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Cidade do Rio Grande do Sul começa a erguer cruz de 102 metros que pretende ser a maior do mundo, com projeto de mais de R$ 30 milhões financiado por emendas parlamentares e complexo que prevê teleférico, parque religioso e pomar bíblico
Escrito por Ana Alice
Publicado em 20/09/2026 às 22:24
Atualizado em 20/09/2026 às 22:26
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Um projeto monumental no interior do Rio Grande do Sul reúne religião, turismo, engenharia e dinheiro público em uma obra que chama atenção tanto pela escala quanto pelas dúvidas que ainda cercam sua execução.
Uma cruz tão alta que poderá ser vista de longe, cercada por jardins, um pomar inspirado em espécies citadas na Bíblia e estruturas voltadas à visitação.
O cenário parece o projeto de um grande parque temático religioso, mas está começando a sair do papel em Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul.
A chamada Cruz Monumental foi projetada com 102 metros de altura e é apresentada pelos responsáveis pela iniciativa como a futura “maior cruz do mundo”.
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A proposta ganhou uma nova etapa em setembro de 2026, quando foi assinado o contrato para o início da obra no Parque Municipal Antônio Carlos Gomes Nunes.
O tamanho, porém, é apenas uma parte da história.
O empreendimento envolve recursos públicos, emendas parlamentares e uma aposta no turismo religioso como forma de atrair visitantes para uma cidade do interior gaúcho.
Como nasceu o projeto da Cruz Monumental
A ideia começou a ganhar forma anos antes de as máquinas chegarem ao terreno.
Em 2023, o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) já apresentava o projeto publicamente e afirmava, durante uma reunião da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, que a cruz teria 102 metros, elevador panorâmico, restaurante e parque temático.
Naquele período, a pedra fundamental também foi instalada em Cruz Alta.
Segundo informações divulgadas localmente, havia naquele momento R$ 5 milhões destinados à execução do projeto por meio de recursos indicados pelo parlamentar.
Desde então, o desenho do complexo passou por novas etapas e apresentações.
Em fevereiro de 2026, o projeto voltou a ser apresentado publicamente durante um evento na Associação Comercial e Industrial de Cruz Alta, reunindo representantes do município, empresários e autoridades.
Poucos meses depois, a iniciativa entrou em uma fase mais concreta.
O contrato relacionado ao início da implantação foi assinado em 4 de setembro de 2026, e a prefeitura passou a divulgar a construção como parte de uma estratégia para ampliar o turismo religioso no município.
O projeto arquitetônico citado nessa etapa foi desenvolvido pelos arquitetos Henrique Rocha e Luan Vieira, do escritório Santini & Rocha Arquitetos.
A cruz será implantada no Parque Municipal Antônio Carlos Gomes Nunes, próximo à BR-158 e ao Parque de Exposições de Cruz Alta.
Cruz de 102 metros terá parque, jardins e teleférico
O que transforma o projeto em algo incomum não são apenas seus 102 metros.
Ao longo dos diferentes anúncios feitos desde 2023, foram apresentados planos para um conjunto de atrações ao redor do monumento.
Entre elas aparecem um pomar formado por espécies associadas a relatos bíblicos, jardins, áreas de contemplação, parque temático e um sistema de teleférico.
Versões anteriores da proposta também mencionaram elevador panorâmico e iluminação especial na estrutura.
A proposta do pomar é particularmente curiosa.
Na apresentação inicial do empreendimento, foram mencionadas dezenas de plantas relacionadas à Bíblia.
Documentos de concepção do parque também descrevem espécies como videira, tamareira, figueira e oliveira entre os elementos previstos para o paisagismo.
A intenção é transformar a visita em algo que vá além de simplesmente observar uma cruz de grandes dimensões.
O projeto prevê um espaço de circulação, contemplação e turismo religioso, criando um complexo ao redor do monumento.
Turismo religioso está entre as apostas do projeto
É justamente aí que entra a principal justificativa apresentada pelos responsáveis pela iniciativa.
Desde os primeiros anúncios, Bibo Nunes e representantes do município relacionam a construção ao potencial de crescimento do turismo em Cruz Alta, com possíveis reflexos em setores como hotelaria, restaurantes, comércio e serviços.
Essas consequências, no entanto, são expectativas dos proponentes e ainda não podem ser tratadas como resultados econômicos comprovados.
O custo também mudou ao longo do caminho.
Reportagens baseadas no plano de trabalho ligado à iniciativa apontam que o orçamento, inicialmente estimado em aproximadamente R$ 15,5 milhões, chegou a cerca de R$ 30 milhões após atualizações no projeto.
Há uma diferença importante entre o custo total estimado e o dinheiro já identificado em emendas parlamentares.
Uma emenda de R$ 5 milhões, destinada por Bibo Nunes à construção, foi registrada nas fontes consultadas.
Assista o vídeo
Já os cerca de R$ 30 milhões correspondem ao orçamento atualizado do empreendimento.
Emendas parlamentares são recursos do Orçamento da União cuja destinação pode ser indicada por deputados e senadores.
Nesse caso, o instrumento passou a fazer parte da viabilização de um projeto que mistura monumento religioso, parque e infraestrutura turística.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

