08/2026 às 12:18
Energia Renovável
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Criada pela Area Industrie Ceramiche, na Itália, a Tegolasolare integra células fotovoltaicas em telhas cerâmicas, preserva a estética de coberturas tradicionais e entra no mercado de energia solar integrada à construção, uma solução voltada especialmente para imóveis, centros históricos e telhados onde painéis convencionais prejudicariam o visual arquitetônico.
A Tegolasolare, desenvolvida pela italiana Area Industrie Ceramiche, transformou uma telha cerâmica tradicional em uma peça capaz de gerar energia elétrica. A tecnologia combina o visual de coberturas antigas com células fotovoltaicas integradas, criando uma alternativa para imóveis onde painéis solares convencionais seriam visualmente inadequados.
A solução ganhou espaço justamente por atacar um problema comum em países com forte patrimônio arquitetônico: como instalar energia solar em telhados tradicionais sem alterar a aparência da construção. De acordo com a Architect Magazine, cada peça da Tegolasolare recebe um pequeno painel com quatro células fotovoltaicas, mantendo o aspecto de uma telha vermelha convencional.
Telha solar italiana une cerâmica tradicional e energia fotovoltaica
A proposta da Tegolasolare é simples no conceito, mas tecnicamente ambiciosa. Em vez de instalar placas solares sobre o telhado, o próprio material de cobertura passa a fazer parte do sistema de geração de energia.
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A Edilportale registrou que a peça foi apresentada pela Area Industrie Ceramiche como um produto de convergência entre o setor cerâmico e o fotovoltaico. O suporte cerâmico recebeu um módulo solar totalmente integrado, com sistema patenteado para produção de energia elétrica.
Com isso, a telha deixa de cumprir apenas a função de cobertura. Ela passa a atuar também como componente ativo de um sistema fotovoltaico, permitindo que um telhado comum se transforme em uma pequena usina de energia limpa.
Como funciona a Tegolasolare dentro do telhado
Segundo a Architect Magazine, as telhas Tegolasolare são feitas de argila vermelha e mantêm o visual de telhas tradicionais. Cada unidade recebe um painel solar composto por quatro células fotovoltaicas, instalado diretamente na peça.
As telhas são conectadas entre si para formar um campo fotovoltaico. Esse campo pode cobrir todo o telhado ou apenas uma parte da cobertura, conforme a necessidade de geração de energia do imóvel.
A mesma fonte informa que a empresa estimava que 100 telhas poderiam produzir cerca de 1 kW de energia. Já a Revista Haus, da Gazeta do Povo, registrou que uma área instalada de 40 metros quadrados poderia gerar cerca de 3 kW, potência indicada como suficiente para necessidades energéticas básicas de uma residência.
Fotovoltaico integrado à construção ganha força em telhados tradicionais
A Tegolasolare se encaixa na categoria conhecida como BIPV, sigla em inglês para Building Integrated Photovoltaics, ou fotovoltaico integrado à construção. Nesse modelo, o sistema solar não é apenas fixado sobre o edifício, mas incorporado ao próprio elemento construtivo.
No caso da telha italiana, a cobertura assume duas funções ao mesmo tempo: protege o imóvel contra chuva e sol e também gera eletricidade. Isso diferencia a tecnologia dos painéis convencionais, que normalmente são instalados sobre telhas já existentes.
A IEA PVPS, programa internacional ligado à Agência Internacional de Energia para sistemas fotovoltaicos, define o BIPV como a integração de componentes fotovoltaicos diretamente em elementos de construção, como telhas, fachadas e janelas. Esse enquadramento ajuda a explicar por que soluções como a Tegolasolare chamam atenção em projetos arquitetônicos sensíveis.
Estética dos painéis solares era obstáculo em imóveis históricos
O principal diferencial da Tegolasolare não é apenas gerar energia. A força do projeto está em fazer isso sem descaracterizar o telhado, ponto decisivo em imóveis antigos, casas tradicionais e áreas com restrições visuais.
A Edilportale registrou declaração de Francesco Borgomeo, presidente da Area Industrie Ceramiche, afirmando que havia um mercado onde os painéis tradicionais jamais poderiam ser instalados: os locais protegidos por valor histórico e paisagístico.
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Essa observação resume o problema enfrentado em muitas regiões da Itália. O painel solar convencional pode ser eficiente, mas sua presença sobre telhados antigos pode entrar em conflito com regras de preservação, exigências estéticas e proteção do patrimônio arquitetônico.
Sistema modular permite ampliar ou trocar os painéis ao longo do tempo
Outro ponto relevante da Tegolasolare é a modularidade. Segundo a Architect Magazine, os painéis integrados às telhas são intercambiáveis, permitindo substituição em caso de dano ou troca por componentes mais eficientes no futuro.
A Edilportale também destacou que as telhas poderiam ser instaladas no telhado mesmo sem o painel fotovoltaico, com possibilidade de incorporação posterior do módulo solar. Essa flexibilidade permite adaptar o sistema à necessidade de produção de energia de cada projeto.
Esse desenho modular aproxima a tecnologia de uma lógica de manutenção mais simples. Em vez de trocar grandes áreas do telhado, o proprietário pode substituir peças ou módulos específicos, conforme o estado da cobertura e a evolução dos componentes fotovoltaicos.
Telha fotovoltaica custa mais, mas substitui dois sistemas ao mesmo tempo
As telhas fotovoltaicas integradas costumam ter custo maior do que sistemas solares convencionais instalados sobre telhados já existentes. A Revista Haus registrou que a Tegolasolare era mais cara do que placas convencionais, embora sua instalação ocorresse como a de um telhado comum.
A diferença está no papel duplo da peça. Uma telha solar integrada não é apenas um módulo de geração elétrica, mas também parte da própria cobertura da construção. Na prática, ela substitui o material de telhado e incorpora a função de geração de energia.
Esse é o ponto que torna a comparação mais complexa. Um painel tradicional é instalado sobre uma cobertura já pronta. A telha fotovoltaica, por outro lado, pode fazer mais sentido em obras novas, reformas profundas ou imóveis em que a estética do telhado seja um fator decisivo.
Tegolasolare abriu caminho para telhas solares em outros mercados
A Tegolasolare não surgiu isolada dentro do avanço global das telhas solares. A Revista Haus registrou que tecnologias semelhantes passaram a ser testadas em outros países, incluindo modelos italianos, brasileiros e norte-americanos.
No Brasil, por exemplo, a mesma publicação citou a apresentação de uma telha solar da Eternit com tecnologia nacional e aprovação pelo Inmetro em 2019. Esse tipo de movimento mostra que a ideia de integrar energia solar ao próprio material de cobertura deixou de ser uma curiosidade europeia e passou a ganhar escala em diferentes mercados.
A lógica por trás dessas soluções é a mesma: transformar partes do edifício em superfícies geradoras de energia. Em vez de tratar o telhado apenas como suporte para placas, a construção passa a fazer parte do sistema energético da casa.
Energia solar integrada preserva arquitetura e amplia uso residencial
A história da Tegolasolare mostra como a energia solar também depende de adaptação ao contexto arquitetônico. Em muitos imóveis, especialmente em áreas históricas, a barreira para instalar painéis não é apenas técnica ou financeira, mas visual.
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Ao esconder a tecnologia dentro da peça cerâmica, a telha italiana ofereceu uma resposta para esse impasse.
O morador poderia preservar a aparência tradicional da cobertura e, ao mesmo tempo, produzir eletricidade a partir do sol.
A solução reforça uma tendência maior da construção civil: materiais que acumulam funções. A telha deixa de ser apenas telha, a fachada pode deixar de ser apenas fachada, e a própria casa passa a atuar como estrutura de geração de energia limpa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

