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Criatura rara das profundezas surpreende cientistas no Pacífico: lula-de-barbatana-grande aparece a 3.277 metros, mede cerca de 1,25 metro e exibe braços longos que se dobram como “cotovelos”
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 20/09/2026 às 11:51
Atualizado em 20/09/2026 às 12:32
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores do MBARI registraram uma rara Magnapinna a 3.277 metros de profundidade perto da Califórnia, no primeiro avistamento confirmado da espécie no Pacífico Nordeste, revelando seus longos braços e movimentos incomuns em seu habitat natural
Poucos ambientes no nosso planeta chama mais atenção do que o fundo do mar, e o registro do qual vamos falar agora é único. Uma lula-de-barbatana-grande, um dos cefalópodes menos conhecidos das profundezas oceânicas, foi registrada a 3.277 metros abaixo da superfície perto do Monte Submarino Davidson, na costa central da Califórnia. O encontro representa o primeiro avistamento confirmado desse animal no Pacífico Nordeste e amplia os poucos registros existentes da espécie.
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A observação ocorreu em 7 de agosto durante uma expedição do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI).
Os pesquisadores utilizavam o veículo operado remotamente Doc Ricketts para explorar o fundo do oceano quando perceberam uma criatura incomum pairando sobre a lama.
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A equipe não estava procurando pela lula. Nas imagens, as grandes barbatanas se movimentavam lentamente enquanto oito braços e dois tentáculos extremamente finos se projetavam para baixo, formando longos filamentos.
O sistema de medição a laser do veículo permitiu estimar aproximadamente 1,25 metro entre o topo do corpo da lula e a extremidade dos braços.
Para a ecologista de águas profundas do MBARI Olívia Soares Pereira, identificar o animal não foi imediato.
“A princípio, eu só conseguia ver as pontas do que pareciam ser tentáculos finos, então pensei que fosse uma água-viva, mas quando os ‘cotovelos’ apareceram na tela, eu soube que era algo realmente especial”, afirmou.
Menos de 70 exemplares foram observados ou coletados no mundo
Conhecida cientificamente como Magnapinna, a lula-de-barbatana-grande continua cercada de perguntas porque os encontros com o animal são extremamente raros. Segundo o material, menos de 70 indivíduos foram observados ou coletados globalmente.
Uma das características que mais chamam atenção é justamente o formato dos braços e tentáculos. Eles podem ficar posicionados quase perpendicularmente ao corpo e depois dobrar de forma brusca, criando uma aparência semelhante à de um cotovelo.
“Magnapinna é uma das poucas, senão a única, lula de águas profundas com braços e tentáculos tão finos e longos que conseguem se dobrar dessa maneira”, explicou Pereira.
O motivo dessa postura ainda não foi determinado. Uma das hipóteses levantadas pelos cientistas é que os apêndices possam ajudar o animal na alimentação, permitindo a captura passiva de presas nas águas profundas.
Ainda faltam respostas até para questões básicas. Os pesquisadores não sabem exatamente o que a lula come, como captura suas presas nem como se reproduz. Também não existe uma estimativa segura de sua população.
Espécie já foi encontrada a mais de 6 mil metros de profundidade
O registro feito próximo ao Monte Submarino Davidson está longe de ser o mais profundo conhecido. A Magnapinna já foi observada a 6.212 metros abaixo da superfície, mostrando que consegue ocupar algumas das maiores profundidades registradas entre as lulas.
Avistamentos anteriores ocorreram em diferentes partes dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, incluindo regiões próximas da Austrália, Havaí, Filipinas, Micronésia e Ilhas Cook.
Uma análise global dos registros citada no material estima que ambientes considerados adequados para a lula podem corresponder a até 62% da área dos oceanos e 70% de seu volume. Isso, porém, não permite concluir que a espécie seja abundante.
“Na verdade, sabemos muito pouco sobre a lula-de-barbatana-grande”, disse Pereira.
Para a pesquisadora, os poucos encontros podem significar que esses animais sejam realmente raros. Ao mesmo tempo, o tamanho gigantesco do ambiente oceânico torna difícil separar uma espécie pouco numerosa de outra que simplesmente é observada com pouca frequência.
O novo registro também reforça a importância científica do Monte Submarino Davidson, área conhecida por habitats de águas profundas, antigos jardins de corais e um berçário de polvos.
Agora, o local também entra para a pequena lista de pontos onde uma Magnapinna foi documentada viva em seu ambiente natural.
Fontes: Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI) e informações do ScienceAlert citadas no Daily Galaxy.
Fonte
https://dailygalaxy.com/2
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

