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3 sobrevivem à queda de helicóptero na mata em SP e pedem socorro por tablet
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/09/2026 às 00:53
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Um helicóptero que ia de Guararema para Londrina caiu numa mata fechada de Iaras, no interior de São Paulo, e os três homens a bordo, feridos e sem celular, esperaram horas até policiais e bombeiros chegarem pelo cabo, pela lama e pela vegetação
Do alto, o helicóptero Águia da Polícia Militar filma só copa de árvore, com pedaços brancos e vermelhos espalhados entre os galhos. Quando a câmera desce, aparece a fuselagem preta do helicóptero rasgada, com policiais em volta, na manhã de 20 de setembro de 2026, em Iaras.
As imagens, cedidas pela PM e divulgadas pelo g1, mostram os três ocupantes vivos. Eles estavam conscientes e orientados, mas com fraturas e dores fortes, segundo o g1, e foram levados ao Pronto-Socorro de Avaré.
O que o vídeo do helicóptero mostra, segundo a segundo
O primeiro trecho é aéreo. Por uns 20 segundos, a lente do Águia passeia sobre a mata e só dá para achar os destroços pelas manchas de cor no verde; em volta, bombeiros e policiais aparecem minúsculos, subindo a encosta, como mostram as imagens da PM.
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A legenda do g1 sobre essa parte diz que a queda ocorreu no sábado (19) e que o Águia sobrevoou o local para ajudar as equipes de busca e salvamento que estavam por terra.
Depois a câmera está no chão, a um passo dos destroços. Um policial afasta galhos com a mão, outro olha para dentro da cabine, e o que sobrou da aeronave aparece amassado, com cintos vermelhos soltos e chapa retorcida, enfiado no meio do mato.
Nesse ponto entra na tela o aviso de que policiais militares passaram a madrugada inteira procurando as vítimas. Na parte final, as imagens mostram policiais agachados na vegetação, puxando e carregando uma das vítimas, que aparece borrada.
Em um dos vídeos, contou o g1, um agente pergunta de onde o voo saiu e para onde ia. O tripulante responde que o helicóptero decolou de Guararema, na Grande São Paulo, com destino a Londrina, no Paraná.
Um pedido de socorro às 0h45, feito de um tablet quase sem bateria
O aviso não veio de radar nem de testemunha. Um dos ocupantes ligou para o Corpo de Bombeiros de Avaré por volta das 0h45 de domingo (20) e disse que o helicóptero tinha caído numa área de mata em Iaras, informou a corporação ao g1.
Os três tinham perdido os celulares na queda, e a ligação saiu de um tablet com a bateria quase no fim, contou o g1. Durante a chamada, eles ainda passaram coordenadas aproximadas do ponto onde estavam.
Foi esse chamado que pôs a busca na rua. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar começaram o deslocamento ainda de madrugada, disse o g1, com a localização aproximada que saiu de um aparelho prestes a desligar.
Piloto, copiloto e passageiro: a ordem da retirada
Achar os três não bastou. Tirar cada um dali levou a manhã inteira, e a ordem seguiu a gravidade, pelos relatos dos bombeiros ao g1. A tabela junta o que a corporação informou sobre cada ocupante:
O piloto era o caso mais grave, disseram os bombeiros. Ele conseguia falar, mas tinha ferimentos nos membros inferiores e na região da bacia, e por isso foi o primeiro a deixar a mata.
O passageiro continuava dentro do que restou da cabine e precisou ser retirado pelas equipes, duas horas depois do piloto, de acordo com os horários passados pelos bombeiros ao g1.
Da mata, as vítimas seguiram de helicóptero até o ponto onde estavam as equipes de resgate e, de lá, para o Pronto-Socorro de Avaré, informou o g1. O resumo do mesmo portal fala em múltiplas fraturas e estado grave.
Lama, cabo e o Águia: o caminho até os destroços
Por cima, o local da queda aparece praticamente coberto pela copa das árvores. Os policiais do Águia precisaram usar um cabo para chegar até a área, mostram as imagens descritas pelo g1.
Por baixo, a situação não era melhor. O acesso foi por uma estrada de terra molhada e cheia de lama, segundo o g1, e o trecho final até os destroços era de mata fechada.
O local fica a cerca de 360 km de Guararema, de onde o voo saiu, pela arte do g1. O mapa do mesmo portal marca a queda numa fazenda da zona rural de Iaras.
Assista o vídeo
Um Agusta A109C de 1990 com a inspeção vencida desde maio de 2019
O prefixo do helicóptero é PT-YBL, informou a FAB ao g1. No Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac, consultado em 21 de setembro de 2026, a matrícula aparece como um Agusta A109C fabricado em 1990, número de série 7620, bimotor turboeixo.
O mesmo cadastro da Anac mostra peso máximo de decolagem de 2.720 kg, sete assentos e seis passageiros previstos. A linha que pesa é outra: o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade, o CVA, venceu em 30 de maio de 2019.
Por isso, segundo a Anac, o Certificado de Aeronavegabilidade está cancelado, com o motivo escrito ao lado: “CVA vencida”. O CVA, explicou o g1, é o documento ligado à verificação periódica das condições da aeronave.
Na prática, quando caiu em Iaras, o helicóptero estava havia mais de sete anos com essa verificação vencida, pela conta feita a partir da data que a Anac registra, 30 de maio de 2019.
Proprietário falecido e voo privado sem autorização para táxi-aéreo
O registro na Anac ainda carrega três gravames sobre o helicóptero: ordem judicial que impede a transferência, operador inventariante e proprietário falecido. A última compra ou transferência anotada no cadastro é de 27 de janeiro de 2021.
A operação cadastrada é privada. O helicóptero não tinha autorização para táxi-aéreo, transporte aéreo regular, serviços aéreos especializados nem voos de instrução, disse o g1. A TV TEM pediu mais detalhes à Anac e aguardava retorno, segundo o g1.
O helicóptero italiano que estreou em 1976
O Agusta A109 é um helicóptero leve e bimotor da fabricante italiana Agusta, que hoje faz parte da Leonardo, contou o g1 com base em sites especializados em aviação. O modelo leva seis pessoas e entrou em serviço em 1976.
Foi o primeiro helicóptero totalmente italiano produzido em série e é usado em transporte, evacuação médica, busca e resgate e operações militares, pelo mesmo levantamento do g1. Um derivado dele, o AW119, tem um motor só.
O que o CENIPA já fez em Iaras
A Força Aérea Brasileira informou à TV TEM que investigadores do SERIPA IV, o serviço regional do CENIPA, foram acionados para apurar a ocorrência com o PT-YBL. Eles fizeram a chamada Ação Inicial, relatou o g1.
Nessa etapa, os investigadores coletam informações, verificam os danos na aeronave e reúnem outros dados que ajudem a esclarecer o que aconteceu, explicou a FAB ao g1. Nenhuma causa para a queda foi apontada pelo CENIPA até agora.
O caminho da investigação, pela nota da FAB publicada pelo g1, segue assim:
- Ação Inicial em Iaras, com coleta de dados e exame dos danos, já feita pelo CENIPA.
- Etapas seguintes, que usam esse material para identificar possíveis fatores contribuintes.
- Se for o caso, propostas de medidas de segurança para evitar novos acidentes.
O que dizem os comentários sobre o resgate em Iaras
Nos comentários de um vídeo sobre o resgate, um morador diz que estava chovendo muito em Iaras naquela noite, e outro escreve que os três “tiveram livramento”. A imagem do Águia sobre a copa das árvores circulou em vários canais.
O próximo passo está com o CENIPA, que tem nas mãos os destroços do PT-YBL e o registro da Anac, e com os médicos de Avaré, que cuidam dos três homens que caíram no interior de São Paulo e pediram socorro de um tablet.
Assista o vídeo
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helicóptero
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

