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Vestígios de 1.200 anos mostram que povos indígenas do Sul do Brasil construíam casas subterrâneas com engenharia sofisticada para vencer o frio extremo dos campos de altitude
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 21/08/2026 às 21:15
Atualizado em 21/08/2026 às 21:21
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As casas subterrâneas indígenas aparecem no relevo como círculos quase invisíveis, mas guardam uma engenharia ancestral que aproveitava o solo para enfrentar geadas, ventos serranos e a entrada da chuva.
No meio de um campo de altitude, uma pequena depressão circular pode parecer apenas uma irregularidade do terreno. Sob a vegetação, porém, ela pode ser o vestígio de uma das casas subterrâneas indígenas construídas nas terras altas do Sul do Brasil.
Essas moradias eram escavadas no solo para criar uma barreira contra geadas intensas e ventos cortantes. A informação foi publicada em 9 de maio de 2026 por Estado de Minas, jornal brasileiro com cobertura nacional e regional.
O achado revela uma engenharia ancestral baseada no conhecimento do terreno, do clima e dos materiais disponíveis. Em vez de erguer toda a casa acima da superfície, os antigos moradores faziam a própria terra participar da estrutura e da proteção térmica.
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As estruturas eram abertas manualmente, inclusive em terrenos de encosta. A profundidade podia variar em função do tamanho do grupo familiar e do uso do espaço, que também podia envolver o armazenamento de alimentos em condições mais estáveis.
Em alguns locais, as depressões formavam conjuntos ligados a antigas aldeias. Essa disposição ajuda a enxergar não apenas casas isoladas, mas comunidades conectadas, capazes de organizar a convivência, compartilhar recursos e modificar a paisagem para enfrentar o clima serrano.
Como o solo virava proteção contra geadas e ventos cortantes
A parte escavada deixava uma parcela da moradia cercada pela terra. Essa massa de solo funcionava como isolante térmico natural, reduzindo o contato direto das paredes com o ar frio e com as rajadas que atravessam os campos de altitude.
O interior também sofria menos mudanças rápidas de temperatura do que uma estrutura totalmente exposta. Não se tratava de aquecimento moderno, mas do aproveitamento da estabilidade térmica do terreno para conservar por mais tempo o calor produzido dentro do abrigo.
As fogueiras tinham papel importante nessa lógica. Com menos superfície aberta ao vento e com a proteção do solo ao redor, o calor podia permanecer no ambiente por mais tempo, oferecendo maior segurança durante as noites frias.
Essa solução partia de uma observação prática: quanto menor a exposição ao ar gelado, mais fácil era proteger as pessoas e os alimentos. A casa não lutava contra o terreno, mas usava suas propriedades como parte da construção.
Ventilação pequena, cobertura vegetal e paredes protegidas da chuva
Uma casa parcialmente enterrada precisava conservar calor sem impedir a circulação do ar. Para equilibrar essas necessidades, as moradias utilizavam aberturas pequenas, capazes de controlar a ventilação e limitar a perda do calor acumulado pelas fogueiras.
A cobertura combinava madeira e palha, fechando a parte superior e ajudando a proteger o espaço contra o frio e a umidade. O formato circular também favorecia a organização interna e o compartilhamento do ambiente entre os ocupantes.
Estado de Minas, jornal brasileiro com cobertura nacional e regional, registrou ainda a presença de tratamentos nas paredes contra infiltrações laterais. A composição exata desse revestimento não foi detalhada, portanto não é possível afirmar que todas as estruturas usavam a mesma técnica.
Esse cuidado era indispensável. Escavar o abrigo sem controlar a água da chuva poderia transformar a vantagem térmica em um problema de umidade, desgaste das paredes e perda do espaço interno.
Por que as casas subterrâneas indígenas mudam a visão sobre o passado
As construções contrariam a imagem de que os povos indígenas anteriores à colonização produziam apenas abrigos simples e improvisados. Escavar, cobrir, ventilar e proteger uma moradia exigia planejamento coletivo e conhecimento do ambiente.
Cerâmicas e ferramentas de pedra encontradas nas escavações ampliam essa leitura. Esses materiais ajudam a reconstruir atividades cotidianas, formas de produção e a organização das comunidades que ocuparam o planalto sul brasileiro ao longo do tempo.
Os pesquisadores também analisam alterações químicas do solo, vestígios de pólen e materiais que podem passar por datação por carbono. Cada método responde a uma parte da investigação, desde o tempo de ocupação até os hábitos desenvolvidos dentro e ao redor das moradias.
Por isso, não existe uma idade única que possa ser aplicada automaticamente a todas as depressões mapeadas. As evidências apontam para ocupações milenares, enquanto novas análises ainda podem ajustar datas e interpretações de cada sítio arqueológico.
A mesma lógica reaparece na arquitetura sustentável moderna
Casas modernas feitas com terra crua ou parcialmente enterradas retomam um princípio semelhante: usar a massa do solo para reduzir mudanças bruscas de temperatura. A comparação aproxima o leitor dessa engenharia ancestral, mas não torna as construções antigas iguais aos projetos contemporâneos.
As obras modernas contam com cálculos, sistemas de drenagem e materiais desenvolvidos para cada terreno. Ainda assim, a ideia central permanece reconhecível: a própria paisagem pode ajudar no conforto térmico, diminuindo a exposição das paredes ao vento, ao frio e ao calor externo.
Os vestígios do Sul do Brasil mostram que eficiência térmica não nasceu com equipamentos elétricos ou materiais industriais. Muito antes disso, comunidades indígenas já observavam o clima e transformavam o solo em proteção, cobertura e parte essencial da moradia.
A preservação dessas depressões permite que as pesquisas continuem e evita que marcas discretas sejam destruídas por intervenções no terreno. Sob um círculo quase apagado na vegetação pode existir um registro valioso da capacidade técnica e da vida coletiva dos antigos habitantes da região.
Você imaginava que o Sul do Brasil escondia casas subterrâneas com esse nível de adaptação ao frio? Conte nos comentários e compartilhe esta descoberta.
Fonte
Estado de Minas
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

