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Aos 67 anos, esse minerador concluiu um túnel de 636 metros que escavou praticamente sozinho durante 32 anos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/09/2026 às 23:30
Atualizado em 14/09/2026 às 23:33
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William “Burro” Schmidt atravessou uma montanha no deserto de Mojave após trabalhar praticamente sozinho entre 1906 e 1938, mesmo depois que novos acessos tornaram sua passagem desnecessária para transportar minério pelas remotas El Paso Mountains.
Durante 32 anos, o minerador William Henry “Burro” Schmidt dedicou parte considerável de sua vida à abertura de um túnel de 636 metros através de uma montanha no deserto de Mojave, na Califórnia. Iniciada em 1906, a passagem somente foi concluída em 1938, após um trabalho predominantemente solitário com ferramentas manuais, dinamite e um pequeno carrinho sobre trilhos.
O túnel fica nas El Paso Mountains, no leste do condado de Kern. Oficialmente denominado Burro Schmidt’s Tunnel, o local foi incluído no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos em 20 de março de 2003.
O cadastro do National Park Service identifica William Henry Schmidt como responsável pela estrutura e classifica o lugar como relevante para a engenharia e a história social. O ano de 1938, quando ele finalmente atravessou a montanha, aparece como uma das datas significativas do sítio histórico.
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Túnel de 636 metros deveria facilitar transporte de minério
Schmidt era um minerador e afirmava que a passagem seria um atalho. A explicação mais difundida é que ele pretendia criar uma rota para transportar o minério de sua propriedade através da montanha, evitando um caminho difícil pela região.
A escavação começou em 1906. Schmidt avançava pela rocha com picareta, martelo e um perfurador manual, abrindo os espaços onde colocava dinamite. Após as explosões, precisava retirar o material acumulado para continuar avançando.
Inicialmente, os fragmentos eram transportados com recursos simples. Mais tarde, Schmidt instalou trilhos estreitos e passou a utilizar um carrinho empurrado manualmente. Segundo o Los Angeles Times, aproximadamente 2.460 jardas cúbicas de rocha foram retiradas durante a execução da passagem.
A extensão historicamente registrada é de 2.087 pés, equivalentes a cerca de 636 metros. Algumas descrições chamam a estrutura de túnel de “meia milha”, mas a medida específica de 2.087 pés também apareceu em uma antiga coluna do Ripley’s Believe It or Not.
Novos acessos tornaram passagem desnecessária
Enquanto Schmidt avançava lentamente pela montanha, novos acessos rodoviários e ferroviários chegaram à região. Essas melhorias retiraram a necessidade prática do atalho, mas não encerraram o projeto.
Mesmo sem a finalidade original, ele continuou escavando durante anos. A decisão transformou uma obra planejada para atender à mineração em um empreendimento pessoal difícil de explicar apenas por razões econômicas.
Schmidt não deixou uma descrição detalhada dos motivos que o fizeram continuar. Conforme relatos preservados sobre sua vida, respondia apenas que a passagem era um “atalho”. Hipóteses de que teria procurado uma jazida secreta ou um tesouro não são sustentadas por registros conclusivos.
A PBS SoCal informa que não existe registro de uma descoberta significativa de ouro no local. Também relata que, depois de alcançar o outro lado da montanha, Schmidt deixou a propriedade e transferiu seu interesse na mina e no túnel para outro minerador.
Trabalho atravessou três décadas no deserto de Mojave
O projeto exigiu uma rotina física intensa em uma área remota. Schmidt precisava perfurar a rocha, preparar as cargas explosivas e retirar continuamente os escombros antes de recomeçar o processo alguns metros adiante.
O túnel segue reto e relativamente nivelado durante boa parte do percurso. Mais perto da saída, entretanto, torna-se menor e muda de direção. A abertura final termina em uma encosta elevada, com vista para a paisagem desértica, e não em uma estrutura preparada para receber ou distribuir minério.
Essa característica aumentou as dúvidas sobre a viabilidade do plano inicial. Apesar de ter atravessado completamente a montanha, a passagem nunca foi utilizada para transportar a produção mineral que supostamente justificaria sua construção.
Schmidt concluiu o trabalho em 1938, quando tinha aproximadamente 67 anos. Ele morreu em 1954, 16 anos depois de finalizar a obra.
Feito ganhou repercussão nacional
A dimensão do trabalho chamou a atenção da imprensa norte-americana. No início da década de 1940, o Ripley’s Believe It or Not apresentou a passagem como uma extraordinária realização individual ligada à mineração. Schmidt também ficou conhecido em diferentes relatos como “The Human Mole”, ou “o homem-toupeira”.
Sua antiga cabana permaneceu próxima à entrada do túnel. O imóvel, construído com materiais simples, conservou durante décadas jornais e revistas utilizados como isolamento nas paredes.
O túnel continua sendo o principal registro material do projeto. Seu reconhecimento federal, com o número histórico 03000113, preserva a ligação do lugar com Schmidt e com um trabalho que avançou pela montanha entre 1906 e 1938, apesar de ter perdido sua finalidade antes mesmo de ser concluído.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

