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Araras completamente selvagens criam laço com moradora de Caracas, passam a visitar sua janela todos os dias, e algumas já entram livremente no quarto e são chamadas pelo nome
Escrito por Débora Araújo
Publicado em 07/09/2026 às 17:53
Curiosidades
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Aves vivem completamente livres em Caracas, na Venezuela, mas transformaram a janela de Adriana Hidalgo em ponto de encontro; algumas visitantes já são reconhecidas pelo nome.
Imagine abrir a janela pela manhã e encontrar não um pardal ou um pequeno pássaro, mas várias araras coloridas esperando do lado de fora. Para Adriana Hidalgo, moradora de Caracas, na Venezuela, a cena deixou de ser uma surpresa e passou a fazer parte da rotina. Araras selvagens que vivem livremente pela capital venezuelana desenvolveram uma relação de confiança com Adriana e passaram a visitar frequentemente a janela de seu apartamento. Algumas ficam tão confortáveis que ultrapassam a janela e chegam a entrar no quarto antes de levantar voo novamente e seguir pela cidade.
A história ganhou destaque em reportagem do Só Notícia Boa, publicada em 4 de setembro de 2026. Adriana registra os encontros no perfil @guacamayas212, dedicado justamente à convivência com as aves. Em um dos vídeos citados pela publicação, postado em 22 de agosto, diversas araras aparecem reunidas diante da janela. O detalhe mais curioso é que nenhuma delas pertence à moradora. São animais livres que chegam e partem por conta própria.
Uma janela virou ponto de encontro das araras
As imagens registradas por Adriana mostram uma proximidade incomum. As aves pousam no parapeito e permanecem próximas à venezuelana, aparentemente habituadas à rotina naquele apartamento. Em determinados momentos, algumas chegam a entrar no ambiente. Depois, simplesmente vão embora.
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A relação foi construída ao longo do tempo e tornou-se tão importante para Adriana que ela resume sua experiência com uma frase usada na apresentação de seu perfil: “Amor com amor se paga.” Em outra publicação mencionada pela reportagem, ela descreveu de forma semelhante o valor desses encontros: enquanto algumas pessoas poderiam enxergar aquele tempo como desperdiçado, para ela, observar as aves significa aproveitar pequenos momentos da vida.
Algumas visitantes já ganharam até nomes
Depois de tantos encontros, Adriana começou a reconhecer determinadas araras individualmente. Entre as visitantes identificadas por ela estão Amadeo e seu filho, Condorito. As aves demonstram tamanha familiaridade com o apartamento que deixam inclusive vestígios das visitas. Sementes de girassol ficam espalhadas pelo local depois que o grupo parte.
Mas o fenômeno observado na janela de Adriana não acontece completamente isolado. As araras se tornaram uma presença conhecida em Caracas, e a história de como esses grandes pássaros coloridos passaram a dividir uma metrópole com milhões de pessoas é quase tão interessante quanto as visitas ao apartamento.
Centenas de araras vivem livres em Caracas
Olhar para o céu da capital venezuelana pode revelar uma paisagem bastante diferente daquela encontrada em muitas grandes cidades. Araras sobrevoam prédios, atravessam bairros e pousam em telhados, terraços e janelas. Segundo informações da National Geographic citadas pela reportagem, centenas dessas aves vivem atualmente em liberdade na cidade.
A relação com os moradores tornou-se tão frequente que Adriana não é a única pessoa a reconhecer determinadas visitantes e dar nomes a elas. A bióloga Malú González, professora da Universidade Simón Bolívar, explica que Caracas apresenta uma diversidade particularmente grande de psitacídeos — grupo que inclui araras, papagaios e periquitos. De acordo com os dados apresentados na reportagem, 17 espécies desse grupo já foram registradas voando pela cidade.
Mas algumas dessas araras não viviam originalmente na capital
A presença de tantas aves também levanta uma pergunta: como elas foram parar ali? Nem todas as espécies encontradas atualmente em Caracas pertenciam originalmente àquela região da Venezuela. Uma das hipóteses apresentadas pela bióloga é que aves anteriormente mantidas como animais de estimação tenham escapado ou sido soltas ao longo das décadas.
Uma vez livres, algumas encontraram condições para sobreviver. Elas se adaptaram ao ambiente urbano, reproduziram-se e gradualmente estabeleceram populações na capital. Esse processo teria ajudado a produzir a paisagem atual, na qual grandes araras coloridas dividem o espaço aéreo com prédios, carros e moradores.
Entre 300 e 400 araras-canindé já foram contadas
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Em 2016, Malú González realizou uma contagem que identificou entre 300 e 400 araras-canindé em Caracas. Segundo as informações apresentadas na reportagem, a população aumentou desde então.
As aves encontraram na cidade espaços para pousar, alimentos e uma população humana que frequentemente demonstra interesse por elas. É nesse cenário que encontros como os registrados por Adriana se tornaram possíveis. A janela do apartamento funciona quase como uma pequena parada dentro de uma cidade muito maior percorrida diariamente pelas aves.
Proximidade não significa que deixaram de ser animais silvestres
Apesar das imagens de araras pousadas tranquilamente ao lado de Adriana lembrarem cenas de animais domésticos, existe uma diferença fundamental. Elas continuam sendo aves selvagens. Não estão presas no apartamento e tampouco dependem de uma gaiola para permanecer no local. Podem voar para longe a qualquer momento e continuam circulando livremente por Caracas.
Por isso, especialistas também fazem um alerta importante sobre esse tipo de interação. Oferecer alimentos inadequados constantemente para animais silvestres pode interferir na dieta e até modificar aspectos de seu comportamento natural. A proximidade registrada nas redes sociais, portanto, não significa que qualquer pessoa deva tentar domesticar ou alimentar indiscriminadamente aves selvagens.
Uma relação construída sem gaiolas
Talvez seja justamente a liberdade das araras que torne a história de Adriana tão curiosa. Não existe uma porta impedindo que elas partam. Todos os dias, as aves têm diante delas uma cidade inteira para explorar. Ainda assim, algumas retornam à mesma janela e encontram novamente a mulher que aprenderam a reconhecer.
Depois de algum tempo, Adriana também passou a reconhecê-las. Amadeo deixou de ser apenas mais uma arara voando sobre Caracas. Condorito também ganhou identidade. Outras aves passaram a integrar uma rotina registrada em vídeos e compartilhada com milhares de pessoas. As sementes espalhadas pelo quarto são o pequeno preço deixado depois das visitas.
Uma metrópole dividida entre pessoas e grandes aves coloridas
A história também mostra como animais conseguem encontrar maneiras inesperadas de ocupar cidades construídas originalmente para seres humanos. Caracas oferece um exemplo particularmente visível. Ao longo das décadas, algumas araras que possivelmente chegaram à região depois de fugirem ou serem libertadas conseguiram estabelecer populações. Novas gerações nasceram e passaram a enxergar prédios, telhados e janelas como partes comuns de seu território.
Hoje, centenas podem estar vivendo livremente na capital venezuelana. Para muitos moradores, elas se tornaram parte da paisagem. Para Adriana Hidalgo, porém, a relação avançou um pouco mais. Sua janela deixou de ser simplesmente uma divisão entre o apartamento e a cidade. Transformou-se em um ponto onde dois mundos se encontram por alguns minutos: de um lado, uma moradora esperando suas visitantes; do outro, araras completamente livres que, mesmo podendo seguir para qualquer lugar, continuam escolhendo voltar.
Fonte
Só Notícia Boa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

