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Após crise do metanol que deixou ao menos 25 mortos no Brasil, 4 milhões de garrafas por mês ganham selo microscópico com IA que permite detectar bebidas falsificadas usando apenas a câmera do celular
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 15/09/2026 às 15:42
Atualizado em 15/09/2026 às 15:48
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia adotada pela Diageo chega a cerca de 4 milhões de garrafas por mês, cria uma identificação microscópica exclusiva e permite verificar pelo celular se determinados destilados foram reconhecidos como autênticos.
Em 15 de setembro de 2026, a Diageo anunciou no Brasil uma nova tecnologia para verificar a autenticidade de bebidas alcoólicas por meio da câmera do celular. Desenvolvida em parceria com a Securetrace, a solução utiliza um selo com identificação microscópica exclusiva, analisada por inteligência artificial, e já está presente em aproximadamente 4 milhões de garrafas por mês.
A iniciativa ganhou relevância depois da crise de intoxicação por metanol registrada em 2025, que colocou as bebidas adulteradas no centro das discussões sobre saúde pública. Segundo reportagem do Fantástico, ao menos 25 pessoas morreram no país, enquanto autoridades emitiram alertas e passaram a acompanhar as ocorrências relacionadas à substância tóxica.
Selo microscópico transformou cada garrafa em uma unidade com identificação digital exclusiva
O sistema desenvolvido pela Securetrace parte de uma característica praticamente invisível para o consumidor: cada selo recebe uma espécie de impressão digital própria, formada por padrões microscópicos exclusivos. Segundo a empresa, existem mais de 27 trilhões de combinações possíveis, o que permite criar uma identificação individual para cada unidade protegida pela tecnologia.
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A verificação foi pensada para funcionar diretamente pelo celular. Quando a câmera é apontada para o selo, uma inteligência artificial analisa o padrão microscópico e compara as informações captadas com o banco de dados do sistema. Caso exista correspondência, a plataforma confirma a identificação e apresenta a mensagem “Verificado”.
Mais do que um código convencional impresso na embalagem, a solução utiliza recursos anticópia. Segundo a Securetrace, a tecnologia está relacionada a mecanismos de segurança empregados no passaporte brasileiro, nas cédulas de euro e nos elementos holográficos da nota brasileira de R$ 100.
Tecnologia já alcança cerca de 4 milhões de garrafas de bebidas todos os meses
A adoção do sistema ganhou escala dentro do portfólio da Diageo no Brasil. Cerca de 4 milhões de garrafas recebem o selo mensalmente, enquanto a tecnologia já está presente em 100% dos produtos importados da companhia e na Smirnoff engarrafada no país.
Esse conjunto corresponde a aproximadamente 95% do negócio de destilados da fabricante no mercado brasileiro. A implementação envolve categorias historicamente expostas à falsificação, entre elas uísques, vodcas, gins, tequilas e licores, e permanece restrita ao Brasil neste primeiro momento.
A tecnologia também possui certificação internacional ISO 12931, norma relacionada a sistemas de autenticação e combate à falsificação. Segundo Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace, a capacidade de impedir cópias chega a 99,99%, enquanto a câmera do celular permite identificar tentativas de reprodução em segundos.
Crise do metanol colocou bebidas falsificadas no centro das preocupações de saúde pública
Os episódios registrados em 2025 mostraram um dos riscos mais graves relacionados à adulteração de bebidas alcoólicas. Diferentemente do etanol utilizado regularmente nesses produtos, o metanol é uma substância altamente tóxica, cuja ingestão pode provocar cegueira, danos neurológicos graves, insuficiência respiratória e morte.
A crise ganhou dimensão nacional no segundo semestre daquele ano. O crescimento das ocorrências levou o Governo Federal a emitir alertas à população e criar uma Sala de Situação para acompanhar os casos, enquanto as investigações começaram a avançar sobre a cadeia responsável pela distribuição de bebidas adulteradas.
Embora o período mais crítico tenha terminado no final de 2025, novos episódios continuaram sendo registrados em 2026. Reportagem exibida pelo Fantástico em 13 de setembro mostrou que parte da cadeia de falsificação já havia sido identificada, enquanto vítimas continuavam convivendo com sequelas permanentes.
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Viviane Alves
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Mercado ilegal de bebidas movimenta aproximadamente R$ 28 bilhões por ano no Brasil
A falsificação representa apenas uma parcela de uma estrutura clandestina muito maior. Segundo estudo da Euromonitor International, as atividades ilegais relacionadas ao setor de bebidas movimentam aproximadamente R$ 28 bilhões por ano no Brasil, considerando práticas como contrabando, sonegação fiscal, produção sem registro e falsificação.
O levantamento aponta que especificamente a falsificação corresponde a 4,7% do mercado brasileiro de bebidas destiladas. Apesar da participação menor dentro desse universo, a prática passou a receber atenção especial porque pode colocar diretamente a saúde e a vida dos consumidores em risco.
O problema também atinge fabricantes, distribuidores, varejistas e a arrecadação pública. Recursos deixam de chegar aos cofres públicos, enquanto estruturas clandestinas de produção e distribuição são abastecidas pelo dinheiro movimentado com produtos irregulares.
ANP passou a estudar mudanças no etanol combustível para dificultar fabricação clandestina de bebidas
O enfrentamento ao problema também chegou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Em setembro de 2026, a ANP avançou em estudos para alterar características do etanol hidratado combustível e dificultar seu desvio para a fabricação clandestina de bebidas alcoólicas.
Uma das alternativas analisadas envolve a adição obrigatória de benzoato de denatônio, substância conhecida pelo sabor extremamente amargo e utilizada em produtos de higiene e limpeza para impedir ingestões acidentais. A proposta ainda depende de avaliações técnicas sobre possíveis efeitos em veículos, motores e emissões.
Outra medida considerada mais imediata é a inclusão obrigatória de corante verde no etanol combustível produzido pelas usinas. A identificação visual poderia facilitar o reconhecimento do produto e dificultar seu emprego irregular por grupos envolvidos na adulteração clandestina de bebidas.
Combate às bebidas falsificadas passou a envolver tecnologia, rastreamento, fiscalização e investigação
O avanço das diferentes iniciativas mostra que a falsificação não pode ser enfrentada por apenas uma ferramenta. Enquanto empresas desenvolvem sistemas de autenticação e rastreamento, órgãos públicos procuram dificultar o acesso às matérias-primas utilizadas na fabricação clandestina e ampliar a identificação de produtos desviados.
A tecnologia apresentada pela Diageo atua justamente na etapa mais próxima do consumidor. Segundo Paula Lindenberg, presidente da companhia no Brasil, o selo busca devolver confiança e autonomia às pessoas na hora de verificar aquilo que estão consumindo, além de contribuir para a credibilidade dos estabelecimentos que comercializam bebidas.
Nenhuma tecnologia, porém, consegue eliminar completamente a falsificação. Fiscalização, investigação policial, cooperação entre empresas, compartilhamento de informações e punição dos grupos responsáveis continuam fundamentais para reduzir a circulação de bebidas adulteradas.
A crise do metanol colocou essa necessidade em evidência ao transformar uma prática associada ao comércio ilegal em um problema diretamente ligado à saúde pública. Com milhões de garrafas recebendo uma identificação microscópica e novas medidas regulatórias em discussão, o combate à falsificação passou a ocorrer desde a origem do produto até a câmera do celular do consumidor.
Você confiaria em um selo microscópico analisado por inteligência artificial para verificar uma bebida antes de consumi-la ou acredita que fiscalização e controle da origem devem ser prioridade no combate às bebidas falsificadas? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

