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US$ 20 bilhões na mesa e investidores estrangeiros de olho no Brasil — Navalshore 2026 aproxima capital internacional de estaleiros, fornecedores e gigantes da indústria naval
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 21/08/2026 às 12:26
Atualizado em 21/08/2026 às 12:35
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Primeira edição do B2B Meeting marcou o lançamento do Invest in Brasil – Shipbuilding & Offshore, projeto que busca atrair capital, tecnologia e parceiros internacionais para estaleiros e fornecedores instalados no país
A retomada da indústria naval brasileira ganhou uma nova frente de atração de investimentos durante a Navalshore 2026. Realizado pela primeira vez dentro da feira, o B2B Meeting colocou investidores e empresas internacionais frente a frente com estaleiros, fornecedores e representantes da cadeia marítima nacional.
Os encontros fazem parte do Invest in Brasil – Shipbuilding & Offshore, iniciativa desenvolvida pela Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar, a ABEEMAR, e pela ApexBrasil, com participação do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, o SINAVAL.
A proposta é transformar a demanda existente no Brasil em uma agenda organizada de atração de capital estrangeiro, novas tecnologias e parceiros para a indústria. Segundo os organizadores, o setor naval e offshore brasileiro reúne oportunidades de investimentos superiores a US$ 20 bilhões até 2030.
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São projetos envolvendo plataformas do tipo FPSO, navios para cabotagem, barcaças, embarcações de apoio offshore, reparação naval, descomissionamento, digitalização e descarbonização.
Reuniões aproximam empresas com interesses complementares
O B2B Meeting da Navalshore foi estruturado no formato de matchmaking. Antes das reuniões, os organizadores analisam o perfil, as demandas e os interesses das empresas participantes.
A partir dessas informações, são agendadas conversas individuais entre organizações com possibilidades complementares de negócio. Os encontros podem envolver investidores estrangeiros, empresas de tecnologia, estaleiros, armadores, fornecedores de equipamentos e companhias interessadas em estabelecer operações no Brasil.
As negociações podem resultar em investimentos estrangeiros diretos, joint ventures, transferência de tecnologia, instalação de novos fornecedores ou parcerias com empresas brasileiras.
O encontro inicial não representa necessariamente um contrato imediato. Seu objetivo é identificar oportunidades, criar uma primeira aproximação entre os envolvidos e estabelecer uma agenda de continuidade depois da feira.
Novas encomendas criam ambiente favorável aos investimentos
Para João Azeredo, presidente-executivo da ABEEMAR e vice-presidente do SINAVAL, o encontro acontece em um dos melhores momentos possíveis para apresentar a indústria brasileira aos investidores internacionais.
“Estamos passando por investimentos bilionários da Petrobras, novos FPSOs e uma retomada no setor de construção naval”, afirmou Azeredo em entrevista ao Click Petróleo e Gás.
A Navalshore 2026 ocorreu em meio a um novo ciclo de encomendas. Segundo o SINAVAL, Petrobras e Transpetro firmaram, apenas no primeiro semestre de 2026, aproximadamente R$ 13,8 bilhões em contratos relacionados à construção de 45 embarcações.
Azeredo também citou a descoberta anunciada pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas como mais um fator capaz de ampliar a demanda futura. Em agosto, a companhia confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
A descoberta ainda passará por avaliações para determinar seu potencial econômico, mas abre uma nova perspectiva para a Margem Equatorial. Caso novos projetos de produção sejam desenvolvidos, será necessária uma cadeia formada por embarcações de apoio, equipamentos submarinos, serviços de engenharia, logística e estruturas portuárias.
Projeto procura capital e também novas tecnologias
A atração de investidores não está restrita ao financiamento de grandes estaleiros. O programa procura diferentes perfis de empresas capazes de complementar a capacidade industrial existente no Brasil.
Entre os interesses estão tecnologias de automação, ferramentas digitais, equipamentos avançados, soluções para aumentar a produtividade dos estaleiros e sistemas voltados à redução de emissões.
Também há espaço para investimentos diretos em fornecedores nacionais que precisam ampliar fábricas, contratar trabalhadores, adquirir equipamentos ou desenvolver capacidade para atender às novas encomendas.
“Buscamos desde empresas que tragam tecnologia até investimentos diretos na cadeia produtiva, em estaleiros e fornecedores”, explicou João Azeredo.
A estratégia procura evitar que o aumento das encomendas resulte apenas no crescimento das importações. A expectativa é utilizar parcerias internacionais para fortalecer empresas instaladas no Brasil, internalizar conhecimento e ampliar a participação nacional nos novos projetos.
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Oportunidades superam US$ 20 bilhões até 2030
De acordo com dados apresentados pelos organizadores, o mercado brasileiro reúne mais de US$ 20 bilhões em oportunidades até 2030.
Esse volume considera novas plataformas de produção, navios de cabotagem, barcaças e afretamentos de embarcações de apoio offshore. Paralelamente, o mercado de descomissionamento de instalações marítimas é estimado em aproximadamente US$ 9,7 bilhões para os próximos anos.
Conforme informações divulgadas no lançamento do Invest in Brasil – Shipbuilding & Offshore, a iniciativa pretende conectar essa demanda às capacidades dos estaleiros e fornecedores brasileiros.
O desafio não é somente encontrar recursos. Os projetos precisam demonstrar viabilidade, segurança jurídica, demanda de longo prazo e capacidade de execução para atrair investidores internacionais.
Carteira apresentada na conferência chega a R$ 56,5 bilhões
Durante a Conferência ABEEMAR, realizada paralelamente aos encontros do B2B Meeting, foram apresentados os mecanismos disponíveis para financiar os investimentos.
Um dos principais instrumentos é o Fundo da Marinha Mercante, o FMM. A carteira aprovada exibida no evento somava R$ 56,5 bilhões, distribuídos em 886 obras.
O Nordeste concentrava R$ 19,5 bilhões, equivalentes a aproximadamente 35% do total. A Região Sul aparecia com R$ 19 bilhões, seguida pelo Sudeste, com R$ 12,6 bilhões. Os dados mostram que, embora o número de projetos varie entre as regiões, os maiores volumes de capital podem estar concentrados em poucas obras de grande porte.
Outra apresentação indicou uma receita anual de aproximadamente R$ 7,8 bilhões para o FMM em 2026.
O fundo utiliza recursos do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, o AFRMM. A cobrança incide sobre o valor do frete aquaviário, especialmente nas operações de importação, e ajuda a financiar a construção, modernização e reparação de embarcações e estaleiros brasileiros.
Parte da receita também vem do retorno dos próprios financiamentos concedidos anteriormente. Os valores pagos pelos projetos retornam ao fundo e podem ser direcionados para novas operações.
Navalshore abre uma agenda internacional
A primeira edição do B2B Meeting representa apenas a etapa inicial do projeto. Segundo João Azeredo, o convênio entre ABEEMAR e ApexBrasil prevê ações de inteligência de mercado, missões empresariais, visitas técnicas e participação em feiras internacionais.
Depois da Navalshore, a agenda inclui a presença brasileira na SMM, em Hamburgo, na Alemanha, com empresas nacionais apresentando suas tecnologias e buscando parceiros.
Também estão previstas ações em eventos de petróleo e gás, missões a estaleiros e fornecedores chineses e participação em encontros como o International WorkBoat Show, nos Estados Unidos, a Nor-Shipping, na Noruega, e a Kormarine, na Coreia do Sul.
O objetivo é levar empresas brasileiras aos principais polos mundiais da indústria marítima e, ao mesmo tempo, identificar organizações estrangeiras interessadas em investir ou estabelecer parcerias no Brasil.
Conexões precisam avançar depois da feira
O resultado do B2B Meeting não será medido apenas pelo número de reuniões realizadas durante a Navalshore. O principal indicador será a capacidade de transformar os contatos em projetos, contratos, investimentos e parcerias tecnológicas.
Para isso, será necessário acompanhar as empresas, organizar informações sobre a demanda brasileira e preparar projetos capazes de atender aos critérios dos investidores.
O Brasil possui encomendas, mercado offshore, mecanismos de financiamento e uma base industrial instalada. A proposta do Invest in Brasil – Shipbuilding & Offshore é reunir esses elementos e apresentá-los de maneira estruturada ao mercado internacional.
Se as conexões avançarem, os efeitos poderão chegar aos estaleiros e também a fabricantes de equipamentos, empresas de engenharia, desenvolvedores de tecnologia e fornecedores de diferentes portes.
Nesse cenário, o B2B Meeting deixa de ser apenas uma agenda de reuniões durante a Navalshore e passa a funcionar como porta de entrada para uma estratégia de internacionalização e fortalecimento da indústria naval brasileira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

