4 min de leitura
Americano mantém o mesmo caldo por 495 dias, adiciona novos ingredientes sem recomeçar a receita e só interrompe a experiência quando a panela quebra, enquanto restaurantes da Ásia preservam preparos semelhantes há décadas
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 09/09/2026 às 14:37
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O caldo perpétuo é mantido por anos ou décadas com novas porções adicionadas continuamente, tradição encontrada em restaurantes da Tailândia e do Japão.
Uma panela quebrada encerrou recentemente uma experiência doméstica que já durava 495 dias consecutivos. O americano Zaq vinha mantendo seu próprio caldo perpétuo, adicionando novos ingredientes ao preparo sem começar uma receita completamente nova. Na segunda-feira (31), porém, o recipiente usado no processo se rompeu e obrigou o cozinheiro a reiniciar a experiência em outra panela.
A prática que chamou atenção nas redes sociais já faz parte da rotina de estabelecimentos asiáticos há muito mais tempo. Em vez de descartar todo o conteúdo após cada serviço, novas porções são incorporadas ao caldo existente, criando preparos cuja história pode atravessar gerações.
Caldo pode ser mantido quente ou voltar ao fogo no dia seguinte
O termo caldo perpétuo não descreve necessariamente uma única rotina de cozinha. Há estabelecimentos que mantêm o preparo continuamente ativo, enquanto outros interrompem o aquecimento ao fim do dia.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Portos e Estaleiros
Trabalhador de Rio Grande vê sair do papel nesta quarta o terminal de celulose de R$ 1,3 bilhão que promete 1.200 vagas diretas, dentro do Projeto Natureza, o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul
O trabalhador de Rio Grande vê nesta quarta-feira sair do papel o terminal de celulose de um bilhão e trezentos milhões de reais que promete mais de mil e duzentas…
Paulo Nogueira
0
Nesse segundo formato, o ensopado é refrigerado durante a noite e volta a ser fervido no dia seguinte. A continuidade está na utilização de parte do preparo anterior como base para a nova rodada.
Carnes, ervas e outros ingredientes frescos são incorporados conforme a receita é renovada. Assim, o conteúdo da panela muda diariamente, embora a base permaneça conectada ao que foi preparado anteriormente.
Restaurante japonês retomou receita depois da Segunda Guerra
Em Tóquio, o restaurante Otafuku mantém desde 1945 um ensopado conhecido como oden. A versão atual surgiu depois que uma receita anterior, criada originalmente em 1916, foi perdida durante um bombardeio na Segunda Guerra Mundial.
Assista o vídeo
A preparação retomada no pós-guerra já acumula mais de oito décadas de continuidade. Nesse período, novas porções foram incorporadas ao ensopado enquanto o estabelecimento manteve a tradição.
A história do Otafuku mostra que a longevidade de um caldo perpétuo não depende apenas do tempo de uma única panela no fogo, mas também da preservação de uma prática culinária ao longo de diferentes períodos.
Em Bangkok, mesma sopa é renovada há cerca de 50 anos
Outro exemplo está no Wattana Panich, em Bangkok, na Tailândia. A família responsável pelo restaurante prepara a mesma sopa há aproximadamente cinco décadas, mantendo uma panela que não é completamente esvaziada.
A tradição já chegou à terceira geração. Todos os dias entram novos cortes de carne e ervas aromáticas, renovando o conteúdo sem romper totalmente a ligação com o caldo anterior.
O restaurante tornou-se conhecido também fora da Tailândia, com visitantes compartilhando imagens e relatos nas redes sociais. Um dos detalhes que mais desperta curiosidade é a aparência externa do recipiente.
Décadas de utilização deixaram uma crosta visível do lado de fora da panela, resultado da longa rotina de preparo e das sucessivas adições feitas ao longo dos anos.
Sabor é construído por sucessivas renovações do preparo
A particularidade do caldo perpétuo está justamente na ideia de continuidade. Em vez de iniciar cada serviço apenas com água e ingredientes novos, o cozinheiro preserva parte do que já estava preparado e incorpora uma nova rodada de alimentos.
Esse processo ajuda a explicar por que esses caldos chamam atenção pelo aroma e pelo sabor intensos. Cada nova preparação passa a dividir o recipiente com uma base formada anteriormente.
Os exemplos de Bangkok e Tóquio levam essa lógica a uma escala difícil de reproduzir em casa: enquanto uma experiência pessoal chegou a 495 dias antes de ser interrompida pela quebra da panela, os restaurantes asiáticos medem a continuidade de seus preparos em décadas.
Entre receitas reconstruídas depois da guerra e tradições transmitidas dentro de uma mesma família, o caldo perpétuo acabou se tornando mais do que uma técnica curiosa. Em alguns estabelecimentos, ele funciona como uma ligação direta entre o serviço realizado hoje e refeições preparadas muitos anos antes.
@gohanplz
Provaria uma sopa de 50 anos? Essa é a Sopa Eterna de Bangkok, uma sopa de base bovina iniciada no final dos anos 70. Sempre que o caldo chega perto do fim, uma parte dele vira a base para o próximo cozimento, mantendo viva uma receita que atravessa gerações. O processo já está na terceira geração da família e, ao longo das décadas, o caldo foi ganhando ainda mais profundidade, absorvendo sabores, gordura, especiarias e história. #tailandia #sopa #viagem
♬ original sound – GoHanGo
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

