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Aos 27 anos, jovem escreve o próprio testamento mesmo sem casa ou grande fortuna, define quem ficará com carro de £ 7 mil, dinheiro e colar e deixa até poema e bebida escolhidos para o funeral
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 15/09/2026 às 15:19
Atualizado em 15/09/2026 às 15:21
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Erin Atkinson trabalha com pesquisa psicológica em Londres, mora de aluguel e não se considera rica, mas decidiu quem receberá seus bens, deixou uma doação para uma causa ligada à endometriose e registrou até detalhes de seu funeral.
Aos 27 anos, Erin Atkinson tomou uma decisão normalmente associada a pessoas mais velhas: escreveu o próprio testamento e determinou o que deverá acontecer com seu dinheiro e seus bens quando morrer. A jovem trabalha com pesquisa psicológica em uma universidade de Londres e se mudou de Bristol para a capital britânica quatro anos antes.
O caso chama atenção porque Erin não possui casa própria e não se considera particularmente rica. Seu carro, avaliado em £ 7 mil, deverá ficar com a irmã, enquanto um colar de ouro recebido do parceiro deverá retornar para ele. Parte de seu dinheiro também será destinada a uma instituição de caridade ligada à endometriose, causa que considera importante.
Testamento de Erin Atkinson definiu destino de carro, dinheiro e objetos pessoais aos 27 anos
A decisão de elaborar o documento não surgiu porque Erin havia acumulado um grande patrimônio. A ideia apareceu pela primeira vez quando uma amiga comprou uma casa e ganhou força depois que ela começou a acompanhar Sophia Maslin, fundadora da Morby, falando sobre testamentos no TikTok.
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Maslin havia compartilhado a história de uma prima que morreu jovem sem deixar testamento e das dificuldades enfrentadas posteriormente pela família. O relato levou Erin a pensar sobre sua própria situação e sobre quais decisões seriam deixadas para outras pessoas caso ela morresse sem registrar suas vontades.
A experiência dentro da própria família reforçou essa percepção. A avó de Erin morreu deixando um testamento e, embora a família fosse numerosa e a situação envolvesse diferentes questões, as orientações registradas ajudaram a mostrar como um documento claro pode reduzir a pressão sobre parentes.
National Wills Report 2025 mostrou que testamentos ainda são menos comuns entre jovens britânicos
O comportamento de Erin ainda não representa a maioria entre pessoas de sua idade no Reino Unido. O National Wills Report de 2025 constatou que apenas um em cada cinco jovens entre 18 e 24 anos possuía testamento, enquanto o percentual chegava a 33% entre pessoas de 25 a 34 anos e a 56% entre maiores de 55 anos.
A diferença ajuda a explicar por que escrever o documento aos 27 anos pareceu inicialmente surreal para Erin. Testamentos continuam associados à velhice e à existência de grandes patrimônios, embora Sophia Maslin aponte justamente essa percepção como um dos principais equívocos encontrados entre os jovens.
Poupanças, investimentos, pensões, contas em redes sociais, animais de estimação e desejos relacionados ao funeral também podem entrar nesse planejamento. O processo fez a própria Erin perceber que possuía mais ativos financeiros do que imaginava, mesmo morando de aluguel e sem se considerar rica.
Testamento pode ajudar a organizar contas bancárias e dívidas mesmo quando não existe grande patrimônio
A utilidade do documento não está limitada à divisão de imóveis, investimentos ou grandes quantias de dinheiro. Eleanor Hodgson, da Crombie Wilkinson Solicitors, explica que alguém ainda precisará administrar contas bancárias e eventuais dívidas depois da morte, mesmo quando o patrimônio deixado é pequeno.
O testamento permite indicar uma pessoa para tratar legalmente dessas questões e cumprir as determinações registradas. Hodgson afirma que os obstáculos provocados pela ausência do documento podem ser difíceis de compreender antes de uma família precisar enfrentar a situação.
Sophia Maslin também observa que pessoas jovens podem adiar a decisão porque imaginam que terão décadas para organizar essas questões. A possibilidade de acontecimentos inesperados em qualquer fase da vida, porém, foi justamente um dos fatores que levaram Erin a antecipar esse planejamento.
Valor do testamento de Erin vai além do dinheiro e inclui poema e bebida para o funeral
Algumas das determinações feitas por Erin possuem mais importância emocional do que financeira. Seu testamento registra um poema que gostaria que fosse lido durante o funeral e até a bebida que deseja que seja servida quando familiares e pessoas próximas estiverem reunidos.
Pensar nesses detalhes não pareceu mórbido para a jovem. Erin passou a enxergar o documento como uma maneira de assumir responsabilidade pelas próprias escolhas e tornar determinadas decisões mais simples para as pessoas de quem gosta.
O mesmo raciocínio aparece na destinação de seus objetos pessoais. O carro deverá ficar com a irmã, o colar retornará ao parceiro e uma parcela do dinheiro será encaminhada para uma instituição ligada à endometriose, permitindo que decisões financeiras e afetivas permaneçam registradas.
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Viviane Alves
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Testamento pode definir beneficiários, executor, cuidados com animais e preferências para o funeral
A elaboração do documento envolve decidir quem deverá receber dinheiro e bens, seja um familiar, amigo ou instituição de caridade. Pessoas com filhos menores de 18 anos também podem indicar responsáveis, enquanto a escolha de um executor determina quem ficará encarregado de garantir o cumprimento das vontades registradas.
Animais de estimação também podem ser considerados, com a indicação da pessoa que deverá assumir os cuidados depois da morte do tutor. Preferências sobre enterro ou cremação, músicas, leituras, flores e outros elementos relacionados ao funeral podem igualmente ser registradas.
O documento precisa permanecer guardado em local seguro e uma pessoa de confiança deve saber onde encontrá-lo. A impossibilidade de localizar um testamento pode provocar atrasos e dificultar que as determinações deixadas pela pessoa sejam cumpridas.
No Brasil, pessoas maiores de 16 anos podem fazer testamento se conseguirem expressar plenamente sua vontade
No Brasil, qualquer pessoa maior de 16 anos pode fazer testamento desde que esteja em plena capacidade e consiga expressar sua vontade no momento da elaboração. O testamento público, modalidade considerada mais formal e segura, precisa ser registrado em cartório de notas na presença de duas testemunhas.
No Reino Unido, iniciativas também procuram tornar a elaboração do documento mais acessível. O Will Aid realiza anualmente, em novembro, uma campanha na qual advogados oferecem voluntariamente seu tempo e abrem mão dos honorários para preparar testamentos básicos.
A Citizens Advice informa ainda que integrantes de sindicatos podem ter acesso a serviços gratuitos de elaboração de testamentos. Essas alternativas atendem pessoas que consideram o processo caro ou intimidador e mostram que a existência de grande patrimônio não é necessariamente o ponto de partida para organizar essas decisões.
História de Erin mostra por que alguns jovens decidem escrever o testamento antes de acumular grande patrimônio
A experiência de Erin reúne diferentes motivos que podem levar uma pessoa jovem a antecipar decisões normalmente deixadas para a velhice. Ela não possui casa própria, não se considera rica e tinha apenas 27 anos quando decidiu estabelecer o destino de bens, dinheiro e objetos carregados de significado pessoal.
O processo também mostrou que seu patrimônio era maior do que imaginava e permitiu transformar preferências em instruções claras. A experiência da avó e o relato sobre uma jovem que morreu sem testamento reforçaram a percepção de que deixar essas escolhas registradas poderia diminuir dificuldades futuras para a família.
A história de Erin Atkinson chama atenção justamente por isso. Seu testamento não nasceu da expectativa de morrer jovem nem da existência de uma grande fortuna, mas da decisão de organizar antecipadamente aquilo que gostaria que acontecesse com seus bens, suas causas pessoais e até pequenos detalhes de sua despedida.
Você faria um testamento ainda jovem, mesmo sem possuir uma grande fortuna, para definir o destino dos seus bens e evitar decisões difíceis para sua família, ou deixaria esse planejamento para mais tarde? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

