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Aos 18 anos, estudante cria plástico biodegradável de origem vegetal que libera enzimas capazes de degradar microplásticos de PET enquanto se decompõe, vence prêmio europeu de US$ 12,5 mil e agora tenta desenvolver o protótipo para futuras aplicações em embalagens e sacos de compostagem
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 01/09/2026 às 21:06
Atualizado em 01/09/2026 às 21:13
Ciência e Tecnologia
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Arya Satheesh, de 18 anos, desenvolveu na Irlanda o Eco Purge, material biodegradável de origem vegetal criado para substituir plástico convencional e liberar enzimas contra microplásticos de PET. O projeto venceu a etapa europeia do The Earth Prize 2026 e recebeu US$ 12,5 mil para avançar em testes e aplicações.
Arya Satheesh, de 18 anos, desenvolveu na Irlanda um material biodegradável pensado para atuar em duas frentes: substituir parte do plástico convencional e, durante sua própria degradação, liberar enzimas capazes de agir sobre microplásticos derivados de PET que já estejam presentes no ambiente. Batizado de Eco Purge, o protótipo ainda está em desenvolvimento.
Segundo informações publicadas pelo ND Mais, com dados de Smithsonian Magazine, RTÉ e Donegal Daily, a estudante de Letterkenny, no condado de Donegal, transformou uma investigação anterior sobre microplásticos em um novo projeto. Em maio de 2026, a proposta foi escolhida como vencedora europeia do The Earth Prize, garantindo US$ 12,5 mil para continuidade do desenvolvimento.
Projeto começou durante pesquisa sobre microplásticos na água
A origem do Eco Purge está ligada a um trabalho anterior desenvolvido por Arya para a SciFest, programa irlandês de feiras científicas voltado a estudantes.
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Naquele projeto, a jovem criou um monitor inteligente para investigar contaminantes presentes na água potável. Durante a pesquisa, percebeu que conseguir detectar microplásticos não resolvia o problema de retirar essas partículas depois que já haviam chegado ao ambiente.
Arya passou a investigar um plástico que também atacasse outros plásticos
A constatação levou a estudante a formular uma nova pergunta.
Arya começou a investigar se seria possível criar um material biodegradável capaz de carregar enzimas específicas que, depois de liberadas, também atuassem sobre resíduos plásticos encontrados no ambiente.
Eco Purge utiliza uma base de origem vegetal
O protótipo desenvolvido pela estudante utiliza uma base de origem vegetal.
Dentro desse material são incorporadas enzimas selecionadas para atuar sobre determinadas partículas de plástico. A proposta é que essas substâncias sejam liberadas conforme o próprio Eco Purge se biodegrada.
Enzimas foram direcionadas a microplásticos derivados de PET
O projeto não foi desenvolvido para atacar indiscriminadamente todos os tipos de plástico.
As enzimas utilizadas são voltadas para microplásticos derivados de PET, material empregado em produtos como garrafas e diferentes tipos de embalagens.
Por isso, o Eco Purge não deve ser apresentado como uma solução capaz de eliminar qualquer microplástico existente no ambiente.
Material tenta resolver dois problemas no mesmo ciclo
A ideia de Arya vai além da simples substituição de um plástico tradicional por uma alternativa biodegradável.
O conceito busca fazer com que o próprio material, ao se decompor, participe da degradação de partículas de PET que já estavam no solo, na água ou em outro ambiente onde as enzimas consigam entrar em contato com esses resíduos.
Trabalho recebeu reconhecimento em competição científica na Irlanda
Antes do prêmio europeu, o Eco Purge já havia sido apresentado na Stripe Young Scientist & Technology Exhibition 2026.
Arya recebeu o segundo prêmio individual da categoria sênior de Ciências Biológicas e Ecológicas pelo trabalho intitulado “Eco Purge: Biodegradable Plastic with Enzyme-Driven Microplastic Degradation”.
Pesquisadores de três instituições colaboraram com o protótipo
O desenvolvimento contou com apoio científico além do trabalho realizado pela estudante.
Segundo a RTÉ, pesquisadores da University College Dublin, da Atlantic Technological University e do BiOrbic Bioeconomy Research Centre colaboraram com Arya no desenvolvimento do protótipo.
The Earth Prize escolheu Arya como vencedora europeia
O reconhecimento internacional veio em 11 de maio de 2026.
Arya Satheesh foi anunciada como vencedora europeia do The Earth Prize 2026, competição internacional destinada a estudantes com idades entre 13 e 19 anos.
Sete vencedores regionais receberam US$ 12,5 mil cada
A competição selecionou sete vencedores regionais.
Cada projeto recebeu US$ 12,5 mil para continuar sendo desenvolvido, valor que Arya pretende utilizar para avançar nas etapas necessárias do Eco Purge.
Estudante pensa em embalagens e sacos para compostagem
O financiamento poderá ser direcionado a aplicações mais específicas do material.
Segundo a RTÉ, Arya pretende explorar usos do Eco Purge em embalagens e sacos destinados à compostagem, áreas nas quais um material biodegradável com enzimas incorporadas poderia ser testado de maneira mais controlada.
Ambientes abertos podem reduzir eficiência das enzimas
O protótipo, porém, ainda enfrenta limitações importantes.
O pesquisador Charles Rolsky, do Shaw Institute, explicou à Smithsonian Magazine que enzimas liberadas em ambientes abertos podem se dispersar e perder eficiência.
No solo ou na água, por exemplo, a diluição pode diminuir o contato entre essas enzimas e as partículas de microplástico que deveriam ser degradadas.
Instalações de compostagem podem ser aplicação inicial mais viável
Essa dificuldade torna ambientes controlados potencialmente mais adequados para os primeiros usos.
Segundo Rolsky, instalações de compostagem podem oferecer condições mais viáveis inicialmente do que oceanos ou outros ecossistemas abertos, justamente porque permitem maior controle sobre o contato entre material, enzimas e resíduos.
Temperaturas da fabricação de plástico representam outro obstáculo
A produção em escala também exigirá soluções técnicas.
Processos convencionais de fabricação de plásticos utilizam temperaturas elevadas, capazes de danificar as enzimas biológicas incorporadas ao material.
A pesquisa terá de encontrar uma maneira de produzir o Eco Purge em escala sem comprometer a atividade dessas substâncias.
Novos testes precisam medir degradação fora do laboratório
Outra questão é determinar quanto da eficiência observada pode ser mantida fora de condições controladas.
O projeto ainda depende de novos testes para medir a capacidade real das enzimas de degradar microplásticos de PET em diferentes ambientes.
Por isso, o Eco Purge permanece como um protótipo em desenvolvimento, e não como uma tecnologia já pronta para descontaminar solos, rios ou oceanos.
Arya espera ver tecnologia em uso nos próximos cinco anos
A estudante já definiu uma expectativa para as próximas etapas.
Arya disse à Smithsonian Magazine que espera que empresas ligadas a embalagens, bioplásticos e sacos de lixo possam utilizar a tecnologia nos próximos cinco anos.
Essa possibilidade ainda depende de avanços na formulação, na produção das enzimas e nos métodos necessários para fabricar o material em escala.
US$ 12,5 mil serão usados para avançar um projeto ainda experimental
O prêmio europeu amplia os recursos disponíveis para continuar os testes do Eco Purge, mas não elimina os desafios científicos e industriais ainda existentes.
O projeto de Arya Satheesh combina uma base vegetal biodegradável com enzimas direcionadas a microplásticos de PET e, com os US$ 12,5 mil recebidos no The Earth Prize, deverá avançar na busca por aplicações mais viáveis e métodos de produção que preservem sua função biológica.
Na sua opinião, qual é o maior desafio para transformar o Eco Purge em uma aplicação real: manter as enzimas eficientes no ambiente, fabricar o material em escala ou encontrar os usos mais adequados para essa tecnologia? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

