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Cidade brasileira está sendo invadida pelo mar, prédios estão tortos e solução pode custar R$ 200 milhões para conter alagamentos, modernizar drenagem e proteger mais de 200 mil moradores nos próximos anos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 17:43
Atualizado em 07/09/2026 às 17:53
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Recursos aprovados pelo BNDES serão usados na estruturação de intervenções de drenagem, canais, comportas e proteção costeira em Santos, mas a execução depende de projetos e licenciamento; a correção dos edifícios inclinados segue em uma frente financeira separada.
A aprovação de R$ 200 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mantém Santos diante de uma etapa ainda preparatória: antes das obras contra alagamentos e efeitos das marés, o município precisa concluir estudos, projetos, licenciamento e definições sobre as soluções que serão adotadas.
A operação faz parte do programa BNDES Cidades Resilientes e prevê intervenções nas bacias dos canais 1 a 7 e na Macrozona Leste. A Agência BNDES de Notícias informa que o conjunto deve beneficiar diretamente mais de 200 mil pessoas e inclui recursos do Fundo Clima.
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O plano reúne obras de macro e microdrenagem, modernização de canais e comportas, proteção costeira e requalificação urbana. Também estão previstas alternativas baseadas na natureza, como aumento de áreas permeáveis e espaços destinados a absorver parte da água da chuva antes que ela alcance a rede de drenagem.
Os R$ 200 milhões, porém, não correspondem a um pacote de obras disponível para execução imediata. No material que originou a pauta, o prefeito Rogério Santos estimou em cerca de R$ 7 milhões a fase de formatação técnica necessária antes das intervenções de maior porte.
Essa preparação inclui projetos básico e executivo, licenciamento ambiental e discussões públicas sobre as alternativas adequadas à configuração urbana e geográfica da cidade. A administração municipal trabalha com um horizonte de quatro a cinco anos para que as intervenções avancem, condicionado à conclusão dessas etapas.
“O que nós queremos agora é conhecer as experiências, para, aí sim, a gente optar por avançar no empréstimo que levaria às obras”, afirmou Rogério Santos ao explicar que a escolha das soluções depende de avaliação técnica e diálogo com a sociedade.
Canais e comportas entram no plano de adaptação
Uma das frentes é revisar a lógica dos canais idealizados pelo engenheiro Saturnino de Brito, referência histórica do saneamento santista, para adequar essa infraestrutura às condições atuais de chuva, maré e eventos extremos sem abandonar a estrutura que organiza a drenagem da cidade.
A estratégia não se limita à Zona Noroeste, onde já existe projeto de macrodrenagem em andamento. O planejamento voltado à Zona Leste alcança o Centro, a Zona Intermediária e a orla, áreas em que a Prefeitura pretende combinar drenagem, proteção costeira e requalificação de espaços vulneráveis.
O desenho apresentado pelo BNDES inclui modelagem de risco climático, ampliação de superfícies permeáveis e medidas de proteção do patrimônio ambiental e cultural da orla. Essas soluções serão detalhadas nos projetos antes da definição das intervenções que efetivamente entrarão na fase de contratação.
Outra frente discutida pela administração municipal é a ampliação do Centro de Controle Operacional (CCO), para a qual o material enviado aponta previsão de R$ 80 milhões. A proposta envolve integração de dados e ferramentas voltadas ao acompanhamento da drenagem, dragagem e funcionamento das comportas.
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Entre as aplicações previstas estão softwares capazes de medir o acúmulo de água no solo e apoiar a operação das estruturas que controlam os canais. A Prefeitura também pretende ampliar a integração do CCO com áreas como segurança pública e resposta a emergências durante eventos climáticos.
Visitas técnicas do BNDES às comportas dos canais 3, 4 e 5 fizeram parte da avaliação sobre possibilidades de automação desses sistemas. A intenção municipal é combinar investimentos futuros com medidas preventivas já utilizadas para reduzir os efeitos de chuvas intensas e da pressão das marés.
Prédios inclinados seguem por outra frente
Os chamados prédios tortos da orla aparecem no mesmo debate municipal sobre resiliência, mas não integram o financiamento de R$ 200 milhões destinado ao plano climático. A Prefeitura informa que acompanha 65 edifícios com desaprumo, principalmente entre os canais 2 e 6.
Os imóveis estão concentrados nos bairros Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida. De acordo com o município, as inclinações estão relacionadas ao tipo de fundação utilizado décadas atrás e às características do solo local, que exigem soluções de engenharia específicas para cada estrutura.
Desde 2024, moradores e representantes desses edifícios passaram a se organizar por meio da Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI). Entre as alternativas discutidas está o reaprumo, procedimento destinado a corrigir a inclinação da estrutura mediante uma intervenção de engenharia dimensionada para o imóvel.
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Em agosto deste ano, a CBN Santos informou, com base em resposta da Prefeitura, que ainda não havia acordo formal com o BNDES para financiar as obras de reaprumo. A administração municipal também declarou ao veículo que nenhum dos edifícios acompanhados precisava de intervenção estrutural naquele momento.
A mesma atualização indicou que os prédios permaneciam submetidos a laudos periódicos enquanto avançava a busca por uma modelagem técnica, jurídica e financeira. A Prefeitura discutia um fundo garantidor para atender às exigências das instituições financeiras e facilitar o acesso dos condomínios ao crédito.
Pelo modelo apresentado, os próprios condomínios fariam aportes e seriam responsáveis pela contratação dos empréstimos, enquanto o município atuaria na articulação institucional e técnica. Essa estrutura separa o financiamento dos edifícios inclinados do pacote destinado à adaptação climática e à drenagem urbana.
Ao apresentar a operação de resiliência, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que os investimentos devem reduzir alagamentos, proteger a orla e melhorar a qualidade de vida de mais de 200 mil pessoas.
Além das etapas técnicas e ambientais, a formalização do empréstimo ainda depende da tramitação local, incluindo aval da Câmara Municipal. Só depois dessas definições o planejamento poderá avançar para a contratação das intervenções previstas para Santos.
Fonte
https://www.cbnsantos.com
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

