SC
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Caminhoneiro com cara de ‘criança’ dirige caminhão de 10 metros e 3 toneladas, já fez cerca de 500 atendimentos e foi parado após denúncias inusitadas em SC.
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/09/2026 às 15:47
Atualizado em 19/09/2026 às 15:50
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Gabriel Rodrigues trabalha com entregas e coletas em Jaraguá do Sul e já precisou apresentar a habilitação após denúncias de que uma criança estaria ao volante. A aparência também provocou dúvidas na contratação e durante atendimentos a clientes.
Gabriel Rodrigues trabalha como motorista de entrega e coleta em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. A aparência muito jovem já fez com que ele precisasse comprovar a idade em abordagens e também chamou atenção dentro da transportadora onde foi contratado.
A história ganhou repercussão depois que Gabriel publicou nas redes sociais um vídeo de uma abordagem policial ocorrida em agosto deste ano. Em entrevista à NDTV RECORD, reproduzida pelo ND Mais, ele relatou que os agentes haviam sido acionados após uma denúncia sobre uma suposta criança dirigindo um caminhão.
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Durante a abordagem, Gabriel apresentou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e comprovou que tinha idade e habilitação para dirigir. O motorista contou que a desconfiança inicial diminuiu depois da conferência do documento.
“Eles ficaram muito desconfiados comigo, mas a partir do momento que eles viram a minha habilitação, eles ficaram como se estivessem olhando assim para um dinheiro falso, sabe?”, relatou Gabriel. Ele disse que os policiais conferiram o documento com atenção e depois conversaram e riram com ele.
Gabriel também afirmou que já foi parado por integrantes do Conselho Tutelar depois de denúncias semelhantes sobre uma criança supostamente dirigindo.
Segundo o relato à NDTV RECORD, a equipe estava em um carro identificado com adesivos da prefeitura e pediu que ele parasse. Os integrantes explicaram que aquele tipo de abordagem normalmente seria feito pela polícia, mas disseram ter recebido muitas denúncias e decidiram verificar a situação.
Gabriel estava com a habilitação e novamente conseguiu comprovar a idade. Situações semelhantes, segundo ele, também aparecem no trabalho quando algumas pessoas encontram dificuldade para conciliar sua aparência com a função de motorista profissional.
Cerca de 500 atendimentos em pouco mais de um mês
Gabriel foi contratado em julho deste ano para trabalhar com entrega e coleta em Jaraguá do Sul. A oportunidade surgiu por indicação do padrasto, Claudemir Jesus dos Santos, que também é caminhoneiro e trabalha na mesma transportadora.
Antes da contratação, a aparência do candidato já havia chamado atenção. Juliane Stassun, diretora da transportadora, contou que começou a conversar com Gabriel pelo WhatsApp depois de receber o currículo e, ao ver a fotografia, chegou a pensar que a imagem fosse do filho do candidato.
A dúvida continuou quando ele compareceu à entrevista. “Quando eu cheguei aqui eles ficaram desacreditados. Não é possível. Você vai fazer a entrevista da vaga de motorista? Eles ficaram totalmente desconfiados”, lembrou Gabriel.
Apesar da primeira impressão, Gabriel foi contratado e passou a dirigir profissionalmente. Na época da entrevista, ele já havia realizado cerca de 500 atendimentos em pouco mais de um mês de trabalho com entregas e coletas.
As confusões também aparecem durante os atendimentos. Quando chega aos clientes acompanhado do auxiliar de carga, Gabriel contou que sua aparência pode fazer com que algumas pessoas tenham dificuldade para identificar quem é o motorista do caminhão.
Lucas Levinske, auxiliar de carga que trabalha com Gabriel, elogiou a dedicação do colega e afirmou que ele tem uma carreira pela frente. A avaliação foi feita na mesma reportagem da NDTV RECORD sobre a rotina do jovem.
Assista o vídeo
Caminhão tem cerca de 10 metros e capacidade para três toneladas
Gabriel dirige um caminhão do tipo truque, com cerca de 10 metros de comprimento e capacidade para três toneladas. O veículo é utilizado no serviço de entregas e coletas dentro da cidade.
Juliane afirmou que conduzir um caminhão desse porte em área urbana representa um desafio. “O caminhão que ele dirige é um caminhão truque, um caminhão de 10 metros. Então dentro da cidade, assim, é um desafio, mas ele está indo, só vai. Ótimo motorista, muito responsável”, disse a diretora.
A profissão também está presente na família. O pai e o tio de Gabriel são caminhoneiros, assim como o padrasto, que participou diretamente de sua entrada na transportadora ao indicá-lo para a vaga.
Claudemir afirmou que acompanhar o início da carreira do jovem foi motivo de emoção. “Desde a primeira vez que ele veio, eu fiquei muito emocionado, eu sabia que é o que ele queria, né? Fiquei muito emocionado. É um orgulho, né?”, contou.
A mãe, Nathaly da Cunha, é a única entre os familiares citados que não trabalha dirigindo. Gabriel brincou que a família ainda tenta convencê-la a dirigir uma carreta algum dia.
Nathaly disse que nunca procurou saber se existe alguma síndrome ou condição relacionada à aparência do filho e afirmou que Gabriel também não se preocupa com isso. A família, portanto, nunca buscou um diagnóstico para explicar a característica, conforme o relato apresentado à NDTV RECORD.
A repercussão do vídeo aumentou a visibilidade de Gabriel nas redes sociais, mas o motorista relaciona o trabalho ao volante a um objetivo anterior ao episódio. “Isso que nós estamos fazendo aqui agora, pegando a BR, pegando a estrada, um caminhão desse tamanho, é um sonho realizado. É isso que eu quero para a minha vida. E é isso que eu estou buscando. Estou correndo atrás do meu sonho”, afirmou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

