Faça um comentário
4 min de leitura
Arqueólogos encontram fragmento de 3.200 anos de um dos tratados de paz mais antigos do mundo e tabuleta traz revelações
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 22/09/2026 às 14:09
Atualizado em 22/09/2026 às 14:11
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Peça cuneiforme localizada em Buyukkale preserva trechos sobre refugiados, destruição de casas e regras entre Egito e Hatti, ampliando a reconstrução de um dos primeiros acordos de paz escritos conhecidos da história antiga da região
Mais um daqueles achados que chamam atenção de todos pela importância histórica acaba de ser noticiado. Um pequeno fragmento de tabuleta cuneiforme encontrado nas ruínas de Hattusa, antiga capital do Império Hitita, no centro da Turquia, foi identificado como parte de uma cópia do Tratado de Paz de Kadesh. A confirmação veio depois de aproximadamente um ano de exames científicos e acrescenta uma nova peça à reconstrução de um dos primeiros acordos de paz escritos conhecidos.
A descoberta foi anunciada em 21 de setembro pelo ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy.
O fragmento havia sido localizado durante escavações arqueológicas em Buyukkale, dentro da antiga cidade de Hattusa, na atual província de Çorum.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Segundo o Ministério da Cultura e Turismo, a peça foi encontrada perto do chamado Edifício E. Apenas um de seus lados sobreviveu em condições de ser examinado. Ainda assim, foi suficiente.
Os pesquisadores concluíram que o material pertence a uma das cópias do acordo firmado entre o rei hitita Hattusili III e o rei egípcio Ramsés II.
“Exames científicos determinaram que um fragmento de uma tabuleta cuneiforme encontrada durante escavações em Buyukkale, em Hattusa, Çorum, pertence a uma das cópias do Tratado de Paz de Kadesh”, afirmou Ersoy.
Fragmento preserva regras sobre pessoas que fugiam do Egito e de Hatti
O conteúdo também chamou a atenção dos pesquisadores. As partes que ainda podem ser lidas estão ligadas às disposições dos artigos 12 a 20 do tratado.
São trechos relacionados ao tratamento de pessoas que deixavam um dos dois países e procuravam refúgio no outro.
O texto está incompleto e bastante fragmentado, mas preserva referências a pessoas fugindo das terras do Egito e de Hatti, o antigo reino hitita. Também aparecem passagens envolvendo a proteção de casas contra destruição.
“O novo fragmento contém trechos de disposições do tratado que regulamentam o tratamento de pessoas que se refugiaram em um país após fugirem de outro”, declarou o ministro.
Ersoy afirmou ainda que as referências à destruição de casas carregam uma mensagem que atravessou milhares de anos.
Ao divulgar a identificação justamente no Dia Mundial da Paz, ele relacionou a descoberta ao papel histórico da Anatólia na diplomacia e também fez referência à situação na Palestina.
Tabuleta foi preservado em versões egípcia e hitita
O Tratado de Paz de Kadesh é associado ao encerramento do conflito entre os reinos hitita e egípcio depois da Batalha de Kadesh, travada no século XIII a.C.
Partes diferentes desse acordo chegaram aos pesquisadores por caminhos distintos.
No Egito, a versão do tratado foi registrada em hieróglifos nas paredes de templos. Já em Hattusa, fragmentos de tabuletas de argila com a versão em acadiano começaram a ser encontrados durante as primeiras escavações arqueológicas realizadas no sítio, entre 1906 e 1912.
Essas peças estão hoje distribuídas por diferentes instituições. Há fragmentos nos Museus Arqueológicos de Istambul, no Museu das Civilizações da Anatólia, em Ancara, no Museu do Oriente Médio, em Berlim, e no Museu Hermitage, em São Petersburgo.
O novo achado passa agora a integrar esse conjunto.
Escavações continuam em busca das partes que ainda faltam
Hattusa fica próxima à atual cidade de Bogazkale, na província de Çorum. A cidade foi a capital do Império Hitita, que se consolidou como uma grande potência na Anatólia e na região durante o segundo milênio a.C. O sítio arqueológico entrou para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1986.
Para os pesquisadores, a identificação do fragmento pode ajudar na reconstrução das cópias do tratado produzidas em tabuletas de argila e encontradas ao longo das escavações em Hattusa.
O trabalho ainda não terminou. As escavações em Buyukkale continuam, e a expectativa dos pesquisadores é encontrar novos fragmentos pertencentes às partes do Tratado de Paz de Kadesh que permanecem desaparecidas.
Fontes: Ministério da Cultura e Turismo da Turquia e declarações do ministro Mehmet Nuri Ersoy incluídas no material-base; informações das escavações arqueológicas de Hattusa e Buyukkale fornecidas no material.
Fonte
https://www.aa.com.tr/en/
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

