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Cidade brasileira está sendo invadida pelo mar, erosão já destruiu bairro e solução custa mais de R$ 97 milhões para conter avanço das águas, recuperar 2,6 km de orla e proteger imóveis nos próximos anos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/09/2026 às 16:41
Atualizado em 25/09/2026 às 16:42
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Avanço das águas transformou um problema antigo do litoral capixaba em uma intervenção milionária de engenharia costeira, com estruturas especiais de concreto e serviços de urbanização em uma região onde a erosão já deixou marcas profundas sobre imóveis e áreas ocupadas.
Uma cidade do litoral brasileiro onde o avanço do mar já destruiu um bairro enfrenta novamente a erosão costeira, desta vez com uma obra superior a R$ 97 milhões para recuperar 2,6 quilômetros da orla e proteger uma área urbanizada ameaçada pelas águas.
Localizada em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, a Praia de Guaxindiba concentra a intervenção conduzida pelo Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo, que busca conter o processo erosivo e recuperar uma faixa costeira atingida há anos.
Segundo A Gazeta, o investimento ultrapassa R$ 97 milhões e a execução está prevista para durar 630 dias, período destinado à implantação das estruturas de contenção e aos serviços de urbanização distribuídos por aproximadamente 2,6 quilômetros da costa capixaba.
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Erosão em Conceição da Barra já destruiu o bairro Bugia
Muito antes da atual intervenção em Guaxindiba, os efeitos da erosão já haviam ultrapassado a perda gradual da faixa de areia em Conceição da Barra, onde, conforme registros do DER-ES, o avanço do mar chegou a destruir o bairro Bugia.
Depois de atingir aquela área, o processo erosivo passou a avançar sobre imóveis localizados em Guaxindiba e chegou a ameaçar postes de energia elétrica, cenário que levou o governo capixaba a retomar estudos técnicos em busca de uma solução para o trecho afetado.
Por trás do investimento próximo de R$ 100 milhões existe, assim, um problema acompanhado há décadas na região, período em que o diretor-presidente do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, chegou a classificar a situação como antiga e ainda mal resolvida.
Na fase anterior à execução, o governo estadual autorizou a renovação dos estudos existentes, a elaboração do projeto e a preparação da contratação de intervenções envolvendo Guaxindiba, Conceição da Barra, a foz do Rio Cricaré e Barra Nova, conforme informações divulgadas pelo DER-ES.
Obra de R$ 97 milhões avança pela Praia de Guaxindiba
Superada a etapa concentrada em levantamentos e preparação técnica, a intervenção em Guaxindiba entrou efetivamente em execução, segundo A Gazeta, com investimento superior a R$ 97 milhões, extensão aproximada de 2,6 quilômetros e prazo previsto de 630 dias para realização dos serviços.
Além das medidas destinadas diretamente ao controle da erosão, os trabalhos contemplam a recuperação da orla e alcançam o espaço urbano relacionado à praia, uma área que, de acordo com o veículo capixaba, sofre há anos com o avanço marítimo e a redução da faixa de areia.
Para enfrentar esse processo, o projeto prevê blocos articulados de concreto pré-moldado e anéis hexagonais também produzidos em concreto pré-moldado, estruturas destinadas à contenção da erosão e à estabilização do segmento costeiro atingido continuamente pelo movimento das águas.
Em vez de concentrar a intervenção somente nos pontos mais vulneráveis da praia, o projeto alcança 2.613 metros da orla, formando uma extensa frente de engenharia costeira que acompanha a dimensão da área afetada pelo processo erosivo em Guaxindiba.
Obras desse tipo fazem parte de um cenário mais amplo de proteção do litoral brasileiro, como ocorreu em Ponta Negra, onde milhares de blocos de concreto foram utilizados antes da engorda da praia.
Estudos técnicos antecederam intervenção contra avanço do mar
Antes da definição da solução agora executada, técnicos do DER-ES analisaram informações relacionadas a ondas, correntes, ventos, granulometria e batimetria, enquanto apontavam a necessidade de levantamentos complementares capazes de orientar o projeto destinado a enfrentar o avanço marítimo naquela região.
Entre os dados considerados necessários nessa etapa estavam topografia, novas medições batimétricas, cotas e vazões, estudo hidrológico, sondagens, modelagem hidrodinâmica e definição de jazida marinha, conjunto técnico relacionado ao planejamento de uma intervenção costeira com as características previstas para Guaxindiba.
Nesse histórico de transformações provocadas pelo mar, Bugia permanece como o exemplo mais extremo registrado em Conceição da Barra, pois o DER-ES associa o processo erosivo à destruição do bairro e, posteriormente, ao avanço sobre imóveis e infraestrutura elétrica na região de Guaxindiba.
Já na praia que atualmente recebe as obras, a passagem dos estudos técnicos para uma intervenção milionária representa uma nova etapa no enfrentamento do problema, combinando estruturas de contenção e serviços de urbanização em uma orla cuja faixa de areia vem sendo reduzida pela erosão.
Problemas semelhantes mobilizam intervenções em outros pontos do país, incluindo uma barreira de 200 metros implantada para conter o avanço do mar na Barra do Una, em Peruíbe.
Mais de 2,6 quilômetros de orla recebem estruturas de contenção
Ao longo dos 2.613 metros abrangidos pelo projeto, os serviços previstos deverão avançar durante o prazo de 630 dias, levando as estruturas de concreto aos pontos contemplados pela intervenção enquanto os trabalhos de urbanização são realizados no mesmo segmento da orla.
Com valor superior a R$ 97 milhões, a obra assume uma escala compatível com a extensão da faixa costeira incluída no projeto e com um histórico no qual o avanço das águas deixou de representar apenas uma alteração visual da praia.
Registros oficiais relacionam a erosão em Conceição da Barra à destruição de Bugia, ao avanço sobre imóveis e à ameaça contra equipamentos de infraestrutura, enquanto Guaxindiba recebe agora uma intervenção destinada a estabilizar mais de dois quilômetros de um litoral submetido ao processo erosivo.
Em outras áreas costeiras, a pressão das águas também levou a projetos de grande escala, como a intervenção destinada a recuperar 1,2 quilômetro de margem no Estreito do Melão, em Cananéia.
Enquanto as estruturas são instaladas e a recuperação da orla avança, a experiência acumulada pela própria cidade mantém uma questão aberta: até que ponto grandes obras de engenharia conseguem proteger áreas costeiras quando o avanço do mar já alcançou espaços urbanizados?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

