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Quase 2 mil cervos serão mortos na Ilha Catalina após avanço das gramíneas invasoras, e autoridades dizem que medida pode ajudar a conter incêndios florestais
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 04/09/2026 às 22:06
Atualizado em 04/09/2026 às 22:10
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A Catalina Island Conservancy pretende eliminar a maior parte dos cervos-mula ao longo de cinco anos, após autoridades aprovarem medida voltada à recuperação da vegetação nativa e à redução do risco de incêndios na ilha
Quase toda a população de cerca de 2.000 cervos-mula da Ilha Catalina, no sul da Califórnia, poderá ser eliminada ao longo de cinco anos. O plano busca recuperar plantas nativas e reduzir a expansão de gramíneas invasoras mais inflamáveis, associadas ao avanço dos incêndios na ilha.
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Abate de cervos-mula pode começar com cerca de 200 animais
Um juiz do condado de Los Angeles rejeitou provisoriamente, na terça-feira, uma tentativa de opositores de bloquear o plano, abrindo caminho para que a Catalina Island Conservancy avance com a retirada dos animais.
A organização sem fins lucrativos controla 88% da Ilha Catalina e pretende eliminar a maior parte do rebanho. A estimativa apresentada é de que aproximadamente 200 cervos-mula sejam caçados com rifles nos próximos dois meses.
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Paulo Nogueira
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Em janeiro, o Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia já havia aprovado o plano da organização, permitindo o prosseguimento dos abates.
Uma pequena população próxima de Avalon será preservada. Esses animais deverão passar por esterilização, enquanto moradores da ilha ainda poderão participar de uma última temporada de caça entre o fim de outubro e meados de dezembro.
Cervos favoreceram avanço de gramíneas mais inflamáveis
Os cervos-mula não são nativos de Catalina. Eles foram introduzidos na ilha há aproximadamente um século por caçadores interessados na caça esportiva e, posteriormente, sua população chegou aos milhares.
Segundo a bióloga de plantas Anna L. Jacobsen, da Universidade Estadual da Califórnia em Bakersfield, o consumo constante dos arbustos nativos pelos animais dificulta a recuperação dessa vegetação.
Jacobsen, que estudou o ecossistema de Catalina depois dos grandes incêndios de 2006 e 2007, afirmou que as plantas nativas também enfrentam pressão das mudanças climáticas e não conseguem se regenerar rapidamente quando continuam sendo consumidas.
Quando os arbustos desaparecem, áreas da ilha podem ser ocupadas por gramíneas invasoras. De acordo com a pesquisadora, essas plantas pegam fogo com maior facilidade e permitem uma propagação mais rápida das chamas.
Max Moritz, especialista em incêndios florestais que assessora governos estaduais e locais da Califórnia, afirmou que retirar os cervos seria a alternativa mais prática considerando tanto a recuperação ecológica quanto a prevenção de incêndios.
Outras alternativas foram consideradas antes do plano
A Catalina Island Conservancy avaliou métodos como contracepção e esterilização, mas concluiu que essas alternativas não seriam viáveis para uma população do tamanho encontrado na ilha.
A possibilidade de cercar os animais também foi descartada. A introdução de predadores foi considerada perigosa para moradores e para a fauna nativa. Décadas de caça recreativa também não conseguiram reduzir de maneira significativa a população.
A carne obtida durante os abates deverá ser destinada a grupos tribais locais ou utilizada em programas de recuperação do condor-da-califórnia.
Carcaças encontradas próximas a estradas ou trilhas serão retiradas. Em terrenos íngremes ou considerados perigosos, algumas poderão permanecer no local para decomposição natural.
Plano enfrenta oposição e petição supera 32 mil assinaturas
A proposta provocou resistência de ativistas dos direitos dos animais e também de caçadores. Uma petição online criada para tentar impedir o abate já reuniu mais de 32.000 assinaturas.
A supervisora do condado de Los Angeles, Janice Hahn, também pediu ao governador Gavin Newsom que interviesse, mas a iniciativa não impediu o avanço do plano antes da decisão preliminar da Justiça.
Pepe Barton, diretor de comunicação da Catalina Island Conservancy, afirmou que matar os cervos nunca foi a primeira opção da entidade. Ele classificou as mortes como um “sacrifício nobre” para proteger o ecossistema, os moradores e a economia de Catalina.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do The Guardian, da Catalina Island Conservancy e do Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://nypost.com/2026/0
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

