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Aos 102 anos, empresária trabalha três dias por semana no resort que fundou em 1940 e diz que só vai parar quando a natureza mandar
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 14/09/2026 às 18:26
Atualizado em 14/09/2026 às 18:27
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Deborah Szekely continua participando da administração do Rancho La Puerta, no México, mantém caminhadas diárias, segue uma alimentação pescetariana e rejeita estabelecer uma data para abandonar o trabalho.
Três dias por semana, Deborah Szekely seguia para o Rancho La Puerta, resort de bem-estar localizado em Tecate, no estado mexicano da Baja California. Aos 102 anos, ela ainda participava da rotina do empreendimento que havia fundado com o então marido, Edmond Szekely, em junho de 1940.
A empresária comparecia a reuniões, conversava com funcionários, acompanhava projetos e respondia a perguntas de hóspedes. O trabalho não ocupava todos os dias, mas preservava sua ligação com um negócio construído ao longo de mais de oito décadas.
Ao falar sobre aposentadoria, Deborah não estabelecia uma idade para parar. Segundo contou em entrevista repercutida pela NBC San Diego, continuaria enquanto tivesse condições para isso. Quando a natureza dissesse que era hora de interromper a rotina, ela aceitaria. Até lá, seguiria trabalhando.
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O resort começou com barracas, tarefas compartilhadas e poucos recursos
Quando Deborah e Edmond abriram o Rancho La Puerta, em 1940, a estrutura era muito diferente do resort de bem-estar que surgiria nas décadas seguintes.
Os primeiros visitantes pagavam US$ 17,50 por uma semana, levavam as próprias barracas e ajudavam em tarefas da propriedade. A proposta combinava exercícios, contato com a natureza, alimentação vegetariana e participação nas atividades diárias.
Deborah tinha apenas 18 anos e assumiu diferentes funções para manter o negócio em funcionamento. Ao longo da trajetória, trabalhou como cozinheira-chefe, diretora de atividades e gerente-geral.
O empreendimento cresceu ao redor das montanhas de Tecate e tornou-se conhecido internacionalmente por programas ligados à atividade física, à alimentação fresca e ao bem-estar. A propriedade passou a reunir trilhas, áreas de exercícios, jardins, espaços de tratamento, escola de culinária e uma fazenda orgânica.
Três dias de trabalho mantinham Deborah ligada às decisões do empreendimento
A administração cotidiana do Rancho La Puerta passou a ser liderada por Sarah Livia Brightwood, filha da fundadora e presidente do resort. Isso, porém, não significou o afastamento completo de Deborah.
Aos 102 anos, ela ainda comparecia ao local três vezes por semana. Participava de encontros com a equipe, acompanhava assuntos relacionados ao empreendimento e mantinha contato direto com os hóspedes.
Nas reuniões semanais, Deborah respondia a perguntas sobre sua experiência, a história do resort e os hábitos mantidos ao longo da vida. Segundo o Barron’s, ela chegava a falar para aproximadamente 150 pessoas por semana.
O compromisso oferecia uma agenda regular e um espaço permanente de convivência. Para Deborah, trabalhar não era apenas administrar uma empresa, mas continuar conectada às pessoas e às mudanças ocorridas ao redor do negócio.
Caminhadas diárias permaneceram na rotina aos 102 anos
O movimento fazia parte da vida de Deborah desde a infância. Durante o período em que morou no Taiti com a família, ela utilizava a bicicleta para ir à escola e voltar para casa na hora do almoço.
Mais tarde, praticou exercícios como Pilates e incorporou a atividade física ao conceito do próprio empreendimento. Aos 102 anos, a intensidade havia mudado, mas as caminhadas continuavam presentes.
Ela costumava caminhar diariamente, muitas vezes acompanhada de Charlie, seu cão da raça Cavalier King Charles Spaniel. A empresária defendia que o tipo específico de exercício era menos importante do que a decisão de movimentar o corpo regularmente.
A rotina também funcionava como exemplo para os hóspedes. Em entrevista ao Barron’s, Deborah afirmou que as pessoas que frequentavam o resort percebiam quando ela estava ativa e a viam caminhando pela propriedade.
Alimentação pescetariana era mantida desde a infância
Além das caminhadas, Deborah seguia uma alimentação predominantemente vegetal. Ela era pescetariana desde criança, consumia peixes, mas não incluía carnes vermelhas em sua rotina alimentar.
O café da manhã geralmente reunia alimentos simples, como iogurte, banana e cereais integrais. No almoço, costumava escolher salada. O jantar poderia incluir peixe, batatas e vegetais.
A empresária dava preferência a produtos frescos e defendia que o intervalo entre a colheita e o consumo fosse o menor possível. Essa filosofia também foi incorporada ao Rancho La Puerta, onde parte dos ingredientes utilizados nas refeições vem de uma fazenda orgânica.
Embora os hábitos estejam relacionados ao conceito de bem-estar desenvolvido no resort, Deborah não apresentava sua rotina como uma fórmula capaz de garantir longevidade. Trabalho, alimentação, movimento e convivência formavam escolhas pessoais mantidas de maneira consistente.
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Caio Aviz
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Participação na comunidade ia além dos limites do resort
A ligação de Deborah com Tecate não se restringia aos hóspedes e funcionários. Ela defendia que a saúde de uma pessoa também dependia das condições encontradas na comunidade ao seu redor.
Famílias da cidade trabalharam no Rancho La Puerta ao longo de diferentes gerações. Paralelamente, a empresária participou de iniciativas educacionais, ambientais e culturais voltadas à região.
O envolvimento rendeu a ela a Ordem da Águia Asteca, considerada a mais importante condecoração mexicana concedida a cidadãos estrangeiros.
Para Deborah, uma empresa não poderia criar um ambiente saudável se permanecesse isolada da realidade de seus vizinhos. Por isso, a participação comunitária ocupava uma posição semelhante à alimentação, ao exercício e às relações pessoais em sua concepção de bem-estar.
Amizades, livros e compromissos substituíram a ideia de aposentadoria completa
Fora do resort, Deborah mantinha uma agenda preenchida por caminhadas, leituras, encontros com amigos, teatro e ópera. Ela falava quatro idiomas e preservava o interesse por outras culturas e por novos aprendizados.
Muitas de suas amizades eram com pessoas mais jovens. A diferença de idade não impedia conversas, passeios e atividades compartilhadas. Esse contato ajudava a manter uma vida social que não dependia exclusivamente do trabalho.
Em vez de organizar a própria trajetória em torno de uma aposentadoria tradicional, Deborah preferia continuar envolvida enquanto tivesse energia e condições para participar.
Aos 102 anos, mais de oito décadas depois de abrir um espaço simples para visitantes dispostos a dormir em barracas e ajudar nas tarefas, ela ainda aparecia no resort três dias por semana. A rotina havia mudado, assim como o empreendimento, mas o trabalho permanecia ligado a propósito, convivência e participação.
Você continuaria trabalhando depois dos 100 anos se a atividade trouxesse propósito, amizades e contato com a comunidade? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta história com quem acredita que uma vida ativa não precisa terminar com a aposentadoria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

