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Tradição de turistas quase vira pesadelo em uma das paisagens mais famosas da Irlanda do Norte: mais de 10 mil moedas são enfiadas entre rochas de basalto em busca de sorte, começam a enferrujar e pressionar as formações e obrigam especialistas a levar até 20 minutos para retirar uma única peça
Escrito por Ana Alice
Publicado em 30/08/2026 às 23:51
Atualizado em 30/08/2026 às 23:52
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Uma tradição repetida por visitantes durante anos deixou milhares de moedas presas entre antigas colunas de basalto e obrigou especialistas a iniciar um trabalho delicado para preservar uma das paisagens naturais mais conhecidas da Irlanda do Norte.
Durante anos, visitantes caminharam entre as famosas colunas de basalto da Giant’s Causeway, na Irlanda do Norte, e deixaram para trás pequenas lembranças metálicas encaixadas nas fissuras das pedras.
A prática, associada por alguns turistas a desejos de sorte ou amor, parecia inofensiva quando envolvia apenas algumas moedas.
Com o passar do tempo, porém, milhares delas foram pressionadas e até marteladas contra as rochas, permanecendo expostas à umidade, à maresia e ao ambiente costeiro.
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Em agosto de 2026, o tamanho do problema ficou mais evidente: equipes de conservação já haviam retirado mais de 20 quilos de metal, quantidade equivalente a cerca de 10 mil moedas, das formações da Giant’s Causeway.
O trabalho começou em maio de 2025 depois que avaliações técnicas apontaram que a tradição estava provocando danos físicos e químicos no basalto.
Em alguns pontos, retirar uma única moeda exigiu mais de 20 minutos de trabalho cuidadoso.
Moedas começaram a danificar as rochas da Giant’s Causeway
A Giant’s Causeway, conhecida em português como Calçada dos Gigantes, fica no condado de Antrim e reúne aproximadamente 40 mil colunas de basalto junto ao litoral da Irlanda do Norte.
O local é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1986 e é administrado em grande parte pelo National Trust.
A tradição de encaixar moedas nas fissuras já existia havia anos, mas ganhou força principalmente ao longo da última década.
Segundo relatos de responsáveis pelo local, visitantes deixavam o dinheiro como uma espécie de lembrança ligada à sorte ou ao amor.
Algumas pessoas simplesmente pressionavam as moedas contra pequenas aberturas existentes naturalmente entre as colunas.
Outras chegavam a utilizar pedras soltas como martelos para empurrá-las ainda mais fundo.
O acúmulo transformou uma prática individual aparentemente pequena em um problema de conservação.
Ferrugem fazia as moedas aumentarem de espessura
O dano não era causado apenas pelo ato de bater o metal contra a pedra.
Depois de encaixadas, as moedas permaneciam durante anos em um ambiente úmido e frequentemente atingido pela água salgada.
O processo acelerava a corrosão.
De acordo com o National Trust, determinadas moedas podem se separar em camadas durante a oxidação e chegar a expandir para até três vezes a espessura original.
Essa expansão passa a exercer pressão sobre as laterais das pequenas fissuras.
O resultado pode ser o desprendimento de partes do basalto.
Dr. Cliff Henry, responsável por ações de conservação e interação com a natureza no National Trust, explicou que em determinadas situações as moedas corroídas eram capazes de exercer pressão suficiente para afetar a rocha localizada acima delas.
Além do efeito estrutural, o problema também ficava visível na superfície.
Óxidos de ferro, cobre e níquel deixavam marcas avermelhadas e amarronzadas escorrendo pelas colunas escuras.
“É um alívio. As moedas estavam causando uma quantidade significativa de danos”, afirmou Henry à BBC em agosto de 2026.
Antes da operação em larga escala, especialistas já haviam investigado os efeitos da prática.
Um estudo utilizado no programa de conservação concluiu que colocar moedas nas juntas e fraturas das colunas estava causando impacto físico e visual sobre o basalto.
A degradação do metal também acelerava processos de desgaste químico.
Diante dessas conclusões, a recomendação foi retirar as moedas sempre que isso pudesse ser feito sem provocar um dano ainda maior à própria rocha.
Uma etapa piloto mapeou pontos afetados e testou diferentes formas de extração.
O projeto reuniu especialistas em geologia, arqueologia, conservação de pedra e alvenaria especializada.
Depois dos testes, o National Trust anunciou em maio de 2025 que pretendia ampliar a retirada para outras áreas da Giant’s Causeway.
Naquele momento, a organização estimava que o processo pudesse custar mais de 30 mil libras.
Algumas moedas exigiam mais de 20 minutos de trabalho
Retirar o metal não era tão simples quanto puxá-lo das fissuras.
Em determinadas situações, uma tentativa brusca poderia atingir a borda da própria coluna que a equipe estava tentando preservar.
O pedreiro especializado Nathan Morrow foi chamado para participar da operação.
Quando uma moeda estava próxima da superfície, alicates podiam ser suficientes.
Os exemplares presos em áreas mais profundas exigiam ferramentas utilizadas normalmente em trabalhos de rejuntamento e conservação.
Morrow descobriu ainda que alguns objetos podiam ser liberados movimentando-os lentamente para frente e para trás.
Mesmo assim, não existia um tempo padrão.
Algumas moedas saíam quase imediatamente, enquanto outras levavam mais de 20 minutos para serem retiradas.
Cliff Henry descreveu o trabalho como minucioso e, ao mesmo tempo, frustrante.
A prioridade não era simplesmente aumentar rapidamente a quantidade retirada.
Era impedir que a solução provocasse um novo problema.
Mais de 20 quilos de moedas já foram removidos
Quando a operação ganhou nova repercussão em agosto de 2026, a dimensão do trabalho chamou atenção.
Segundo informações divulgadas pela BBC e registros fotográficos da Reuters, mais de 10 mil moedas já haviam sido extraídas das colunas, somando mais de 20 quilos.
Os objetos vieram de diferentes países.
O National Trust informou que muitas moedas eram do Reino Unido ou de países que utilizam o euro, mas também foram encontrados exemplares dos Estados Unidos, de países asiáticos e de outras partes do mundo.
Em vários casos, a corrosão havia avançado tanto que já não era fácil identificar nem mesmo a origem do dinheiro.
Por isso, o peso e a quantidade aproximada ajudam a dimensionar melhor o acúmulo do que o valor financeiro das moedas.
Placas pedem que turistas não coloquem moedas nas rochas
A retirada das moedas veio acompanhada de outra estratégia.
Novas placas foram instaladas para pedir aos turistas que não encaixem dinheiro nas fissuras e deixem o patrimônio natural exatamente como encontraram.
A orientação também passou a aparecer nas comunicações do National Trust nas redes sociais.
A entidade espera que a diminuição do número de moedas visíveis produza outro efeito: evitar que novos visitantes interpretem aquilo como uma tradição que precisa ser repetida.
Henry sugeriu que quem desejar deixar dinheiro faça uma doação pelos canais apropriados, em vez de colocá-lo nas pedras.
O National Trust também passou a considerar a possibilidade de utilizar parte do material retirado em uma exposição educativa.
A proposta seria mostrar aos visitantes como uma ação aparentemente pequena, repetida milhares de vezes, produziu efeitos concretos sobre as formações geológicas.
Giant’s Causeway começou a se formar há cerca de 60 milhões de anos
A preocupação com pequenas moedas ganha outra dimensão quando comparada à história das próprias rochas.
A Giant’s Causeway começou a se formar durante um período de intensa atividade vulcânica há aproximadamente 60 milhões de anos.
Grandes volumes de lava chegaram à superfície, esfriaram e se contraíram.
Durante o resfriamento, rachaduras dividiram o basalto em formas poligonais.
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Ana Alice
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O processo produziu milhares de colunas que parecem ter sido encaixadas umas nas outras.
Hoje, cerca de 40 mil dessas formações compõem a paisagem reconhecida internacionalmente.
Em junho de 2026, uma pesquisa do Geological Survey of Northern Ireland e do British Geological Survey trouxe novos detalhes sobre a história vulcânica da região.
Os pesquisadores concluíram que a atividade responsável pelas rochas vulcânicas dessa parte da Irlanda do Norte ocorreu em um intervalo menor do que se estimava anteriormente, concentrado em aproximadamente 5,5 milhões de anos.
A descoberta não altera a origem básica das colunas, mas ajuda a aperfeiçoar a compreensão científica sobre os eventos que moldaram a paisagem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

