5 min de leitura
Homem testa detector de metais recém-comprado no terreno de um ex-colega, ouve um sinal claro e encontra 795,6 g de ouro enterrados havia cerca de 1.500 anos, revelando 23 peças e um dos maiores tesouros de ouro já conhecidos na Dinamarca
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 18:52
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O Tesouro de Vindelev reúne medalhões romanos, bracteatas e inscrições rúnicas associadas às crenças do norte europeu. O conjunto também ajudou arqueólogos a identificar sinais de uma elite regional que viveu séculos antes de Jelling se tornar um centro da monarquia dinamarquesa.
O que começou como um teste de um detector de metais recém-comprado terminou com a descoberta de um conjunto arqueológico que reúne objetos romanos, peças ornamentais e inscrições rúnicas. O Tesouro de Vindelev está entre os maiores depósitos de ouro conhecidos na Dinamarca.
Ole Ginnerup Schytz usava pela primeira vez o equipamento no terreno de Jørgen Antonsen, seu antigo colega de escola, em Vindelev, na região da Jutlândia. Ele tinha autorização do proprietário para procurar metais quando recebeu o sinal que o levou aos primeiros objetos.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Geração de Energia
ISA Energia Brasil investe R$ 815,4 milhões em 16 projetos de modernização e mantém carteira de R$ 7,2 bilhões na transmissão
A ISA Energia Brasil investiu R$ 815,4 milhões em 16 projetos de modernização no primeiro semestre e mantém uma carteira de R$ 7,2 bilhões, voltada a renovar equipamentos e ampliar…
Paulo Nogueira
0
A descoberta ocorreu em dezembro de 2020, durante os dias de Natal, segundo registros do Vejlemuseerne. À medida que outros fragmentos apareceram concentrados na área, o que era apenas um teste do aparelho passou a exigir investigação arqueológica.
Nos meses seguintes, o local foi mantido sob sigilo. Em agosto de 2021, uma equipe do museu escavou a área com especialistas do Museu Nacional da Dinamarca e encontrou vestígios de uma ocupação da Idade do Ferro, incluindo uma casa longa ligada ao ponto onde o ouro havia sido depositado.
Um depósito ligado a uma elite regional
O contexto do sítio situa o enterramento aproximadamente 1.500 anos atrás. As evidências encontradas na escavação relacionam o tesouro a uma comunidade que existiu muito antes de Jelling ganhar importância como centro político da futura monarquia dinamarquesa.
Vindelev fica a menos de oito quilômetros de Jelling. Para os arqueólogos, a quantidade e a qualidade dos objetos indicam que aquela parte da Jutlândia já abrigava pessoas com acesso a riqueza, artesãos especializados e redes de longa distância antes da formação do reino medieval.
Jelling ganharia projeção política séculos depois, especialmente a partir do século 10. O depósito de Vindelev mostra, portanto, que a concentração de objetos de prestígio naquela região da Jutlândia antecede o período mais conhecido de formação do poder real dinamarquês.
O conjunto é formado por 23 peças de ouro, entre elas quatro medalhões do Império Romano e 13 bracteatas, além de outros objetos. O Kongernes Jelling informa peso total de 795,6 gramas e classifica Vindelev entre os maiores achados de ouro da história dinamarquesa.
Os medalhões romanos ajudam a mostrar a distância percorrida por parte desse patrimônio. Produzidos séculos antes do enterramento, eles chegaram ao norte da Europa depois de circular por redes que conectavam diferentes regiões do continente e permaneceram preservados como objetos de prestígio.
A presença dessas peças ao lado de objetos produzidos no norte europeu amplia o valor arqueológico do depósito para além da quantidade de metal precioso. O conjunto reúne evidências materiais de circulação, conservação e transmissão de objetos ligados a diferentes tradições culturais.
As bracteatas eram medalhões finos de ouro produzidos no norte europeu e decorados com figuras, animais, símbolos e inscrições. Algumas peças de Vindelev têm dimensões incomuns, e uma delas, com 123,7 gramas, foi identificada pelo Vejlemuseerne como a maior bracteata de ouro conhecida.
Uma pesagem posterior, feita depois da retirada de terra e argila acumuladas nas peças, produziu um valor ligeiramente menor. O museu registra cerca de 794 gramas de ouro, diferença atribuída à limpeza do material em relação ao peso de 795,6 gramas divulgado para o conjunto.
Inscrição trouxe evidências sobre as crenças do período
Uma das peças ganhou atenção especial pela inscrição rúnica associada a Odin. A interpretação apresentada pelas instituições dinamarquesas tornou o objeto relevante para o estudo das crenças escandinavas, porque ele contém a mais antiga inscrição conhecida que menciona o nome do deus nórdico.
Os pesquisadores situam essa referência no início do século 5 e relacionam a inscrição a um homem associado a Odin. O registro indica que o nome do deus já era utilizado vários séculos antes do período dos reis vikings.
A iconografia também preserva sinais do contato com o mundo romano. Retratos, diademas, vestimentas e outros elementos inspirados em representações imperiais aparecem reinterpretados nos objetos produzidos no norte europeu, oferecendo evidências de como símbolos externos foram incorporados às manifestações de poder locais.
A quantidade de ouro e o tipo de objetos levaram os pesquisadores a associar o local a alguém situado entre as camadas mais altas daquela sociedade. O motivo do enterramento, porém, permanece desconhecido.
Entre as hipóteses discutidas pelo Vejlemuseerne estão a tentativa de proteger a riqueza durante um período de conflito e uma possível oferenda religiosa. Nenhuma dessas explicações foi estabelecida como conclusão definitiva.
O depósito foi situado no início do século 6, período ao qual também pertencem outros grandes achados de ouro escandinavos. As peças permitem investigar não apenas a concentração de riqueza, mas também a circulação de objetos, símbolos e referências religiosas entre diferentes regiões europeias.
As peças e o sítio arqueológico continuam sendo usados em pesquisas sobre centros de poder, contatos de longa distância e crenças anteriores à Era Viking. Esse trabalho mantém o Tesouro de Vindelev como referência para compreender a sociedade que ocupava aquela parte da Jutlândia antes da ascensão política de Jelling.
Tags
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

