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Agricultor troca o café pelo cultivo de apenas 20 pés de abacate no Paraná, consegue comprar um Uno zero já na primeira colheita e, três décadas depois, chega a 600 árvores e mais de 400 toneladas por ano, enquanto prepara outras 400 mudas para ultrapassar a marca de mil pés
Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/09/2026 às 12:08
Atualizado em 08/09/2026 às 12:32
Agronegócio
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João Costa começou com 20 pés de abacate em Apucarana, no Paraná, e usou o resultado da primeira colheita para comprar um Uno zero. Mais de 30 anos depois, mantém 600 árvores, produz acima de 400 toneladas anuais e já encomendou 400 mudas para expandir novamente a plantação no sítio.
O abacate mudou a trajetória produtiva do agricultor João Costa depois que ele decidiu reduzir espaço do café e experimentar apenas 20 pés da fruta em sua propriedade na região de Apucarana, no Norte do Paraná. O resultado da primeira colheita foi suficiente, segundo seu relato, para comprar um Fiat Uno zero-quilômetro.
Mais de três décadas depois, aquele teste havia se transformado na principal atividade do sítio. Em reportagem publicada em 21 de junho de 2021 pelo portal Sou Agro, com informações da Agência Estadual de Notícias, João aparecia com 600 árvores em Apucarana, produção superior a 400 toneladas por ano e outras 400 mudas já encomendadas para ampliar a área.
Apenas 20 pés foram suficientes para mudar os planos do agricultor
A entrada de João no cultivo começou em escala pequena. Foram apenas 20 pés, plantados enquanto o café ainda ocupava espaço importante na propriedade de 18 alqueires localizada em um distrito de Apucarana.
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A resposta econômica veio rapidamente. Segundo o próprio agricultor, a renda obtida já na primeira colheita permitiu comprar um Uno zero, sinal que ele interpretou como confirmação de que valia a pena dedicar mais área ao abacate.
Café perdeu espaço depois da primeira colheita
A mudança não aconteceu de uma única vez. João ainda mantinha uma pequena área de café quando a reportagem foi publicada, mas já havia decidido substituir o restante gradualmente pela fruta.
O agricultor afirmou que pretendia usar todo o espaço disponível em Apucarana para o abacate. A cultura que começou como experiência passou a ocupar o centro do planejamento produtivo da propriedade.
Mais de 30 anos depois, plantação chegou a 600 árvores
Quando contou sua história em 2021, João acumulava mais de três décadas de experiência com a cultura. A propriedade de Apucarana já reunia cerca de 600 pés em produção.
O volume alcançado também havia mudado completamente de escala. As árvores produziam mais de 400 toneladas de abacate por ano, comercializadas para diferentes regiões do Brasil.
Produção passou a viajar para outros estados
Entre os compradores mencionados pela reportagem estavam mercados em São Paulo, Pará e Pernambuco. A produção, portanto, já não ficava restrita ao Paraná ou ao entorno de Apucarana.
João também possuía outra propriedade em Lidianópolis, onde havia mais 75 pés produzindo. Somadas, as duas áreas mostram como os 20 pés iniciais acabaram dando origem a uma atividade agrícola de escala significativamente maior.
Margarida e Quintal já faziam parte do pomar
A ampliação não envolvia apenas o número de árvores. João cultivava diferentes variedades, entre elas Margarida e Quintal, adequando a produção ao planejamento da propriedade.
Na etapa seguinte, pretendia acrescentar também a variedade Breda. A expansão combinava aumento de área e diversificação do próprio cultivo de abacate, em vez de simplesmente repetir o mesmo pomar inicial.
Outras 400 mudas foram encomendadas para ampliar o cultivo
O agricultor já havia feito um novo pedido de 400 mudas quando a reportagem foi publicada. A intenção declarada era terminar aquele ano com mais de mil pés.
Considerando os 600 pés existentes na propriedade principal, o movimento representava outra expansão relevante. Três décadas depois de começar com apenas 20 árvores, João preparava uma estrutura dezenas de vezes maior.
Apucarana concentra parte importante da produção paranaense
A história de João ocorre justamente em uma das regiões onde a cultura ganhou espaço no Paraná. Dados reproduzidos pela reportagem indicavam que o Norte do estado e o Vale do Ivaí respondiam juntos por cerca de 75% da produção paranaense.
Apucarana aparecia como principal município produtor, com 11,4% do volume estadual, enquanto Arapongas vinha em seguida, com 8%. O crescimento individual do agricultor acompanhava, portanto, uma transformação agrícola mais ampla na região.
Área plantada cresceu 19% em uma década no Paraná
Segundo os dados apresentados em 2021, a área destinada ao abacate no Paraná havia aumentado 19% ao longo dos dez anos anteriores.
A produção avançou ainda mais no mesmo intervalo: 34,1%. Os números ajudam a explicar por que agricultores da região passaram a enxergar a fruta como alternativa relevante dentro da diversificação das propriedades.
Paraná ocupava terceira posição nacional na produção
Com base em dados do IBGE referentes a 2019, a reportagem apontava o Paraná como o terceiro maior produtor de abacate do Brasil, responsável por 9,7% do volume nacional.
O estado ficava atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. No levantamento referente a 2020 citado pela matéria, o Paraná havia produzido aproximadamente 26,4 mil toneladas em uma área de 1,3 mil hectares.
Região reunia cerca de 1,2 mil fruticultores
Paulo Andrade, técnico do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, informou que havia aproximadamente 1,2 mil fruticultores envolvidos com a cultura.
A produtividade média era de 21 toneladas por hectare. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná recomendava o cultivo de diferentes variedades e em altitudes distintas, estratégia que possibilitava distribuir a colheita por uma parte maior do ano.
Ceasas receberam 8,9 mil toneladas em 2020
Outro indicador da presença comercial da fruta apareceu nas cinco unidades da Ceasa do Paraná. Em 2020, elas receberam 8,9 mil toneladas de abacate.
O movimento gerou valor bruto de R$ 30,5 milhões, com preço médio de R$ 3,42 por quilo. A fruta ocupava a 13ª posição entre as mais comercializadas nessas unidades naquele período.
Primeira colheita virou referência para três décadas de expansão
João resumiu sua decisão com uma lembrança direta: os primeiros 20 pés renderam o suficiente para a compra de um carro novo. A partir dali, ele passou a ampliar gradualmente a cultura.
O resultado observado mais de 30 anos depois era muito diferente daquele começo: 600 árvores somente em Apucarana, mais 75 em Lidianópolis, produção superior a 400 toneladas anuais e outras 400 mudas previstas para a próxima expansão.
De 20 pés a mais de mil no planejamento da propriedade
A trajetória mostra uma mudança de cultura agrícola construída ao longo de décadas, e não uma substituição instantânea. O café permaneceu durante parte do processo, enquanto o abacate ganhava espaço conforme os resultados se consolidavam.
A primeira colheita que permitiu comprar um Uno zero acabou funcionando como ponto de virada para João Costa. Para você, o que pesa mais na hora de um produtor trocar uma cultura tradicional por outra: rentabilidade da primeira safra, estabilidade de mercado ou potencial de expansão no longo prazo? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

