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A Perfilados Rio Doce colocou R$ 350 milhões numa fábrica de 150 mil metros quadrados na Serra, no Espírito Santo, que dobra a capacidade da empresa, abre 200 vagas diretas e é inaugurada em 17 de setembro
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 05/09/2026 às 18:57
Atualizado em 05/09/2026 às 19:00
Economia
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A Perfilados Rio Doce colocou R$ 350 milhões de recursos próprios numa fábrica de 150 mil metros quadrados na Serra, no Espírito Santo, que dobra a capacidade da empresa, amplia em até 25% o mix de produtos, abre cerca de 200 vagas diretas e tem inauguração marcada para 17 de setembro.
O anúncio foi divulgado em 2 de setembro pelo Grupo RDG, dono da companhia. A unidade fica na Rodovia do Contorno, no bairro Jacuhy, dentro da Região Metropolitana da Grande Vitória.
Um detalhe muda o peso da notícia: a planta não começa do zero em setembro. Conforme o NSC Total, ela já operava em março deste ano com 35% da capacidade.
Investimento com capital próprio, e isso diz muito
Os R$ 350 milhões saíram do caixa da própria empresa, sem financiamento anunciado. Num ano de juro alto, essa informação vale quase tanto quanto o valor.
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Paulo Nogueira
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Boa parte dos projetos industriais brasileiros depende de linha subsidiada ou de crédito de longo prazo, e é exatamente essa dependência que faz tanto anúncio virar obra parada. Aqui, a decisão foi tomada com recurso da operação.
O fato de a planta já estar produzindo a 35% da capacidade reforça a leitura. A Perfilados Rio Doce vem colocando dinheiro em etapas e ligando a fábrica conforme cada trecho fica pronto, em vez de esperar a obra inteira concluída.
É um modelo mais conservador e bem menos vistoso, mas que reduz o risco de ficar com ativo ocioso caso a demanda não apareça no ritmo previsto.
O que sai da linha de produção
A fábrica não produz aço bruto. Ela trabalha na etapa seguinte, a de transformação, que é onde o valor por tonelada sobe.
A lista inclui tubos de grandes diâmetros, perfis especiais, chapas de maior espessura e alta resistência, chapas expandidas, telhas e soluções para cobertura de armazém.
Cada item desses tem destino conhecido. Tubo de grande diâmetro atende saneamento, adutora e obra industrial. Perfil especial e chapa de alta resistência vão para estrutura metálica e equipamento pesado. Telha e cobertura de armazém atendem galpão logístico, um mercado que cresceu junto com o comércio eletrônico.
Por isso a ampliação de até 25% no mix importa tanto quanto dobrar a capacidade. Fabricar mais do mesmo depende de o mercado absorver volume; fabricar itens novos abre porta em clientes que antes compravam de outro fornecedor.
Por que o Espírito Santo
A escolha do endereço tem lógica industrial bem definida. O estado concentra siderurgia, movimentação portuária e uma cadeia metalmecânica consolidada há décadas.
Estar na Serra, dentro da região metropolitana, coloca a fábrica perto do fornecimento de bobina e chapa e perto da saída para o mar. Numa indústria em que o frete pesa muito sobre o preço final, cada quilômetro economizado aparece na margem.
O terreno de 150 mil metros quadrados também sinaliza intenção de longo prazo. Área desse tamanho não é dimensionada apenas para o que se produz hoje: ela deixa espaço para a próxima expansão sem precisar mudar de endereço.
Sobre os 200 empregos diretos, vale a ressalva de sempre. São postos da operação, e o efeito real na cidade costuma ser maior por causa da cadeia que se forma ao redor: transporte, manutenção, serviço industrial e fornecimento de insumo.
Olhando assim, é o tipo de investimento que quase nunca vira manchete nacional. Não tem cifra bilionária nem nome de multinacional, mas é exatamente onde a indústria de transformação brasileira acontece de verdade.
A data a marcar é 17 de setembro, quando a unidade é oficialmente inaugurada. Como ela já roda a 35%, o que se vai observar dali em diante é a velocidade com que a capacidade restante entra em operação.
Vale situar o setor em que a empresa opera. A transformação de aço fica entre a siderúrgica, que produz a bobina e a chapa, e o cliente final, que precisa do produto já cortado, dobrado ou soldado no formato de uso.
É um elo que agrega valor sem exigir alto-forno. O investimento é bem menor que o de uma usina integrada, mas a margem por tonelada é maior do que a do aço bruto.
Esse posicionamento explica a lógica de dobrar capacidade agora. Construção civil, logística e obra industrial demandam estrutura metálica e cobertura, e galpão logístico virou um dos segmentos mais aquecidos da construção brasileira.
O comércio eletrônico ajudou a criar essa demanda.
Há também uma vantagem competitiva no fornecimento local. Comprar perfil e telha de fabricante próximo reduz prazo de entrega e frete, dois itens que pesam bastante em obra com cronograma apertado.
Por outro lado, o setor é cíclico e sensível a juro. Se a construção desacelerar, capacidade dobrada vira ociosidade, e é por isso que ligar a fábrica em etapas, como a empresa vem fazendo, reduz a exposição a esse risco.
Além disso, vale observar o contexto do estado. Conforme a economia capixaba se apoia em siderurgia, celulose, petróleo e movimentação portuária, uma planta de transformação de aço se encaixa numa cadeia que já existe ali.
Portanto, a empresa não precisa criar fornecedor nem formar mão de obra do zero, o que reduz de forma relevante o risco de implantação.
No entanto, o teste real vem depois da inauguração. Dessa forma, o número a acompanhar não é o investimento anunciado, e sim quanto tempo a fábrica leva para sair dos atuais 35% de capacidade e chegar perto do uso pleno.
Fábrica que cresce com capital próprio em ano de juro alto é coragem ou falta de opção de crédito no Brasil?
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Fonte
NSC Total
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

