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Os sachês ficaram para trás: entenda por que restaurantes da União Europeia terão de abandonar ketchup, maionese, sal e açúcar em embalagens individuais em breve
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/08/2026 às 16:35
Sustentabilidade
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Regulamento europeu entra em aplicação em agosto de 2026, enquanto restrição aos sachês individuais avança para 2030 e amplia debate sobre resíduos e higiene.
Em 12 de agosto de 2026, a União Europeia começa a aplicar o novo Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens. A legislação estabelece uma série de mudanças para diminuir a geração de resíduos e ampliar o uso de alternativas reutilizáveis. Entre as medidas previstas está a futura restrição aos pequenos sachês individuais distribuídos em restaurantes.
A mudança específica para embalagens de ketchup, maionese, mostarda, molhos e açúcar está prevista para 1º de janeiro de 2030. O tema também chama atenção por outro motivo. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2011, encontrou fungos e bactérias na superfície externa de sachês analisados em estabelecimentos comerciais.
Restrição aos sachês individuais faz parte de nova política de embalagens da União Europeia
O novo regulamento europeu busca reduzir embalagens consideradas desnecessárias e ampliar soluções reutilizáveis. Segundo a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia, determinadas embalagens descartáveis passarão a enfrentar restrições dentro desse processo.
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Os sachês individuais utilizados para servir condimentos em restaurantes aparecem entre os formatos afetados pelas regras previstas para 2030. A medida alcança pequenas porções de molhos, cremes e açúcar oferecidas para consumo dentro dos estabelecimentos.
O objetivo é diminuir a quantidade de resíduos gerados após usos muito rápidos. Embora pequenos, esses recipientes são descartados imediatamente depois das refeições e podem apresentar dificuldades de reciclagem devido à combinação de materiais utilizados na fabricação.
Pequenos sachês criam dificuldade para reciclagem e aumentam volume de resíduos descartáveis
A dimensão reduzida das embalagens não elimina seu impacto ambiental. Muitos sachês são produzidos com diferentes camadas de plástico e outros materiais, característica que pode tornar o processo de reciclagem mais complexo e economicamente pouco atrativo.
Grande parte desses resíduos pode acabar em aterros, lixões, rios ou oceanos depois do consumo. A substituição por recipientes reutilizáveis surge, portanto, como uma das possibilidades para diminuir a quantidade de embalagens descartadas.
Dispensers de ketchup, maionese e mostarda estão entre as alternativas. Restaurantes também podem entregar condimentos somente quando solicitados ou utilizar pequenos recipientes reutilizáveis com a quantidade necessária para cada cliente.
Estudo da UFRJ encontrou fungos e bactérias na superfície externa de sachês
A discussão sobre essas embalagens não envolve apenas o meio ambiente. Em 2011, o Laboratório de Microbiologia dos Alimentos da Universidade Federal do Rio de Janeiro analisou 285 embalagens fechadas coletadas em estabelecimentos comerciais.
Os resultados divulgados naquele período indicaram fungos em mais de 70% das superfícies externas analisadas e bactérias em aproximadamente 82% das embalagens. Mais de 10% também apresentaram coliformes fecais na área externa.
O levantamento não indicava contaminação do produto armazenado dentro dos sachês. A análise estava concentrada na embalagem externa, que passa por transporte, armazenamento e diferentes etapas de manipulação antes de chegar ao consumidor.
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Caio Aviz
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Transporte e manuseio ajudam a explicar presença de microrganismos nas embalagens
Os sachês percorrem diferentes ambientes antes de serem colocados sobre mesas e balcões. Durante esse caminho, as embalagens podem passar por centros de distribuição, estoques, caixas de transporte e pelas mãos de diferentes pessoas.
Esse processo ajuda a explicar por que a superfície externa pode acumular microrganismos. O conteúdo permanece protegido pela embalagem fechada, enquanto a parte que o consumidor toca fica exposta às condições encontradas durante armazenamento e distribuição.
A constatação acrescenta uma questão de higiene ao debate que já envolve desperdício e poluição. Dessa forma, a substituição dos sachês também exige atenção aos procedimentos de limpeza dos recipientes reutilizáveis.
Brasil ainda não possui proibição nacional equivalente à regra europeia
No Brasil, não existe uma proibição federal equivalente à restrição europeia prevista para os sachês individuais. Mesmo assim, estabelecimentos já podem substituir essas embalagens por dispensers ou entregar molhos somente quando solicitados pelos consumidores.
O cenário lembra discussões anteriores envolvendo outros plásticos descartáveis, como os canudos. Mudanças desse tipo também podem exigir adaptação dos restaurantes, principalmente devido aos custos e à necessidade de higienização adequada dos novos recipientes.
Na União Europeia, o calendário já está estabelecido. O novo regulamento começa a ser aplicado em agosto de 2026, enquanto a restrição específica aos sachês individuais em restaurantes está prevista para janeiro de 2030, colocando ketchup, maionese, molhos e açúcar no centro de uma mudança importante na forma de servir condimentos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

