A Polícia Federal afirma em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tinha “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger.
A corporação suspeita que ambos mantiveram uma “sociedade oculta”, que também envolveria o empresário Fernando Bittar, em negócios de cannabis medicinal. As informações foram reveladas pela Folha e confirmadas pela CNN Brasil.
O documento foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos contra Lulinha em curso na corte.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que a “comunhão de interesses” que existe é de “setores da PF para interferir nas eleições de 2025”.
Na representação, a polícia diz que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era citado por Luchsinger como “referência decisória nos projetos discutidos” e que ele seria o “beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”.
“As condutas atribuídas a Roberta, Fabio e Fernando extrapolam significativamente os limites éticos e legais inerentes a essa atividade”, diz o relatório.
Segundo a PF, Luchinsger atuou junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial em busca de contratos para venda dos remédios à base de cannabis, e Lulinha teria “aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”.
O pedido da corporação é para apurar se Lulinha cometeu os crimes de corrupção e tráfico de influência nas negociações para firmar o contrato com o governo federal para fornecimento dos medicamentos.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, diz que a oposição está “instrumentalizando setores da Polícia Federal a serviço desses interesses eleitorais”.
“Isso é muito triste, porque o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha capturado a Polícia Federal para servir a seus interesses pessoais, blindar seus filhos, a milícia com a qual governou o país e seus aliados. O presidente Lula, ao contrário, adotou uma postura de estadista, devolveu as instituições de Estado ao Estado brasileiro, dando a elas autonomia”, afirma.
Segundo Carvalho, trata-se de “vazamentos seletivos e criminosos, que têm objetivos específicos e que não são republicanos” e que “são a demonstração mais inequívoca dos efeitos nefastos da captura das nossas instituições”.
“Esses vazamentos seletivos acabam atingindo e comprometendo as próprias investigações. Mais que isso: as maiores vítimas são os ministros André Mendonça, Flávio Dino, o ministro da Justiça e defesas técnicas dos envolvidos”, afirma. “Temos que reagir com veemência porque queremos um Estado em que Chico e Francisco sejam tratados com a mesma régua. Evidentemente, o presidente e seus amigos, conhecidos e afins devem ser tratados da mesma forma que qualquer outro cidadão, dentro da lei e com respeito às garantias institucionais.”
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por CNN.

