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Chimpanzé Citron reconhece antigo cuidador após seis anos, atravessa a água para abraçá-lo e protagoniza reencontro emocionante
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/09/2026 às 20:13
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Chimpanzé Citron volta à natureza e passa 6 anos sem encontrar o homem que cuidou dele, até que o antigo cuidador aparece novamente em Camarões e o primata corre pela água em sua direção para envolvê-lo em um abraço diante das câmeras
Citron estava entre os chimpanzés que vivem em uma ilha protegida no Parque Nacional de Douala-Edéa, em Camarões, quando uma figura conhecida reapareceu do outro lado da água. Depois de cerca de seis anos sem encontrar Fabrice Moudoungue, conhecido como Fiston, o chimpanzé reconheceu o homem que havia participado de seus cuidados, aproximou-se rapidamente e o envolveu em um abraço registrado por uma câmera.
Segundo o Terra, o reencontro ganhou repercussão internacional em junho de 2025 depois de ser divulgado pela Papaye International, organização que trabalha com chimpanzés órfãos em Camarões. O episódio chamou atenção não apenas pelo abraço, mas porque Citron vive há anos em uma grande ilha com outros animais da própria espécie e, mesmo depois do longo intervalo, respondeu imediatamente à presença de Fiston.
Citron reconheceu Fiston antes mesmo de se interessar pela comida
Nas imagens divulgadas pela Papaye International, Fiston aparece chegando à área utilizada pelos chimpanzés durante uma das visitas de alimentação.
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Ele não chega de mãos vazias. Os cuidadores transportam alimentos para complementar a dieta dos animais que vivem nas ilhas protegidas. A própria associação descreve rotinas nas quais frutas como bananas, abacaxis, abacates e outros alimentos são levados de barco aos grupos.
Citron, entretanto, transforma aquela visita rotineira em algo completamente diferente.
Ao perceber Fiston, aproxima-se do cuidador e inicia contato físico. O encontro termina em um abraço apertado, no qual o chimpanzé envolve o homem com os braços antes de voltar sua atenção para os alimentos.
O comportamento impressionou quem acompanhava a cena justamente porque Fiston não era um cuidador qualquer.
Para Citron, aquele rosto pertencia a uma parte antiga de sua própria história.
Fabrice Moudoungue é conhecido como Fiston e trabalha há anos com os chimpanzés
A Papaye International identifica oficialmente Fabrice, chamado Fiston, como responsável pelos chimpanzés que vivem nas ilhas administradas pelo projeto.
Nascido na região de Pongo Songo, ele trabalha diretamente com vigilância e alimentação dos animais. Também conduz as embarcações utilizadas para chegar às ilhas e participa das tarefas necessárias para manter a operação funcionando em um ambiente no qual praticamente tudo depende do transporte fluvial.
Assista o vídeo
A organização afirma que os anos de convivência fizeram com que Fiston desenvolvesse uma relação particular com os chimpanzés.
Segundo a própria Papaye International, sua postura calma permitiu que ele fosse respeitado pelos animais de diferentes idades e posições dentro dos grupos.
Isso ajuda a explicar por que a aparição de Fiston produziu uma resposta tão diferente em Citron.
Não era simplesmente uma pessoa aproximando-se com frutas. Era alguém associado a anos de cuidados anteriores.
Citron já estava no projeto pelo menos desde 2003
A história documentada de Citron em Camarões é mais antiga do que a repercussão de 2025 pode sugerir.
Um estudo científico publicado em 2018 sobre a reabilitação e reintrodução de chimpanzés órfãos nas ilhas Pongo e Okokong, dentro da então Reserva de Fauna de Douala-Edéa, apresenta uma tabela detalhada dos animais acompanhados pela Papaye.
Citron aparece nela de maneira destacada. Segundo o trabalho, ele chegou ao projeto em 2003. Sua origem registrada era o sul de Camarões e sua idade estimada em 2018 era de aproximadamente 23 anos.
O dado mais relevante estava na coluna dedicada ao grupo social. Citron era descrito como macho dominante.
O chimpanzé que anos depois seria filmado abraçando Fiston, portanto, não era um jovem dependente ainda em processo inicial de adaptação. Já havia se tornado um adulto integrado à estrutura social da ilha.
Uma ilha virou o espaço onde chimpanzés órfãos puderam reconstruir grupos sociais
A Papaye International trabalha principalmente com chimpanzés que perderam suas famílias e chegaram ao projeto sem condições de simplesmente serem abandonados na floresta.
O problema é particularmente complexo porque um filhote de chimpanzé depende profundamente de adultos.
Não se trata apenas de alimentação.
Chimpanzés aprendem socialmente a identificar alimentos, utilizar ferramentas, movimentar-se pela floresta, compreender hierarquias e interpretar comportamentos de outros membros do grupo.
Quando um filhote perde a mãe e o restante da comunidade, perde também parte desse aprendizado.
Por isso, a reabilitação é gradual. Os animais mais jovens permanecem sob acompanhamento próximo. Conforme desenvolvem autonomia, podem avançar para áreas mais naturais e, posteriormente, integrar grupos nas ilhas.
A Papaye International informa atualmente que dezenas de chimpanzés estão sob sua responsabilidade e que os adultos que vivem nas ilhas chegaram inclusive a produzir descendentes.
Citron faz parte justamente dessa geração que passou da dependência humana para uma estrutura social formada por chimpanzés.
Citron tornou-se um dos machos mais importantes do grupo
O estudo de 2018 fornece uma dimensão pouco conhecida da história. Na época, Citron compartilhava a Ilha de Pongo com diversos chimpanzés adultos. Entre eles estavam Charly, Tony, Café, Ananas e outros indivíduos acompanhados pelo projeto.
Citron, entretanto, aparece identificado especificamente como macho dominante.
Assista o vídeo
Isso significa que sua trajetória não terminou simplesmente com a sobrevivência após o resgate.
Ele conseguiu alcançar uma posição relevante dentro da organização social formada pelos próprios animais.
A Papaye International também o descreve atualmente como um chimpanzé sociável. Em sua apresentação individual, a organização afirma que Citron gosta especialmente de água, costuma aproximar-se da embarcação durante a alimentação e convive bem tanto com machos quanto com fêmeas.
Essa familiaridade com a água ajuda a contextualizar as imagens que posteriormente circularam pelo mundo. Quando Fiston reapareceu, a barreira entre eles não impediu a aproximação.
O abraço registrado em 2025 aconteceu durante uma visita de alimentação
A rotina nas ilhas não significa ausência completa de contato humano. Os chimpanzés são monitorados e recebem alimentação complementar. Fiston participa justamente dessas viagens.
Chegar até os animais exige atravessar a água em embarcações. A própria Papaye International destaca que Fiston não atua apenas como cuidador, mas também como responsável pela condução da piroga utilizada nesse trabalho.
Em junho de 2025, uma dessas visitas produziu a cena que se espalharia internacionalmente. Citron percebe Fiston, aproxima-se e estabelece contato antes de simplesmente receber os alimentos.
O vídeo ganhou força porque o chimpanzé não se limitou a permanecer por perto. Ele colocou os braços ao redor do antigo cuidador.
A cena durou apenas alguns segundos, mas carregava décadas de contexto: um animal que chegara ao projeto em 2003, fora transferido para a ilha anos depois, construíra uma vida entre outros chimpanzés e ainda reagia à presença de uma pessoa ligada à sua trajetória anterior.
Seis anos não apagaram a associação construída entre os dois
Memória social é uma característica importante dos chimpanzés. A espécie vive em comunidades complexas, nas quais reconhecer indivíduos, alianças, posições e relacionamentos é fundamental.
Depois de aproximadamente seis anos sem aquele encontro, Citron reconheceu Fiston e voluntariamente buscou contato físico com ele.
A Papaye International atribui grande importância à confiança criada por Fiston ao longo dos anos.
Para François Elimbi, gerente ligado ao trabalho do santuário citado pelo Terra, a cena demonstrava que Citron ainda reconhecia a pessoa que havia participado de seus cuidados.
O comportamento aconteceu mesmo depois de o chimpanzé ter consolidado uma vida muito menos dependente dos seres humanos.
Mais de duas décadas depois de chegar ao projeto, Citron continua vivendo entre chimpanzés
O registro técnico de 2018 estimava Citron com aproximadamente 23 anos. Isso colocaria sua idade em torno dos 30 anos quando o vídeo de 2025 ganhou repercussão.
A diferença entre aquele animal que chegou ao projeto em 2003 e o chimpanzé filmado duas décadas depois é enorme.
Citron passou a viver em um ambiente natural protegido, integrou-se a outros indivíduos, tornou-se macho dominante e construiu uma existência na qual o contato constante com seres humanos deixou de ser o centro de sua rotina.
Mesmo assim, quando uma pessoa específica reapareceu, a resposta foi diferente.
Fiston cruzou a água levando alimento. Citron poderia simplesmente ter esperado pelas bananas. Poderia ter permanecido junto aos outros chimpanzés.
Poderia ter tratado aquela visita como apenas mais uma passagem da equipe pela ilha. Em vez disso, aproximou-se do homem que conhecera anos antes, estendeu os braços e o abraçou.
A imagem tornou-se viral em 2025, mas seu verdadeiro peso estava nos anos que não aparecem na gravação: mais de duas décadas desde a chegada de Citron ao projeto, anos vivendo entre outros chimpanzés e seis anos sem aquele encontro específico antes de reconhecer novamente Fiston diante das câmeras.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

