Candidato ao Senado afirmou que excesso de exportação de animais pode prejudicar frigoríficos e produtores e criticou a falta de presença do poder público na região da Amacro
O candidato ao Senado Jorge Viana (PT) foi sabatinado pelo ac24horas na noite deste domingo (30), no Via Towers, em Rio Branco, e falou sobre a cadeia produtiva da carne, a saída de gado vivo do Acre e os conflitos registrados na região da Amacro, que reúne áreas do Amazonas, Acre e Rondônia.
Questionado sobre a postura do Governo do Acre diante do aumento da saída de gado vivo e dos possíveis impactos sobre o setor industrial, Viana defendeu uma atuação mais equilibrada do poder público, com diálogo entre produtores e frigoríficos.“É muito grave. Esse ano o Acre vai exportar mais de 30 milhões de dólares em pecuária. Se você multiplicar por cinco, dá R$ 150 milhões”, disse.
Segundo o candidato, o excesso de saída de animais pode provocar problemas no abastecimento dos frigoríficos e afetar tanto a indústria quanto os produtores rurais.“Se o governo não botar alguém atento para isso, você pode ter um buraco da carne ir lá para baixo ou ir lá para cima durante um período e gente ir para falência com isso.”
Viana cita atuação durante governo
Jorge Viana lembrou medidas adotadas durante seus dois mandatos como governador e destacou a criação do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e a retirada do estado da condição de área de risco para febre aftosa.“Foi no meu governo que a gente criou o Idaf, um instituto que dá garantia para a gente poder, lá atrás, colher o fruto e exportar. Também livrei o Acre da aftosa. Fui lá para Paris com os pecuaristas e recebi o certificado quando eu era governador.”
O candidato também ressaltou investimentos em eletrificação rural e afirmou que grande parte dos bezerros destinados à engorda no estado é proveniente de pequenas propriedades.“Eu não excluí ninguém. Cerca de 80% dos bezerros que vão para as fazendas ser engordados saem das pequenas propriedades do Acre”, declarou.
Crítica à falta de controle sobre a saída de gado
Viana defendeu que o governo estadual acompanhe de perto a movimentação do rebanho e estabeleça uma política que considere os interesses dos diferentes segmentos da cadeia produtiva.“Eu tratava a pauta da carne com muita responsabilidade, ouvindo o frigorífico, que é a indústria, e ouvindo o produtor, e fazendo um equilíbrio com a opinião do governo. O governo é que tem que ter opinião. Isso não tem mais hoje.”
Ele também citou a existência de rotas utilizadas para retirar gado do estado de forma irregular, o que, segundo ele, gera prejuízos aos cofres públicos.“Tem um ramal que corta a Tucandeira e o cara leva boi embora clandestino sem pagar nada para o Estado. O Estado está tomando prejuízo.”
Para o candidato, além da perda de arrecadação, a saída excessiva de animais pode comprometer futuros contratos internacionais.“Daqui a pouco você não tem carne para exportar. Pode acontecer isso. Vai desempregar o pessoal dos frigoríficos, e o pecuarista também precisa de apoio para ter preço”, disse.
Amacro e conflitos no Sul do Amazonas
Jorge Viana também foi questionado sobre os conflitos registrados na região da Amacro, especialmente no Sul do Amazonas, e defendeu uma maior presença do poder público.
Na avaliação do candidato, parte dos problemas está relacionada à ausência do Estado na região.“Os conflitos que têm no Sul do Amazonas são muito em função da ausência do Estado do Amazonas lá. Essa região do Amazonas é abandonada pelo governo do Amazonas.”
Viana afirmou que a região exige maior atenção e citou sua atuação durante o processo de retirada do Acre da condição de área de risco para febre aftosa, quando, segundo ele, foi necessário trabalhar também com áreas localizadas em estados vizinhos e países fronteiriços.“É um lugar que merece atenção”, comentou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

