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China inaugura megacanal de 134 km que corta 560 km do caminho até o mar, recebe navios de 5 mil toneladas e pode economizar bilhões por ano em logística para regiões inteiras do país
Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/09/2026 às 21:42
Atualizado em 19/09/2026 às 21:45
Curiosidades
Canal
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Com 134,2 quilômetros de extensão, o Canal de Pinglu cria uma rota direta entre o interior do sudoeste chinês e o mar, reduz distâncias logísticas e amplia a conexão comercial da China com o Sudeste Asiático.
A China colocou oficialmente em operação, em 16 de setembro de 2026, o Canal de Pinglu, uma nova ligação fluvial de 134,2 quilômetros entre o interior da região autônoma de Guangxi e a Baía de Beibu, conhecida internacionalmente como Golfo de Tonkin.
A obra cria uma rota mais curta para cargas do sudoeste chinês chegarem ao mar e pode reduzir em mais de 560 quilômetros parte dos trajetos que antes seguiam em direção aos portos de Guangdong.
Construído com investimento de 72,7 bilhões de yuans, cerca de US$ 10,75 bilhões, o canal começou a ser executado em agosto de 2022 e foi concluído pouco mais de quatro anos depois.
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A estrutura foi projetada para receber embarcações de até 5 mil toneladas e integra o Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo do Oeste, rede que conecta regiões do interior chinês a portos e mercados internacionais.
Segundo estimativas divulgadas pelas autoridades de Guangxi, a nova rota pode reduzir entre 18% e 30% os custos logísticos em determinados trajetos e gerar economia superior a 5 bilhões de yuans por ano em transporte.
Esses percentuais, porém, representam projeções para fluxos atendidos pelo corredor. Eles não significam que toda carga movimentada no sudoeste chinês terá automaticamente a mesma redução de custo.
Canal cria um atalho entre o interior da China e o mar
O Canal de Pinglu começa na região de Hengzhou, administrada por Nanning, capital de Guangxi, e segue para o sul através de Qinzhou até alcançar a Baía de Beibu.
Antes da abertura, parte das cargas transportadas pelas hidrovias do sudoeste precisava seguir para leste através do sistema do rio Xijiang e chegar à região de Guangzhou antes de alcançar o litoral.
Com a nova ligação, embarcações podem seguir diretamente para o sul.
A redução supera 560 quilômetros de navegação interior em comparação com a rota tradicional por Guangzhou.
Para províncias e grandes centros econômicos do interior, a diferença pode alterar a maneira como mercadorias chegam aos portos.
Yunnan, Guizhou, Sichuan e Chongqing estão entre as regiões apontadas como potenciais beneficiárias da nova estrutura.
Parte dessas cargas poderá chegar a Guangxi por ferrovia ou pelas redes fluviais existentes antes de entrar no Canal de Pinglu.
Embarcações de até 5 mil toneladas podem cruzar a rota
O canal foi construído segundo o padrão chinês de hidrovia interior Classe I, permitindo o tráfego de embarcações com capacidade de até 5 mil toneladas.
Ao longo dos 134,2 quilômetros foram construídos três grandes complexos de navegação: Madao, Qishi e Qingnian.
Essas estruturas incluem sistemas de eclusas necessários porque existe uma diferença total de aproximadamente 65 metros entre os níveis de água ao longo do percurso.
As eclusas elevam ou abaixam os navios entre diferentes trechos, permitindo que embarcações carregadas atravessem a rota sem precisar descarregar a mercadoria a cada mudança de nível.
O projeto também utiliza sistemas de economia de água nas eclusas.
No complexo de Madao, por exemplo, a diferença máxima de nível chega a 29,6 metros.
Testes começaram antes da inauguração
A abertura oficial em setembro foi precedida por semanas de testes com embarcações reais.
A fase de avaliação em toda a extensão do canal começou em 12 de agosto de 2026, com quatro tipos de navio representativos do tráfego esperado.
Participaram uma embarcação vazia de 5 mil toneladas, outra carregada da mesma capacidade, além de navios carregados de 3 mil e 1 mil toneladas.
Os testes não verificaram apenas se os navios conseguiam completar o percurso.
As equipes avaliaram passagem pelas eclusas, cruzamento e ultrapassagem de embarcações, manobras em curvas, atracação sob influência das marés e navegação durante a noite.
Também foram simuladas situações menos favoráveis, como ventos fortes, aumento do fluxo de afluentes e alterações provocadas por descargas de reservatórios.
Ao todo, mais de 200 equipamentos e sinais de auxílio à navegação foram avaliados antes da abertura.
Primeiras rotas comerciais começaram no dia da inauguração
A operação comercial começou imediatamente.
Em 16 de setembro, duas novas ligações foram lançadas: uma rota internacional entre Nanning e Can Tho, no Vietnã, e outra doméstica entre Nanning e Yangpu, na ilha chinesa de Hainan.
Cerca de 30 embarcações de carga passaram pelo canal no primeiro dia, transportando produtos como materiais de construção, carvão, minérios, aço e fertilizantes.
O movimento mostra que o projeto não foi inaugurado apenas como uma nova obra física.
A China preparou previamente conexões ferroviárias, portuárias e fluviais para que mercadorias do interior pudessem utilizar a passagem desde o início das operações.
Poucos dias antes da abertura, trens provenientes de cidades como Chongqing, Chengdu e Zigong já transportavam produtos até Nanning para conexão com embarcações fluviais e marítimas.
Trem de Hunan mostra como funcionará o transporte integrado
Uma das propostas centrais do projeto é combinar diferentes meios de transporte.
Em setembro, entrou em operação uma ligação ferroviária entre o porto terrestre internacional de Huaihua, na província de Hunan, e o Canal de Pinglu.
O trem transportava principalmente máquinas de construção produzidas pela Sany e mercadorias fabricadas em Huaihua, que poderiam seguir posteriormente por água até os portos marítimos.
Esse modelo permite que regiões que não estão diretamente conectadas ao canal por rios enviem produtos de trem até Guangxi e façam a transferência para embarcações.
A integração ferroviária é especialmente relevante para Sichuan e Chongqing, grandes centros industriais localizados centenas de quilômetros no interior do país.
Economia logística pode superar 5 bilhões de yuans por ano
As autoridades de Guangxi estimam que o Canal de Pinglu poderá gerar uma economia superior a 5 bilhões de yuans por ano em custos de transporte.
O cálculo está relacionado principalmente à redução das distâncias percorridas e ao uso do transporte hidroviário para cargas de grande volume.
Segundo estimativas regionais, os custos logísticos totais de rotas atendidas pelo novo corredor poderão cair entre 18% e 30%.
Esses números ainda são projeções.
Como o canal entrou em operação apenas em setembro de 2026, será necessário acompanhar volumes transportados, tarifas, custos portuários e utilização das embarcações para verificar quanto dessa economia se confirmará na prática.
Nova rota aproxima o sudoeste chinês do Sudeste Asiático
Outra prioridade do projeto é ampliar a conexão com os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, a Asean.
A posição da Baía de Beibu facilita o acesso marítimo a mercados como Vietnã, Malásia, Indonésia, Tailândia e outros países da região.
A Asean é o maior parceiro comercial da China em mercadorias, e o novo canal foi incorporado à estratégia chinesa de ampliar a infraestrutura de transporte entre as regiões do interior e os portos voltados para o Sudeste Asiático.
A importância não se limita às exportações chinesas.
O corredor também pode facilitar a entrada de matérias-primas e produtos importados pelos portos da Baía de Beibu, que poderão seguir para o interior por hidrovias e ferrovias.
Porto de Nanning ganha ligação mais direta com o mar
Uma das transformações mais relevantes ocorre em Nanning.
A cidade está a mais de 100 quilômetros do litoral, mas agora possui uma ligação navegável muito mais direta com o mar.
Em 8 de setembro, antes mesmo da inauguração oficial, o cargueiro de bandeira panamenha Beigang Nanning Borun, com capacidade para 4.443 toneladas, tornou-se o primeiro navio internacional a chegar a um terminal do Porto de Nanning através da nova rota.
A possibilidade de utilizar embarcações preparadas para operações fluviais e marítimas reduz a necessidade de sucessivas transferências de carga.
Esse modelo de transporte rio-mar é uma das peças centrais da estratégia logística associada ao canal.
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Canal faz parte de uma rede logística muito maior
O Canal de Pinglu não funciona de maneira isolada.
A obra é um dos principais componentes do Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo do Oeste, que combina ferrovias, rodovias, hidrovias e portos.
Em 2025, os serviços ferroviários desse corredor movimentaram 1,425 milhão de TEUs, unidade utilizada para medir contêineres, crescimento de 47,6% em relação ao ano anterior.
Em julho de 2026, a rede alcançava 593 portos em 128 países e regiões.
A abertura de Pinglu acrescenta uma ligação fluvial de alta capacidade a esse sistema.
Para as regiões chinesas mais afastadas da costa, isso representa uma alternativa ao longo caminho em direção aos portos do leste e do sul do país.
Depois de quatro anos de obras, a China entra agora na fase de medir os resultados práticos da nova infraestrutura.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

