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Satélite lunar do tamanho de uma mala vai usar lado oculto da Lua para buscar sinais de 13,5 bilhões de anos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/08/2026 às 17:27
Atualizado em 14/08/2026 às 17:36
Ciência e Tecnologia
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Satélite do tamanho de uma mala ficará dois anos em órbita lunar e aproveitará períodos de 40 minutos no lado oculto da Lua para tentar captar sinais nunca observados diretamente
Um satélite lunar do tamanho de uma mala deverá passar dois anos ao redor da Lua para tentar detectar sinais de hidrogênio de 13,5 bilhões de anos e investigar um período anterior ao nascimento das primeiras estrelas.
Satélite lunar buscará sinal nunca observado diretamente
Batizado de CosmoCube, o projeto é liderado por pesquisadores da Universidade de Cambridge e foi desenvolvido para investigar a chamada era escura cósmica, período de aproximadamente 150 milhões de anos entre o Big Bang e o surgimento das primeiras estrelas.
Um dos principais objetivos da missão é detectar a tênue linha de rádio de 21 centímetros emitida por átomos de hidrogênio primitivos. O sinal, que ainda não foi observado diretamente, será procurado em frequências entre 10 e 50 MHz.
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O CosmoCube também será usado para estudar a matéria escura no universo primordial. Os pesquisadores esperam compreender melhor qual foi seu papel no processo que levou o hidrogênio a formar as primeiras estrelas e galáxias.
Segundo o professor Eloy de Lera Acedo, do Laboratório Cavendish de Cambridge, estudar a emissão de hidrogênio do período posterior ao Big Bang e anterior às primeiras estrelas pode ajudar a investigar como a matéria escura atuou naquele estágio do universo.
Lado oculto da Lua servirá como barreira contra interferências da Terra
Detectar o sinal a partir das proximidades da Terra apresenta um problema. A ionosfera terrestre e as transmissões de rádio produzidas por atividades humanas, incluindo rádio FM e telecomunicações, bloqueiam ou interferem nas baixas frequências procuradas pelos pesquisadores.
Por isso, o CosmoCube foi projetado para aproveitar o lado oculto da Lua como uma barreira natural contra essa interferência.
Durante a missão prevista para durar dois anos, o satélite fará órbitas ao redor da Lua. A cada período de aproximadamente duas horas, terá cerca de 40 minutos no lado oculto, quando a própria Lua bloqueará as comunicações humanas provenientes da Terra.
“Não existe outro lugar onde se possa obter o tipo de blindagem necessária para detectar um sinal tão fraco e, ao mesmo tempo, observar todo o espaço”, afirmou de Lera Acedo.
Segundo o pesquisador, o lado oculto da Lua oferece as condições necessárias para reduzir simultaneamente diferentes fontes de interferência e criar uma janela de observação do universo primordial.
Missão prevê reunir 1.000 horas de dados durante dois anos
Ao longo dos dois anos previstos de operação, o CosmoCube deverá acumular aproximadamente 1.000 horas de dados.
O objetivo é usar essas observações para mapear a transição entre um universo anterior às estrelas e o cosmos posterior, marcado pelo surgimento das primeiras estrelas e galáxias.
O projeto conta com apoio financeiro da Agência Espacial do Reino Unido. Os pesquisadores pretendem realizar o lançamento do satélite nos próximos cinco anos.
Para fazer as observações, o equipamento utilizará uma antena leve que será desdobrada durante a missão. O sistema foi desenvolvido para operar nos períodos em que o CosmoCube estiver protegido da interferência terrestre pelo lado oculto da Lua.
O equipamento também contará com um calibrador interno do tipo Dicke. Esse sistema alternará continuamente entre a observação do céu e fontes de referência para ajudar a filtrar o ruído eletrônico produzido pelo próprio satélite.
Tecnologia tentará separar sinais cósmicos do ruído
Depois da transmissão dos dados para a Terra, os cientistas pretendem empregar métodos estatísticos Bayesianos e simulações computacionais da resposta do céu.
Essas técnicas serão usadas para tentar remover emissões galácticas em primeiro plano e distorções causadas pelos instrumentos, permitindo que a equipe procure o fraco sinal associado ao hidrogênio primordial.
O CosmoCube também utilizará tecnologia de sistema de radiofrequência em chip, conhecida como RFSoC, para alimentar seu radiômetro em miniatura.
A combinação desses equipamentos foi projetada para permitir que um satélite do tamanho de uma mala faça medições de baixa frequência em uma região protegida das transmissões terrestres.
Crescimento das missões lunares pode aumentar interferência de rádio
O próprio ambiente usado pelo CosmoCube pode mudar com a ampliação da atividade humana próxima à Lua.
Missões orbitais e de superfície lunar planejadas por países como Estados Unidos e Índia poderão ampliar a presença de equipamentos e comunicações por satélite na região.
Esse aumento pode introduzir novas fontes de interferência de rádio no ambiente atualmente protegido do lado oculto da Lua.
O projeto CosmoCube pretende aproveitar essa região para tentar registrar os primeiros sinais fracos do universo antes que o crescimento das atividades e comunicações próximas à Lua aumente o ruído de rádio disponível naquele ambiente de observação.
Com informações de eurekalert.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

