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BP prepara novo poço após encontrar 500 metros de hidrocarbonetos em estrutura de mais de 300 km² e mira transformar Bumerangue em novo polo de petróleo e gás no Brasil
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/09/2026 às 14:27
Atualizado em 22/09/2026 às 14:31
Petróleo e Gás
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BP coloca Bumerangue no centro de seus planos no Brasil e prepara nova perfuração para avaliar sua maior descoberta em 25 anos.
Segundo a Reuters, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, Gordon Birrell, vice-presidente executivo de upstream da BP, subiu ao palco da ROG.e, no Rio de Janeiro, com uma mensagem clara: a petroleira britânica quer construir um polo relevante de produção de petróleo e gás no Brasil. No centro do plano está Bumerangue, descoberta feita no pré-sal da Bacia de Santos e classificada pela própria companhia como sua maior em 25 anos.
Ainda faltam respostas sobre o tamanho comercial do reservatório e a quantidade de dióxido de carbono presente nos fluidos, mas a BP já prepara a próxima etapa. Um novo poço de avaliação deverá ajudar a mostrar quanto petróleo e gás existe realmente debaixo do Atlântico.
Bumerangue colocou o Brasil no centro dos novos planos da BP
Birrell não tratou o Brasil apenas como mais um mercado dentro do mapa global da companhia. Durante sua participação na ROG.e 2026, ele disse que o país se tornou uma parte “cada vez mais importante” da estratégia futura de exploração e produção da BP.
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A empresa quer transformar essa presença em produção de longo prazo.
A expressão utilizada pelo executivo foi “polo substancial e bem-sucedido”. A ideia é construir no país uma operação capaz de reunir grandes recursos, conhecimento técnico e projetos com vida útil de muitos anos.
Bumerangue é hoje a peça que mais chama atenção nesse desenho.
A descoberta aconteceu em 2025, mas ainda está longe da fase em que plataformas começam a retirar petróleo do fundo do mar. Primeiro, a BP precisa descobrir exatamente o que encontrou.
O primeiro poço atravessou 500 metros de hidrocarbonetos
A perfuração inicial já trouxe dimensões pouco comuns. O poço exploratório 1-BP-13-SPS atravessou uma coluna bruta de hidrocarbonetos estimada em cerca de 500 metros, segundo a BP. O reservatório é formado por rochas carbonáticas do pré-sal e ocupa uma estrutura com área superior a 300 km².
A sonda chegou ali depois de atravessar 2.372 metros de água.
Do nível do mar até o ponto final da perfuração, o poço alcançou 5.855 metros de profundidade. Bumerangue fica a aproximadamente 404 quilômetros do Rio de Janeiro, em uma área distante da costa e cercada pelos desafios típicos das operações em águas profundas.
Foi esse conjunto de resultados que levou a própria BP a classificar a descoberta como a maior feita pela companhia em 25 anos.
Um novo poço terá de mostrar onde o reservatório realmente termina
O primeiro poço provou que há hidrocarbonetos. Agora começa uma tarefa diferente.
Geólogos precisam entender a extensão lateral da acumulação, sua espessura em outros pontos e como as características do reservatório mudam ao longo da estrutura.
Birrell disse nesta segunda-feira que a BP pretende usar tecnologias sísmicas avançadas para decidir onde perfurar o próximo poço de avaliação. A sísmica funciona, de forma simplificada, como uma imagem indireta das camadas do subsolo produzida a partir do comportamento de ondas sonoras.
O executivo não apresentou um novo prazo para essa perfuração durante a ROG.e.
Meses antes, porém, a companhia havia colocado um calendário mais amplo sobre a mesa.
Plano de avaliação prevê três poços até o primeiro semestre de 2027
Em maio de 2026, Felipe Arbelaez, vice-presidente sênior de upstream da BP no Brasil, disse à Reuters que a empresa trabalhava com um programa de três poços de avaliação em Bumerangue.
A previsão apresentada naquele momento era concluir a campanha até o final do primeiro semestre de 2027. A sonda deveria ser mobilizada entre o fim de 2026 e o começo de 2027.
Esses poços não são repetição do primeiro.
Cada perfuração busca uma parte diferente da estrutura. Conforme os resultados aparecem, a empresa consegue melhorar seu modelo geológico e reduzir a margem de dúvida sobre o volume de hidrocarbonetos.
É só depois dessa fase que números mais confiáveis sobre recursos recuperáveis podem começar a ganhar forma.
A BP controla 100% do bloco de Bumerangue
A companhia britânica possui 100% de participação no bloco, enquanto a Pré-Sal Petróleo S.A., a PPSA, atua como gestora do contrato de partilha.
A área entrou no portfólio da BP em dezembro de 2022, durante o primeiro ciclo da Oferta Permanente de Partilha promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Isso deixa a empresa em uma posição diferente daquela encontrada em grandes projetos brasileiros divididos entre vários sócios.
A BP conduz a exploração e carrega diretamente o risco dessa fase. Se os próximos poços confirmarem um projeto comercial atraente, a companhia também terá uma posição central nas decisões sobre como desenvolver a área.
Antes disso, existe um problema técnico que ainda precisa ser medido com precisão.
O CO₂ elevado é uma das grandes perguntas de Bumerangue
As análises feitas ainda na sonda detectaram níveis elevados de dióxido de carbono, o CO₂, misturado aos fluidos encontrados no reservatório.
Em campos do pré-sal, petróleo, gás natural e CO₂ podem sair juntos do reservatório. Quanto maior a concentração de dióxido de carbono, mais complexo pode ficar o processamento do fluido produzido.
A empresa enviou amostras para análises laboratoriais justamente para conhecer melhor essa composição.
Em apresentação de resultados da BP, Birrell reconheceu o nível elevado detectado inicialmente, mas disse que a companhia não estava excessivamente preocupada naquele estágio. Segundo ele, a indústria possui experiência para trabalhar com reservatórios que apresentam CO₂.
Isso não torna o problema irrelevante.
Muito CO₂ pode mudar a engenharia e a conta do projeto
Saber que existe petróleo não basta para transformar uma descoberta em campo produtor.
A composição dos fluidos pode exigir equipamentos adicionais para separar o CO₂, comprimi-lo e encontrar uma solução segura para seu destino. Em projetos offshore, cada etapa acrescentada significa máquinas, energia, espaço na unidade de produção e dinheiro.
Por isso as amostras retiradas do poço são tão importantes quanto o tamanho aparente da estrutura.
Birrell disse agora na ROG.e que a companhia pretende aproveitar a experiência desenvolvida no Brasil com reservatórios de alto teor de CO₂.
O país já enfrentou esse problema em outras descobertas do pré-sal.
Em Bumerangue, a resposta virá da combinação entre laboratório, sísmica e novos poços.
A BP encontrou o reservatório longe do ponto mais alto da estrutura
Segundo a BP, o primeiro poço foi perfurado aproximadamente 500 metros abaixo da parte mais alta da estrutura geológica. Mesmo nesse ponto, encontrou a coluna de hidrocarbonetos de cerca de 500 metros.
Para os geólogos, isso aumenta o interesse sobre o que pode existir em outras partes da acumulação.
Mas não permite simplesmente multiplicar a área do reservatório pela espessura encontrada e anunciar uma quantidade de barris.
Porosidade das rochas, saturação de petróleo, pressão, composição dos fluidos e continuidade do reservatório entram na conta. Algumas dessas respostas exigem justamente as perfurações que ainda serão feitas.
Bumerangue continua sendo uma descoberta em avaliação.
Brasil oferece exatamente o tipo de projeto que a BP procura
No palco da ROG.e, Birrell explicou por que a empresa está olhando com tanta atenção para o país.
Ele citou recursos capazes de sustentar projetos durante muitos anos, mão de obra especializada, parcerias e acesso ao mercado internacional pelo Atlântico. Também mencionou instituições e regras capazes de suportar empreendimentos que exigem grandes investimentos e levam anos entre a descoberta e a produção.
O pré-sal reúne boa parte dessas características.
Uma descoberta offshore pode exigir bilhões de dólares antes do primeiro barril chegar à superfície. É preciso perfurar, confirmar o reservatório, projetar poços produtores, contratar sistemas submarinos e instalar uma unidade capaz de processar petróleo e gás no mar.
Bumerangue ainda está muito antes desse ponto. A BP, porém, já fala em construir um polo.
A descoberta surgiu em um momento de retomada da exploração global
O interesse por Bumerangue também aparece dentro de uma mudança maior na estratégia de grandes petroleiras.
Após anos em que parte da indústria direcionou mais capital para transição energética e reduziu o entusiasmo por novas fronteiras petrolíferas, companhias como a própria BP voltaram a destacar crescimento da exploração e produção.
Quando anunciou Bumerangue em agosto de 2025, a empresa informou que aquela havia sido sua décima descoberta do ano.
No mesmo comunicado, a BP dizia buscar crescimento de sua produção global de upstream para algo entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2030.
Uma descoberta grande em Santos pode ajudar nessa estratégia, desde que sobreviva às próximas etapas técnicas e econômicas.
Bumerangue está dentro da bacia que domina a produção brasileira
A Bacia de Santos concentra grandes campos do pré-sal brasileiro. Em julho de 2026, o país produziu 3,728 milhões de barris de petróleo por dia, segundo dados consolidados da ANP, além de 173,72 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
Búzios, também no pré-sal de Santos, sozinho produziu mais de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia naquele mês.
Assista o vídeo
Bumerangue não pode ser colocado na mesma escala enquanto não houver avaliação suficiente.
Mas é nesse ambiente geológico, cercado por décadas de aprendizado técnico, fornecedores especializados e operações de águas profundas, que a BP tenta transformar uma descoberta em sua futura base de produção brasileira.
Ainda não existe plataforma, produção ou decisão final de investimento
O tamanho das estruturas encontradas pode fazer Bumerangue parecer um projeto muito mais avançado do que realmente é.
Ainda não existe decisão final de investimento para desenvolver o campo. Também não foi anunciada uma plataforma de produção, capacidade diária definitiva ou data para o primeiro óleo.
Essas decisões dependem do que os próximos poços mostrarem e de quanto custará produzir os hidrocarbonetos encontrados.
A presença de CO₂ entra nessa conta. A produtividade dos poços também. Depois vêm preços esperados do petróleo, impostos, equipamentos, logística e cronograma.
Uma descoberta pode ser geologicamente enorme e ainda enfrentar anos de trabalho antes de produzir comercialmente.
O próximo poço pode definir o tamanho da aposta brasileira da BP
A primeira perfuração abriu uma estrutura de mais de 300 km² e encontrou 500 metros de hidrocarbonetos. O laboratório trouxe novas perguntas sobre CO₂. Agora a sísmica precisa indicar onde a sonda deve voltar a furar.
É nessa próxima etapa que o discurso feito por Gordon Birrell no Rio começa a encontrar a geologia.
A BP quer um polo substancial de petróleo e gás no Brasil. Bumerangue é hoje sua principal aposta para chegar lá, mas serão os próximos poços que dirão se a maior descoberta da companhia em 25 anos também poderá virar um dos grandes projetos produtores do pré-sal.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

