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Retirada de um circo em 2012 e exposta ao frio num zoológico chileno, elefanta Ramba dependeu de uma vaquinha de R$ 250 mil, cruzou milhares de quilômetros numa caixa especial e finalmente chegou ao santuário brasileiro no fim da vida
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 19/08/2026 às 13:33
Atualizado em 19/08/2026 às 13:34
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A operação retirou Ramba de Rancágua, levou o animal por estrada até Santiago, seguiu em avião cargueiro para Viracopos e terminou em Mato Grosso. A elefanta Ramba tinha mais de 50 anos e enfrentava problemas renais e hepáticos quando a mobilização coletiva permitiu concluir um resgate planejado durante anos seguidos.
A elefanta Ramba passou décadas vinculada a circos antes de ser retirada definitivamente das apresentações em 2012. Transferida para um zoológico na cidade chilena de Rancágua, ela continuou distante de outros elefantes e enfrentou um clima considerado inadequado pelos responsáveis que buscavam levá-la ao Santuário de Elefantes Brasil.
O transporte só avançou em 2019, depois que uma campanha na internet atingiu R$ 250 mil. A operação levou Ramba do Chile a Mato Grosso por trechos rodoviários e aéreos, dentro de uma caixa construída especialmente para ela. A chegada ocorreu em outubro; em 26 de dezembro, a elefanta morreu após anos convivendo com doença renal.
Afastamento do circo começou antes da retirada definitiva
O perfil mantido pelo Global Sanctuary for Elephants registra que Ramba foi confiscada do circo Los Tachuelas em 1997 por questões relacionadas a abuso e negligência. A medida impediu novas apresentações, mas não retirou imediatamente o animal da propriedade circense.
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A situação mudou depois que a organização chilena Ecópolis passou a pressionar pela transferência. O Projeto Colabora situa em 2012 a campanha que conseguiu remover Ramba do circo e levá-la ao Parque Safári, em Rancágua, ao sul de Santiago.
Essa cronologia explica por que algumas fontes usam 1997 como ano da apreensão e outras apresentam 2012 como data do resgate. Os dois registros descrevem etapas diferentes: primeiro veio a restrição jurídica; anos depois ocorreu o deslocamento físico para outro recinto.
Ramba deixou de atuar no picadeiro antes de conseguir deixar o ambiente controlado pelo circo. A retirada para Rancágua encerrou as apresentações, mas ainda não oferecia o espaço, o clima e a convivência com outros elefantes buscados pelas organizações envolvidas.
Frio e isolamento mantiveram a necessidade de nova transferência
No Parque Safári, a elefanta Ramba recebeu cuidados durante cerca de sete anos enquanto se buscava uma moradia definitiva. A permanência foi tratada como solução temporária porque o inverno chileno, a limitação do recinto e o isolamento não correspondiam às condições planejadas para sua aposentadoria.
Ramba era uma elefanta asiática e já tinha mais de 50 anos. A idade exata permaneceu incerta pela ausência de registros de nascimento. O memorial do santuário estima que ela tivesse entre 63 e 65 anos, enquanto reportagens da época publicaram números menores.
Além do desconforto com as baixas temperaturas, havia problemas crônicos nos rins e no fígado. A doença renal fora diagnosticada aproximadamente sete anos antes da chegada ao Brasil, exigindo dieta controlada, suplementos, acompanhamento veterinário e cuidados que precisavam continuar durante a mudança.
A transferência não foi planejada para curar doenças acumuladas ao longo da vida, mas para oferecer condições mais adequadas no tempo restante. O Santuário de Elefantes Brasil reunia clima mais quente, áreas de vegetação e a possibilidade de contato com animais da mesma espécie.
Vaquinha alcançou R$ 250 mil para financiar o transporte
O peso, a idade e o estado de saúde impediam que a mudança fosse tratada como uma viagem comum. A equipe precisava pagar transporte especializado, preparar documentos internacionais, adaptar a elefanta Ramba à caixa e manter profissionais acompanhando cada etapa entre Rancágua e Mato Grosso.
O Santuário de Elefantes Brasil lançou uma arrecadação digital com meta de R$ 250 mil destinada ao transporte. Segundo o Projeto Colabora, o valor foi alcançado em 13 de setembro de 2019 após a mobilização de pessoas físicas, empresas e apoiadores da causa animal.
A cifra divulgada corresponde à meta da campanha online. Outras reportagens mencionaram patrocínios e estimativas superiores para o custo global da operação, que podia incluir logística, equipamentos, pessoal, documentação e assistência veterinária. Por isso, R$ 250 mil não deve ser apresentado automaticamente como preço final de todas as despesas.
A vaquinha viabilizou uma etapa decisiva, mas o resgate dependeu de recursos e autorizações além da arrecadação pública. A campanha continuou recebendo contribuições para medicamentos, suplementos e tratamento depois de atingir o objetivo relacionado à viagem.
Caixa especial saiu do Brasil antes de buscar Ramba
A estrutura usada no deslocamento foi projetada pelo Santuário de Elefantes Brasil, construída no país e enviada ao Chile. Antes da partida, Ramba passou por adaptação à caixa, quarentena e procedimentos exigidos para a transferência internacional de uma espécie protegida.
A documentação também envolveu a identificação por microchip dentro dos padrões adotados no comércio e transporte internacional de fauna. Essas etapas buscavam comprovar a identidade do animal, regularizar a exportação chilena e preparar a entrada no Brasil.
Em Rancágua, a caixa com a elefanta foi colocada em um caminhão para percorrer aproximadamente 97 quilômetros até Santiago. Da capital chilena, Ramba seguiu em avião cargueiro até o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, onde desembarcou em 16 de outubro de 2019.
A caixa não era apenas uma embalagem de transporte, mas o ambiente controlado de toda a travessia. Ela precisava permitir supervisão e alimentação, suportar operações com caminhão, guindaste e aeronave e reduzir a necessidade de movimentar uma elefanta idosa durante as conexões.
Trecho final até Mato Grosso durou cerca de 30 horas
Depois do desembarque em Viracopos, a elefanta Ramba ainda precisava atravessar o trecho terrestre até a Chapada dos Guimarães. A caixa foi transferida para um caminhão, que percorreu a rota até o santuário com troca de motoristas e paradas limitadas pela logística do transporte.
A etapa rodoviária levou aproximadamente 30 horas. Reportagens publicadas após o resgate calcularam que a operação completa percorreu cerca de 3,6 mil quilômetros, considerando a saída do Chile, o voo ao Brasil e o deslocamento final dentro do território brasileiro.
Durante a chegada, surgiu ainda uma disputa tributária. O governo de Mato Grosso considerou cobrar quase R$ 50 mil em ICMS pela importação. Uma decisão liminar impediu a cobrança, sob o entendimento de que Ramba não havia sido adquirida como mercadoria pelo santuário.
O resgate atravessou fronteiras, aeroportos, estradas e procedimentos administrativos antes de alcançar o destino. A elefanta chegou ao Santuário de Elefantes Brasil em 18 de outubro de 2019, dois dias depois de pousar em Viracopos.
Permanência no santuário durou pouco mais de dois meses
Em Mato Grosso, Ramba teve acesso a áreas abertas e passou a conviver com outras elefantas. A organização responsável registrou aproximação especialmente com Rana, uma das moradoras que já estavam no santuário quando o transporte internacional foi concluído.
A mudança de ambiente não eliminou o comprometimento renal anterior. Em 26 de dezembro de 2019, pouco mais de dois meses após a chegada, Ramba morreu no santuário. A organização informou posteriormente que a conclusão da necropsia apontou insuficiência renal.
O desfecho impediu que a elefanta permanecesse durante anos na nova moradia, mas não torna a campanha falsa nem permite afirmar que a viagem causou a morte. A doença já era acompanhada havia cerca de sete anos, antes do embarque no Chile.
A chegada representou o cumprimento do resgate, não uma garantia de recuperação ou longevidade. Ramba alcançou o espaço planejado para sua aposentadoria, mas o período vivido ali foi limitado pelo quadro de saúde desenvolvido antes da transferência.
Caso de Ramba expôs o custo contínuo dos resgates
A história voltou a ser citada em agosto de 2020, quando o Projeto Colabora publicou uma matéria sobre um leilão de arte destinado ao Santuário de Elefantes Brasil. Naquele momento, a instituição mantinha quatro elefantas e buscava financiar os cuidados diários e futuras transferências.
O texto estimava em cerca de R$ 60 mil mensais o custo de manutenção de cada elefante naquela época. O valor incluía uma estrutura que não termina com a chegada: alimentação, equipe especializada, atendimento veterinário, cercas, instalações e preparação para novos resgates continuam exigindo recursos.
Ramba mostrou que retirar um animal de uma situação inadequada pode levar anos e depender de decisões judiciais, licenças, treinamento, transporte e financiamento coletivo. Também mostrou que uma mudança tardia não apaga automaticamente os efeitos físicos acumulados durante décadas.
Os R$ 250 mil abriram o caminho até o santuário, mas a proteção de elefantes depende de financiamento permanente e fiscalização anterior ao resgate.
Na sua opinião, o que deveria receber prioridade: proibir definitivamente apresentações com animais, ampliar santuários, financiar transferências ou fiscalizar os recintos existentes? Conte nos comentários qual medida poderia evitar que casos semelhantes se prolongassem por tantos anos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

