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Aos 62 anos e após trabalhar 33 anos na UFSM, ex-servidor descobre pelo neto as vagas 60+, faz a prova sem cursinho, passa para Direito na universidade e se prepara para estudar no mesmo curso em que o neto já é veterano
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/09/2026 às 13:36
Atualizado em 05/09/2026 às 13:52
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Depois de décadas ligado à Universidade Federal de Santa Maria, um aposentado retornou ao campus em uma condição completamente diferente. A mudança envolveu uma descoberta feita pelo neto, uma prova sem cursinho e uma nova rotina acadêmica ao lado de alguém da própria família.
Aos 62 anos, Mauro Nascimento Pereira voltou a ocupar um espaço conhecido na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, mas agora em uma condição diferente daquela que marcou boa parte de sua trajetória profissional dentro da instituição.
Depois de trabalhar 33 anos na UFSM, o servidor aposentado prestou o vestibular destinado também a candidatos com 60 anos ou mais, foi aprovado em Direito e se preparou para retornar ao campus como estudante do mesmo curso frequentado pelo próprio neto.
A nova etapa reuniu vida profissional, relações familiares e formação acadêmica em uma trajetória construída durante décadas, já que Mauro havia passado por diferentes setores da universidade antes de decidir disputar novamente uma vaga como aluno da instituição federal.
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Segundo reportagem do Diário de Santa Maria, ele atuou como técnico-administrativo no Hospital Universitário, no Restaurante Universitário e na Reitoria, além de já ter concluído Administração na própria UFSM antes de direcionar o interesse acadêmico para uma segunda graduação.
Neto apresentou as vagas 60+ da UFSM
O interesse por Direito, porém, não apareceu somente depois da aposentadoria, pois Mauro já havia tentado anteriormente uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, mostrando que a possibilidade de estudar a área fazia parte de seus planos há algum tempo.
Foi dentro da própria família que surgiu a oportunidade decisiva, quando Arthur Dalla Porta Friedrich, neto de Mauro e estudante de Direito na UFSM, contou ao avô sobre as vagas suplementares destinadas especificamente a candidatos com 60 anos ou mais.
Ao perceber que a modalidade poderia atender ao interesse do avô, Arthur passou a buscar informações sobre o processo seletivo, depois de conhecer no próprio curso uma colega que também havia ingressado na universidade por meio das vagas reservadas ao público 60+.
Com as informações reunidas pelo neto, Mauro decidiu participar do vestibular e disputar uma das oportunidades disponíveis, retomando a relação acadêmica com uma universidade onde já havia estudado e construído grande parte de sua vida profissional ao longo de três décadas.
Vestibular 60+ abriu caminho para Direito
Criada pela UFSM em 2023, a modalidade voltada a pessoas com 60 anos ou mais ampliou as formas de ingresso na instituição e passou a oferecer uma nova possibilidade para candidatos interessados em iniciar ou retomar uma formação universitária depois dessa idade.
No Vestibular 2026, três pessoas foram classificadas nessa categoria, entre elas Mauro, aprovado em Direito no período diurno, resultado que o colocou novamente na instituição onde trabalhou, dessa vez diante de aulas, avaliações, leituras e colegas de uma geração diferente.
Em vez de retornar ao campus como servidor, ele passou a se preparar para uma rotina marcada por compromissos acadêmicos, assumindo novamente o papel de estudante em uma universidade que já conhecia tanto pela experiência profissional quanto pela graduação anterior em Administração.
Aprovação veio sem cursinho
Diferentemente da preparação intensiva adotada por muitos vestibulandos, Mauro não frequentou cursinho e relatou que também não realizou uma preparação extensa para a prova, preferindo enfrentar o processo seletivo com base nos conhecimentos acumulados ao longo dos anos.
A estratégia envolveu organizar-se com tranquilidade e recorrer à experiência adquirida durante a vida, inclusive pelo contato frequente com assuntos universitários e acontecimentos cotidianos, sem transformar os meses anteriores ao vestibular em uma rotina específica de estudos preparatórios.
Nesse processo, Arthur teve participação direta ao explicar detalhes da prova e orientar o avô sobre a estrutura da redação, assumindo antes do exame um papel de apoio que normalmente estaria associado a alguém mais experiente academicamente dentro da família.
Depois da aprovação, essa inversão ganhou um significado ainda mais particular, porque o neto que ajudou Mauro a compreender o processo seletivo já estava adiantado no mesmo curso e passaria oficialmente a ocupar a posição de veterano do próprio avô.
Resultado surpreendeu o ex-servidor
Apesar de ter feito a prova, Mauro não saiu do vestibular acreditando que a aprovação estivesse garantida, já que, depois de conferir o desempenho, avaliou que poderia ter ficado abaixo da pontuação necessária e deixou de considerar provável uma vaga.
A confirmação chegou posteriormente e de maneira inesperada, durante uma conversa por telefone com a irmã, quando um comentário feito pela família revelou que seu nome estava entre os aprovados e transformou a expectativa reduzida em uma nova etapa acadêmica.
Entre os parentes, a notícia provocou comemoração e fez do ingresso universitário um acontecimento compartilhado por diferentes gerações, enquanto Mauro recebeu até uma faixa de calouro, retomando um ritual comum da vida universitária depois de décadas ligado à instituição.
Arthur também acompanhou a repercussão da aprovação dentro da família, agora diante de uma situação pouco comum: o avô que havia construído uma longa carreira na UFSM passaria a frequentar o mesmo curso no qual ele já havia avançado como estudante.
Direito já faz parte da rotina familiar
A presença do Direito na família não se limita à relação entre avô e neto, porque outras pessoas próximas também estudam a área, incluindo a mãe e a namorada de Arthur, formando um ambiente familiar diretamente conectado à mesma graduação.
Já aposentado, Mauro não apresentou o novo curso como uma necessidade de buscar outra fonte de renda, mas como uma oportunidade de ampliar conhecimentos e compreender melhor questões jurídicas presentes na vida cotidiana, mantendo ativa sua relação com o aprendizado universitário.
A escolha também provocou uma mudança importante na rotina, pois, depois de encerrar a vida profissional e ter a possibilidade de permanecer sem compromissos acadêmicos diários, ele preferiu retornar regularmente ao ambiente universitário que fez parte de sua trajetória.
Embora reconhecesse que a convivência com colegas mais jovens poderia gerar inicialmente alguma sensação de deslocamento, Mauro demonstrava interesse em retomar o contato com a universidade e continuar aprendendo justamente na instituição onde havia trabalhado durante tantos anos.
Calouro aos 62 anos entre estudantes de outras gerações
A diferença de idade em relação à maior parte dos colegas não foi encarada por Mauro como um obstáculo para a graduação, mesmo sabendo que passaria a dividir salas, atividades e avaliações com estudantes que poderiam ter idade semelhante à de seus netos.
Além das obrigações acadêmicas, ele também demonstrava disposição para participar das atividades de recepção destinadas aos novos alunos, incluindo o trote solidário, visto como uma oportunidade de aproximação com os colegas e de integração ao cotidiano do curso de Direito.
No centro dessa nova experiência estaria Arthur, que tinha 19 anos quando a história foi publicada e havia ingressado na UFSM antes do avô, criando dentro da própria família uma relação universitária diferente daquela construída anteriormente fora do campus.
A partir do ingresso de Mauro, o neto passaria a ser seu veterano no curso de Direito, enquanto os dois poderiam compartilhar professores, temas acadêmicos e experiências relacionadas à mesma formação, ainda que estivessem em momentos diferentes da graduação.
Ex-servidor retorna à UFSM como aluno
Para Mauro, a volta ao campus também representava uma continuidade de sua própria relação com a Universidade Federal de Santa Maria, onde ele já havia concluído Administração e desenvolvido uma carreira de 33 anos como técnico-administrativo em diferentes setores.
Ao conquistar uma vaga em Direito aos 62 anos, ele retornou ao mesmo ambiente sem abandonar a trajetória construída anteriormente, mas assumindo outra vez a condição de aluno e iniciando uma nova etapa acadêmica dentro de uma instituição profundamente ligada à sua história.
Se uma oportunidade de graduação surgisse depois dos 60 anos em uma área que você sempre quis estudar, você voltaria à universidade mesmo tendo de recomeçar como calouro?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

