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Uma fábrica brasileira reaproveita quase 2 mil toneladas de plástico por ano e as transforma numa madeira que não apodrece, dura até 80 anos e é dez vezes mais resistente que a natural
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 05/08/2026 às 09:17
Atualizado em 05/08/2026 às 09:18
Ciência e Tecnologia
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A fábrica Reset fica em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e retira 1,9 mil tonelada de resíduo plástico do meio ambiente a cada ano. O volume equivale a cerca de 3,6 bilhões de embalagens e gera 85 mil metros quadrados de madeira ecológica.
A fábrica que transforma resíduo de plástico em madeira ecológica funciona em Guarulhos e processa 1,9 mil tonelada de material por ano, conforme reportagem publicada pela Fast Company Brasil. O produto é feito com resíduos plásticos de alta densidade e tem aplicações em construção civil e arquitetura.
O volume desviado do descarte tem equivalência que ajuda a dimensionar a operação. A empresa calcula que o material processado corresponde a cerca de 3,6 bilhões de embalagens como saquinhos de salgadinho, e resulta em 85 mil metros quadrados de madeira ecológica, o que representaria a preservação de mais de cinco mil árvores adultas por ano.
De pallet para arquitetura
A empresa não nasceu no ramo em que atua hoje. Ela foi comprada em 2012 pelo empreendedor Cadu Ristum, quando operava sob outro nome e concentrava a produção em aplicações como pallets e assoalho para caminhão.
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A mudança de foco veio da percepção de que o material tinha alcance maior. Ristum conta que a companhia foi rebatizada e direcionada ao mercado de arquitetura ao longo desse processo, passando por mais de uma reformulação de marca até chegar ao nome atual.
A troca de nome acompanhou a troca de mercado, e o movimento mudou completamente o perfil de cliente. Pallet é insumo de logística; deck e fachada disputam espaço com material de acabamento, num mercado em que aparência pesa tanto quanto desempenho.
O que é a madeira feita de plástico
O produto é conhecido como madeira plástica ou madeira ecológica, e a matéria-prima é o resíduo plástico de alta densidade, tipo que oferece resistência elevada.
Ristum descreve o processo de fabricação como artesanal e exclusivo, feito com polímeros selecionados, fibras e aditivos de alta performance. A proposta é substituir a madeira natural em diversas aplicações, aproveitando material que seria descartado no meio ambiente.
A empresa informa vida útil de 50 a 80 anos para o produto e resistência dez vezes maior que a da madeira natural. São duas décadas e meia a mais do que a vida útil média de muitos decks convencionais, prazo que muda a conta de manutenção ao longo do tempo.
Onde o material é usado
A lista de aplicações cobre principalmente áreas externas e mobiliário urbano. Aparecem decks, painéis ripados, pergolados, fachadas, bancos, mesas, assoalhos e playgrounds.
O padrão dessa lista não é aleatório. São usos em que a madeira natural sofre mais: exposição direta a sol, chuva e umidade e, no caso de playground e mobiliário público, contato intenso somado à falta de manutenção regular.
É justamente nesse tipo de aplicação que a vantagem alegada faz mais diferença. Deck de madeira natural exige tratamento periódico e costuma apodrecer na região de contato com o piso, problema que material polimérico não apresenta da mesma forma.
O investimento que aumentou a produção
A fábrica passou por atualização de equipamentos com investimento de R$ 3 milhões, destinado a modernização e aquisição de máquinas. O resultado foi um aumento de 70% na capacidade de produção mensal.
No mesmo período, a unidade produziu mais de 1,3 mil tonelada de madeira ecológica. Entram 1,9 mil tonelada de resíduo plástico e saem 1,3 mil tonelada de produto acabado.
Essa diferença de volume é característica de processo que envolve seleção de material. Nem todo resíduo que chega à fábrica está em condições de entrar na linha, e parte do que entra se perde em aparas, refugo e ajuste de produção.
As metas financeiras e a expansão
A projeção da companhia previa faturamento de R$ 35 milhões com a produção da madeira ecológica, mais R$ 5 milhões vindos de outras duas frentes do grupo, a franqueadora e a empresa responsável pela instalação.
Para o mesmo período, o plano era investir cerca de R$ 5 milhões em equipamentos, parque fabril, pesquisa e desenvolvimento, além da expansão da rede de franquias. A prioridade declarada por Ristum era tecnologia, ferramentas e softwares capazes de gerar mais eficiência e agilidade nos processos.
A meta de atendimento era superar dois mil clientes em todo o território nacional. Fora do país, os planos envolviam iniciar exportação para a Europa e ampliar a presença na América Latina e nos Estados Unidos, movimento que esbarra em certificação e norma técnica de cada mercado de destino.
Resíduo que vira insumo de obra
O que essa operação ilustra é o conceito de reaproveitamento aplicado a um material com destino problemático. Embalagem plástica de uso único tem vida útil de minutos e permanência ambiental de séculos.
Convertê la em componente de construção inverte essa relação. O material passa a cumprir função por décadas, em substituição a um recurso que precisa ser cultivado, cortado e transportado até o canteiro.
A ressalva é de escala. Mil e novecentas toneladas por ano é volume expressivo para uma fábrica e modesto diante da geração nacional de resíduo plástico, o que coloca a operação como demonstração de viabilidade, e não como solução para o problema do descarte.
E você, trocaria o deck de madeira da sua casa por um feito de plástico reciclado? Acha que material reaproveitado ainda enfrenta resistência por causa da aparência ou o problema é o preço? Conta nos comentários se você já viu esse tipo de madeira sendo usado por perto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

