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Agricultores familiares que montaram 509 estandes na Expointer venderam R$ 14,4 milhões em nove dias e bateram o recorde do pavilhão, enquanto a feira inteira somou R$ 6,18 bilhões e perdeu 10% do público
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 08/09/2026 às 11:39
Atualizado em 08/09/2026 às 12:00
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Os produtores da agricultura familiar que montaram quinhentos e nove estandes na Expointer venderam catorze milhões e quatrocentos mil reais em nove dias e bateram o próprio recorde, enquanto a feira inteira somou seis bilhões e cento e oitenta milhões e perdeu dez por cento do público.
A 49ª edição da feira agropecuária de Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, encerrou no domingo, 6 de setembro.
O balanço foi apresentado em coletiva no Pavilhão Internacional do Parque de Exposições Assis Brasil, com a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, conforme o Times Brasil.
O resultado geral chegou a R$ 6,18 bilhões, alta de 40% sobre os R$ 4,42 bilhões de 2025.
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Paulo Nogueira
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O Pavilhão da Agricultura Familiar foi quem bateu recorde
Dentro do resultado bilionário, existe um número pequeno que é o mais significativo da feira.
A agricultura familiar movimentou R$ 14,401 milhões, alta de 5,6%, distribuídos entre 509 expositores. É o maior faturamento já registrado pelo pavilhão.
Não é venda de trator.
É queijo, embutido, doce, conserva, artesanato e produto colonial vendido no balcão, unidade por unidade, durante nove dias de feira, para quem passa pelo corredor com sacola na mão e decide na hora.
Quem puxou o bilhão foram as máquinas
O grosso do faturamento veio de um único segmento. Máquinas e implementos agrícolas somaram R$ 5,46 bilhões, com alta de 44,6%, e responderam pela maior parte do total.
Os demais setores ficam em outra escala: o automotivo fez R$ 668,757 milhões, os animais movimentaram R$ 21,986 milhões e o artesanato, R$ 2,111 milhões.
Ou seja, quando o produtor volta a comprar colheitadeira, o balanço da feira sobe. Quando ele segura o investimento, o número desaba.
Quem apresentou o balanço e onde
A coletiva de encerramento aconteceu no Pavilhão Internacional do Parque de Exposições Assis Brasil, no domingo.
Participaram o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, e o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, conforme o Times Brasil.
Os dados divulgados ali são a base oficial usada por todos os veículos que cobriram o fechamento da feira.
A alta de 40% não devolve o patamar de 2024
Aqui vale olhar a série, e não só a variação de um ano para o outro.
Apesar do salto sobre 2025, o resultado ainda está 23,6% abaixo dos R$ 8,1 bilhões alcançados em 2024. A recuperação, portanto, é parcial.
O Rio Grande do Sul atravessou seguidas quebras de safra e enchentes nos últimos anos, e a Expointer funciona como termômetro dessa recomposição lenta.
Quando a safra vai bem, o produtor troca de máquina. Quando ela vai mal, ele adia a troca, conserta o que tem e a feira sente no mesmo ano.
Por isso o salto de 40% diz mais sobre 2025 ter sido ruim do que sobre 2026 ter sido excepcional.
O público caiu 10%, e isso é um contraponto ao recorde
A feira recebeu 909.036 visitantes, cerca de 10% a menos que na edição anterior.
Convém registrar que essa contagem é a consolidada até as 14h de domingo, conforme o balanço divulgado, e não o número de fechamento absoluto do dia.
O contraste é o dado mais interessante do balanço: menos gente entrando pelo portão, porém mais negócio fechado no pavilhão de quem vende pouco por vez.
Só cerca de 5% das máquinas vendidas ficam no Rio Grande do Sul
Esse é o número que costuma escapar da manchete.
Do total de máquinas negociadas na feira, apenas cerca de 5% permanecem no estado. O restante segue para outras unidades da federação, segundo os dados apresentados no encerramento.
A Expointer, portanto, funciona menos como feira gaúcha e mais como vitrine nacional. O produtor de Mato Grosso ou do Matopiba fecha negócio em Esteio e leva o equipamento para casa.
Dá pra entender por que a indústria mantém estande caro ali mesmo em ano ruim.
Além disso, boa parte do que é fechado na feira já vinha sendo negociado antes. O estande funciona como ponto de assinatura, e não como balcão de descoberta, para quem compra equipamento de alto valor.
A agricultura familiar cresce por outro motor
Enquanto a venda de máquina depende de crédito, taxa de juros e expectativa de safra, o pavilhão da agricultura familiar depende de quem passa pelo corredor com sacola na mão.
São produtos de ticket baixo, comprados por impulso e por confiança na origem. Nove dias de feira viram o faturamento de meses para muitas dessas famílias.
Não existe financiamento envolvido, nem prazo de entrega de seis meses. O visitante prova, gosta, paga e leva, e o dinheiro entra no caixa da propriedade no mesmo dia.
Por isso a alta de 5,6% nesse pavilhão significa coisa diferente da alta de 44,6% nas máquinas. Uma mede confiança do consumidor, a outra mede confiança do produtor no próprio ano seguinte.
Além disso, o pavilhão cumpre função de vitrine. Muito produtor sai de lá com contato de comprador e canal de venda para o ano inteiro, o que não aparece em nenhuma planilha de balanço.
O que o balanço não responde
Nenhuma das fontes detalha quanto do faturamento das máquinas foi fechado com crédito subsidiado, nem qual a taxa média das operações.
A contagem de público também gerou divergência entre veículos, com um jornal regional publicando um número mais alto. O consolidado oficial é o que vale como referência.
Também não há detalhamento sobre quantos dos 509 expositores da agricultura familiar são cooperativas e quantos são famílias individuais.
Esse tipo de gargalo logístico e comercial aparece em toda a cadeia do agro brasileiro, inclusive na hora de escoar o que foi produzido, como acontece no maior porto de grãos do país, que trava por falta de trilho.
O balanço completo, com a abertura por setor, está na reportagem do Jornal do Comércio.
O que você acha: feira com menos público e mais negócio é sinal de recuperação ou de concentração?
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Fontes
Jornal do Comércio (RS)
Times Brasil | CNBC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

