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Turquia dispara do solo pela primeira vez o míssil de cruzeiro ÇAKIR de 330 kg contra alvos em terra e no mar, com alcance acima de 150 km e voo rasante guiado por datalink de duas vias
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 30/08/2026 às 22:29
Atualizado em 30/08/2026 às 22:32
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A Turquia testou pela primeira vez a versão lançada do solo do míssil de cruzeiro ÇAKIR, disparando duas unidades contra alvos em terra e no mar, em um ensaio que tira a arma do avião e a coloca sobre uma plataforma terrestre capaz de ameaçar navios a mais de 150 quilômetros.
O teste foi conduzido pela Roketsan, principal fabricante turca de mísseis. Segundo o Naval News, o comunicado oficial da empresa saiu em 28 de agosto, mesma data do ensaio. A companhia não divulgou o local do disparo.
Foram dois mísseis lançados, contra objetivos terrestres e navais. A configuração de solo exige um booster de lançamento, um acelerador que tira a arma da plataforma e a leva à velocidade de operação. Depois disso, conforme a publicação especializada, o motor turbojato assume o resto do voo.
O que muda quando o míssil de cruzeiro ÇAKIR sai do avião e vai para o chão
O ÇAKIR nasceu como arma aérea. Colocá-lo em uma plataforma terrestre altera a economia do sistema de maneira relevante, e é aí que está o interesse do teste.
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Um míssil lançado de caça depende de disponibilidade de aeronave, de piloto, de janela de voo e de superioridade aérea mínima para chegar ao ponto de disparo. Um míssil lançado do solo depende de uma viatura e de uma equipe. O custo por disparo cai, a prontidão aumenta e a arma passa a poder ficar posicionada permanentemente em um trecho de costa.
A contrapartida é física. O booster acrescenta peso: de acordo com o Naval News, o ÇAKIR pesa cerca de 275 quilos sem o acelerador e aproximadamente 330 quilos com ele. Ou seja, quase 55 quilos do sistema existem apenas para resolver o problema de partir do repouso, no chão, sem a velocidade e a altitude que uma aeronave entrega de graça.
O alcance divulgado é superior a 150 quilômetros. Não é um número que impressione na comparação com mísseis de cruzeiro estratégicos, e não deveria mesmo. Essa é uma arma de negação de área costeira, pensada para tornar caro o trânsito de embarcações próximas ao litoral.
A lógica da negação de área costeira é diferente da lógica de uma frota. Não se trata de vencer uma batalha naval, e sim de tornar arriscado o simples ato de navegar dentro de um raio conhecido, obrigando o adversário a operar mais longe da costa do que gostaria.
Baterias móveis levam essa lógica adiante. Uma plataforma sobre rodas pode se deslocar, ficar escondida entre disparos e reaparecer em outro trecho do litoral, o que obriga quem está no mar a tratar toda a linha de costa como ameaça em potencial, e não apenas os pontos onde há instalação fixa conhecida.
Navegação anti-interferência e um datalink que aceita mudar de ideia no meio do voo
A parte mais interessante do sistema não é o alcance, e sim a arquitetura de guiagem. Conforme o Naval News, o ÇAKIR combina navegação inercial, navegação por satélite com proteção contra interferência e um altímetro.
Essa combinação existe porque sinal de satélite é a primeira coisa que um adversário tenta bloquear. A navegação inercial não depende de sinal externo algum, funcionando a partir da própria medição de movimento do míssil. O altímetro, por sua vez, é o que permite o voo baixo.
Sobre o voo baixo: segundo a publicação, o míssil consegue seguir rotas de mascaramento de terreno sobre a terra e perfis rasantes sobre a água. Em ambos os casos, a lógica é a mesma. Voar colado ao relevo ou à superfície do mar reduz o tempo em que o radar inimigo consegue enxergar a ameaça antes do impacto.
O recurso que mais chama atenção, porém, é o datalink de duas vias. De acordo com o Naval News, ele permite atualizar o alvo durante o voo, decidir por um novo ataque e até abortar a missão depois do disparo.
Vale parar nesse ponto. Um míssil que pode ser abortado em voo muda o cálculo de quem autoriza o lançamento. Ele reduz a irreversibilidade da decisão, que é justamente o que costuma travar o uso desse tipo de arma em cenário de informação incompleta. Dá pra entender por que virou item obrigatório em projetos recentes.
Qatar e Indonésia já aparecem como clientes
O ÇAKIR não é promessa de catálogo. Conforme o Naval News, o sistema já tem Qatar e Indonésia entre os clientes, e o embaixador indonésio Achmad Rizal Purnama foi citado na cobertura do anúncio.
O motor também tem sobrenome conhecido: trata-se do turbojato KTJ-1750, desenvolvido pela Kale Arge. Motor próprio é o item que costuma separar um programa de exportação viável de um projeto dependente de licença estrangeira, com todas as restrições políticas que isso carrega.
A publicação lembra ainda que o programa tem histórico de ensaio: em um voo anterior, realizado em 2023, o míssil operou a 7 mil metros de altitude. O teste de agora acrescenta a essa trajetória a validação do lançamento a partir do solo.
A indústria de defesa turca vem seguindo esse caminho de forma consistente: desenvolver a arma para uso próprio, validar em teste, exportar para países que não querem depender de fornecedores tradicionais. É uma estratégia que já deu resultado com drones e agora se repete com mísseis.
Registro o que não foi informado. A Roketsan não divulgou o local do teste, nem a velocidade de cruzeiro, nem o tipo e o peso da ogiva. Esses dados não constam do material oficial e por isso não entram aqui.
O que ficou demonstrado é específico e suficiente: a arma sai do solo, cumpre o perfil de voo e atinge alvos nos dois ambientes. Para um país com litoral extenso e vizinhança complicada, essa é a capacidade que interessa.
Um míssil que pode ser abortado no meio do voo torna a decisão mais segura, ou o que você acha do risco?
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Fontes
Naval News — Roketsan Tests Ground-Launched ÇAKIR Cruise Missile Against Land, Sea Targets
Roketsan — ÇAKIR Cruise Missile
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

