6 min de leitura
Picape elétrica Rivian R1T sofre uma batida traseira, estimativa de US$ 1.600 vira conserto de US$ 42 mil e presidente executivo admite que isso nunca deveria acontecer
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 20/08/2026 às 11:10
Atualizado em 20/08/2026 às 11:28
Automotivo
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A colisão de baixa velocidade parecia ter deixado apenas um dano simples na Rivian R1T, mas a estimativa de US$ 1.600 acabou substituída por um reparo de US$ 42 mil, caso que levou o fundador da fabricante a questionar cobranças desse tamanho.
Uma estimativa inicial de apenas US$ 1.600 acabou se transformando em uma conta de US$ 42 mil para reparar uma Rivian R1T atingida na traseira. A diferença apareceu depois que a picape elétrica chegou a uma oficina certificada e passou por uma avaliação mais profunda.
O veículo pertencia a Chris Apfelstadt e sofreu a colisão em fevereiro de 2023, na região central do estado de Ohio, nos Estados Unidos. A informação foi publicada por The Drive, veículo jornalístico especializado no setor automotivo.
O episódio voltou ao centro da discussão em 11 de junho de 2026, quando RJ Scaringe, fundador e presidente executivo da Rivian, reconheceu que um reparo de colisão não deveria custar dezenas de milhares de dólares. O intervalo entre o acidente e a manifestação deixa claro que não se tratou de uma resposta imediata ao proprietário.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A estimativa que saiu do controle após a desmontagem da Rivian R1T
Apfelstadt foi atingido por outro veículo em uma colisão traseira de baixa velocidade. Por fora, o dano parecia concentrado no para choque e não indicava uma reconstrução extensa. A seguradora do outro motorista calculou o reparo em US$ 1.600 e enviou o pagamento.
O cenário mudou na oficina certificada. A região central de Ohio tinha apenas três estabelecimentos certificados para trabalhar com veículos Rivian naquele momento, o que já limitava as opções disponíveis ao proprietário.
A oficina desmontou boa parte da traseira para verificar o que havia por baixo da área amassada. Fotografias mostraram a caçamba sem os painéis externos e a retirada do vidro traseiro. Depois dessa análise, o custo do conserto chegou a US$ 42 mil.
A primeira vistoria não necessariamente identificou tudo porque observou o dano visível antes de uma desmontagem completa. A oficina precisou examinar várias partes internas e seguir o procedimento definido pela fabricante para confirmar se o impacto havia atingido componentes escondidos.
Quais peças foram afetadas e quanto veio de mão de obra
O principal dano documentado estava no painel lateral traseiro. Na primeira geração da Rivian R1T, essa peça forma uma grande seção contínua da carroceria e se estende da tampa da caçamba até a região do para brisa.
The Drive, veículo jornalístico especializado no setor automotivo, registrou que a oficina entregou ao proprietário uma descrição detalhada dos custos, documentou as etapas do serviço e apresentou fotografias. Porém, a publicação não reproduziu a relação completa das peças nem separou quanto dos US$ 42 mil correspondia à mão de obra.
As imagens confirmam a retirada de painéis da caçamba e do vidro traseiro durante o trabalho, mas isso não prova que todos esses itens foram substituídos. Também não foi divulgado se a oficina trocou toda a lateral ou se recortou e reparou apenas a área danificada.
Por isso, não é possível atribuir uma quantia exata à pintura, à soldagem, à desmontagem ou às peças. O dado seguro é que um dano concentrado na traseira exigiu acesso a uma área muito maior da carroceria, elevando a complexidade do serviço.
Por que o alumínio e as peças inteiriças mudam o reparo
A Rivian R1T usa alumínio na carroceria, material que torna o reparo mais delicado e exige procedimentos próprios. O problema fica maior quando a área atingida faz parte de uma peça extensa, integrada a quase toda a lateral do veículo.
Em um dano pequeno, a oficina pode tentar recuperar a superfície. Quando isso não basta, o profissional precisa recortar a parte comprometida, posicionar uma nova seção e fazer a união com a estrutura existente. Esse trabalho envolve mais desmontagem, preparação e acabamento do que a simples troca de um para choque.
O projeto da primeira geração da picape também concentrou uma grande parte da lateral em um único painel. Como essa peça vai da tampa da caçamba até a região do para brisa, um impacto em uma das extremidades pode exigir acesso a uma área muito maior.
Isso não significa que qualquer batida em uma Rivian custará US$ 42 mil. O próprio presidente executivo tratou casos desse tamanho como situações fora do padrão, relacionadas ao desenho inicial do veículo e à pouca familiaridade de algumas oficinas com o processo correto.
Rede terceirizada ajuda a explicar o custo e a pressão sobre o seguro
A Rivian opera diretamente seus serviços de manutenção e venda, mas não mantém centros próprios para consertos de colisão. Esse trabalho fica nas mãos de oficinas terceirizadas, que podem ter níveis diferentes de experiência com a picape elétrica.
RJ Scaringe afirmou que algumas oficinas recebem um Rivian sem conhecer bem o veículo, calculam um valor muito alto e obtêm a aprovação da seguradora. Ele também citou estabelecimentos que não consultam a fabricante nem verificam as peças disponíveis antes de preparar o orçamento.
No caso de Apfelstadt, o reparo e o aluguel de um veículo substituto ficaram perto do limite de US$ 50 mil previsto na cobertura do outro motorista. Isso mostra como o desenho da carroceria pode afetar o seguro na prática, pois uma área danificada exige mais horas de trabalho e consome rapidamente o valor disponível na apólice.
O que a Rivian afirmou ter corrigido para reduzir contas tão altas
Ao comentar os custos em 11 de junho de 2026, Scaringe declarou: “There’s no collision repair that should cost tens of thousands of dollars.” Em português, a frase significa que nenhum reparo de colisão deveria custar dezenas de milhares de dólares.
A Rivian passou a oferecer aos centros de reparo seções menores do painel lateral completo. Assim, uma oficina pode substituir apenas a parte atingida, quando o dano permitir, sem trocar toda a lateral da carroceria.
A empresa também possui procedimentos padronizados para orientar os reparadores. A fala do presidente executivo indica que as cobranças extremas aparecem quando oficinas pouco familiarizadas com a marca não procuram essas instruções ou não consultam a fabricante antes de definir o serviço.
Não houve anúncio de prazo para uma nova mudança ligado especificamente ao caso de Apfelstadt. A medida concreta apresentada foi a oferta de partes menores da carroceria, recurso que já havia sido incorporado ao catálogo destinado aos centros de colisão.
O salto de US$ 1.600 para US$ 42 mil nasceu da combinação entre dano escondido, desmontagem extensa, uma lateral formada por uma grande peça de alumínio e uma rede terceirizada ainda pouco acostumada à picape. A bateria do veículo não foi apontada como responsável pela conta.
O episódio expõe um desafio que vai além da Rivian R1T: um veículo pode proteger seus ocupantes e apresentar danos externos modestos, mas ainda exigir um reparo complexo quando a estrutura absorve o impacto. Para o consumidor, o caso mostra por que a disponibilidade de oficinas, peças e procedimentos também pesa no custo de ter um carro moderno.
Você consideraria aceitável pagar um conserto próximo ao valor reservado para uma picape nova? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Tags
colisão de baixa velocidadePicape elétrica Rivian R1T
Fonte
The Drive
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

