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Candidatos à Presidência colocam data centers no centro dos planos para inteligência artificial, energia e soberania digital e defendem ampliar infraestrutura bilionária no Brasil
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 23/09/2026 às 22:57
Atualizado em 23/09/2026 às 23:24
Inteligência Artificial (I.A)
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Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos defendem expansão dos data centers, enquanto propostas divergem sobre incentivos, energia, investimentos e tecnologia nacional.
Em 2026, os data centers ganharam espaço nos planos dos principais candidatos à Presidência da República. Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos apresentam propostas para ampliar essa infraestrutura, considerada necessária para armazenar dados, oferecer serviços digitais e executar sistemas de inteligência artificial.
O interesse pelo setor ocorre enquanto o Brasil tenta aumentar sua capacidade computacional e atrair investimentos ligados à IA. Embora exista convergência sobre a expansão, os programas apresentam diferenças sobre participação estatal, incentivos fiscais, investimentos estrangeiros, transferência tecnológica e exigências ambientais.
Augusto Cury também dedica parte de seu programa à inteligência artificial e à robótica. Seu plano, porém, trata a IA como infraestrutura estratégica de Estado sem apresentar uma proposta específica para construir ou ampliar data centers.
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Supercomputador de R$ 1 bilhão anunciado no Rio Grande do Norte colocou capacidade computacional no centro da estratégia brasileira para inteligência artificial
Em 20 de agosto de 2026, Lula anunciou em Macaíba, no Rio Grande do Norte, um supercomputador para inteligência artificial com investimento estimado em R$ 1 bilhão. O governo também anunciou outra estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria com empresas chinesas.
Os projetos fazem parte da estratégia para ampliar a capacidade computacional disponível no Brasil, recurso necessário para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. No programa eleitoral, essa expansão aparece relacionada diretamente à ideia de soberania digital.
O plano de Lula prevê infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem e supercomputadores desenvolvidos ou operados por instituições brasileiras. A expansão também seria acompanhada por eficiência energética, fontes renováveis, avaliação dos impactos elétricos e hídricos e contrapartidas de conteúdo local.
Caiado, Flávio Bolsonaro, Zema e Renan Santos também defendem data centers, mas apresentam caminhos diferentes para atrair investimentos ao Brasil
Ronaldo Caiado defende incentivos tributários condicionados a exigências ambientais, tecnológicas e sociais. Seu programa menciona energia renovável, eficiência hídrica, geração de empregos, qualificação profissional e investimentos necessários para ampliar a rede elétrica.
Flávio Bolsonaro e Romeu Zema apresentam uma abordagem mais direcionada à atração de capital privado. Os dois relacionam a expansão dos data centers à disponibilidade brasileira de energia competitiva e a um ambiente regulatório e tributário capaz de atrair empresas de tecnologia.
O programa de Flávio propõe transformar o Brasil em um polo global de data centers sustentáveis, aproveitando a matriz elétrica renovável. Zema pretende usar a disponibilidade de energia limpa e competitiva para atrair setores intensivos em eletricidade, incluindo inteligência artificial e data centers.
Renan Santos defende incentivos para instalação dessas estruturas e concentra parte da estratégia no Nordeste. Seu programa propõe zonas econômicas especiais para inteligência artificial, com regras próprias envolvendo energia, impostos e regulação.
Construir data centers no Brasil não significa conquistar automaticamente soberania digital, segundo especialistas que acompanham o avanço dessa infraestrutura
A presença física dos servidores no território brasileiro não garante, por si só, independência tecnológica. Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade, afirma que o resultado depende da forma como esses empreendimentos são integrados à economia nacional.
Belli defende que a instalação dessas estruturas seja associada a universidades, laboratórios, startups e governos locais. Essa conexão permitiria formar pesquisadores, desenvolver empresas e estimular transferência de tecnologia, em vez de limitar os benefícios ao investimento inicial e aos empregos da construção.
A preocupação também envolve a concentração internacional da tecnologia. A computação em nuvem é dominada por um grupo reduzido de empresas americanas, enquanto a fabricação de chips avançados permanece concentrada. Para Belli, soberania digital significa manter escolhas e reduzir dependências difíceis de substituir.
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Viviane Alves
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Disputa tecnológica entre Estados Unidos e China aumenta importância dos fornecedores escolhidos para sustentar inteligência artificial no Brasil
A expansão brasileira ocorre em meio à corrida tecnológica entre Estados Unidos e China. Em julho de 2026, o Brasil assinou o acordo para criação da Waico, Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, criada em Xangai com participação de 29 países.
A organização pretende estimular cooperação científica, formação profissional, compartilhamento de infraestrutura, desenvolvimento de modelos abertos e padrões de governança para inteligência artificial. Nos Estados Unidos, a Pax Silica, lançada em 2025, concentra-se nas cadeias de fornecimento necessárias ao desenvolvimento da IA.
O Itamaraty descreve o Brasil como um “país-ponte”, disposto a participar de diferentes fóruns sem assumir alinhamento automático com americanos ou chineses. A posição oficial considera que soberania digital não exige isolamento nem autossuficiência completa.
Consumo de energia e água dos data centers levanta dúvidas sobre infraestrutura, impactos ambientais e custos para consumidores brasileiros
Os benefícios tecnológicos convivem com uma discussão sobre os recursos necessários para manter essas instalações funcionando. Data centers operam continuamente, consomem grandes volumes de eletricidade e podem utilizar água nos sistemas responsáveis pelo resfriamento dos servidores.
Igor Rodrigues Britto, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, afirma que os candidatos precisam explicar quais tipos de estruturas pretendem atrair. Para ele, existe diferença entre instalações voltadas aos dados brasileiros e grandes centros utilizados para operar sistemas internacionais de inteligência artificial.
O Idec defende regras específicas para localização, impactos ambientais e custos provocados no sistema elétrico. A preocupação envolve ainda os efeitos desses empreendimentos sobre comunidades instaladas nas proximidades.
Um dos projetos mencionados nesse debate é o complexo da Scala previsto para Eldorado do Sul e Charqueadas, no Rio Grande do Sul. Segundo Felipe Silva, diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Internet, o empreendimento tem perspectiva de alcançar até 5 GW de capacidade.
Redata levou incentivos fiscais para data centers à legislação federal enquanto candidatos discutem expansão dessa infraestrutura na eleição de 2026
A política de atração de data centers avançou antes mesmo do encerramento da disputa eleitoral. Em 1º de setembro de 2026, o Senado aprovou a proposta relacionada ao Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata.
Em 15 de setembro, o regime foi sancionado por meio da Lei nº 15.504/2026. A medida estabelece incentivos destinados à instalação, modernização e ampliação de serviços de data center no território brasileiro.
A legislação alcança estruturas usadas em computação em nuvem, processamento de alto desempenho, treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. O governo estimou renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, enquanto o regime estabelece contrapartidas para as empresas beneficiadas.
A discussão sobre data centers, portanto, deixou de ocupar apenas os programas eleitorais e chegou à legislação federal. As diferenças entre as propostas permanecem concentradas no papel do Estado, nas condições oferecidas aos investidores e nas exigências ambientais e tecnológicas associadas aos projetos.
Assim como apontam os especialistas citados pela BBC News Brasil, o debate não envolve somente quantos data centers serão construídos. A questão passa também pelo tipo de infraestrutura que será instalada, pelos recursos consumidos e pela capacidade de transformar esses investimentos em desenvolvimento tecnológico no Brasil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

