SC
7 min de leitura
Depois de mais de 25 anos de espera, Santa Catarina despeja R$ 200 milhões na obra mais cara do estado e faz surgir uma megaestrutura na SC-108 com 15 km de duplicação, sete viadutos e duas pontes para transformar de vez um dos corredores industriais mais estratégicos do Norte catarinense
Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/09/2026 às 16:28
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Duplicação entre Guaramirim e Massaranduba avança com pontes, viadutos, novas pistas e mudanças no traçado de um dos corredores rodoviários mais importantes do Norte de Santa Catarina.
A duplicação da SC-108 entre Guaramirim e Massaranduba, no Norte de Santa Catarina, entrou em uma etapa em que as mudanças começam a ficar mais visíveis para quem passa diariamente pela rodovia.
Com cerca de 15 quilômetros de intervenções, duas novas pontes, sete viadutos e quatro passarelas previstas, o projeto avança simultaneamente em terraplenagem, pavimentação e grandes estruturas de concreto.
A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE) informou ao ND Mais que os trabalhos já alcançavam cerca de 35% de execução no período retratado pela reportagem.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Energia Nuclear
Trabalhadores da Eletronuclear iniciam greve por tempo indeterminado em 1º de setembro, mas operação essencial de Angra 1 e Angra 2 será preservada
A greve da Eletronuclear começa à zero hora de 1º de setembro por tempo indeterminado, mas o movimento foi organizado para preservar equipes essenciais de operação, manutenção e segurança, evitando…
Paulo Nogueira
0
Em sua página institucional, a pasta atualmente registra investimento de R$ 238,47 milhões na intervenção, valor superior aos R$ 200 milhões arredondados em divulgações anteriores.
A obra integra o Programa Estrada Boa e já foi apresentada como uma das intervenções rodoviárias de maior valor do Estado.
Além da dimensão financeira, chama atenção pela complexidade: o trecho atravessa áreas urbanizadas, cursos d’água e acessos utilizados diariamente por moradores, trabalhadores e veículos ligados à atividade industrial.
Duplicação da SC-108 começa a ganhar novas pistas e grandes estruturas
Os serviços se espalham pelo corredor que liga Guaramirim à região de Massaranduba.
A extensão indicada atualmente pela SIE é de aproximadamente 15,02 quilômetros, embora o projeto original tenha sido divulgado com 15,15 quilômetros, entre as proximidades do km 32,4 e do km 47,55.
Parte do segmento recebe duplicação, enquanto outros pontos passam por reabilitação completa e adequações viárias.
Na prática, isso envolve abertura de novas pistas, movimentação de grandes volumes de terra, drenagem, pavimentação e mudanças nos acessos existentes.
A transformação é especialmente importante porque a SC-108 funciona como um dos corredores de ligação do Vale do Itapocu com o Médio Vale do Itajaí, conectando áreas industriais e dando acesso a outras rodovias utilizadas no transporte regional.
A própria SIE estima fluxo diário de aproximadamente 20 mil veículos no corredor relacionado à obra, número que ajuda a explicar por que a duplicação é tratada como estratégica para a logística do Norte catarinense.
Assista o vídeo
Pontes sobre os rios Itapocu e Putanga avançam na SC-108
Entre as estruturas de maior porte estão as novas pontes sobre os rios Itapocu e Putanga.
A ponte sobre o Itapocu é a maior delas e foi projetada com aproximadamente 212 metros de extensão.
Trabalhos nas cabeceiras, fundações e estruturas associadas fazem parte das frentes que modificam um dos pontos mais complexos do traçado.
Já a travessia sobre o rio Putanga terá uma nova estrutura construída paralelamente à existente.
O projeto original previa aproximadamente 60 metros para a nova ponte.
Essas intervenções são chamadas tecnicamente de obras de arte especiais e representam algumas das etapas mais trabalhosas do empreendimento, porque exigem fundações, pilares, vigas e estruturas capazes de suportar as cargas do tráfego por décadas.
Ao mesmo tempo, as equipes seguem trabalhando em terraplenagem e pavimentação em outros setores, evitando que todo o cronograma dependa da conclusão de uma única estrutura.
Sete viadutos vão transformar cruzamentos da SC-108
Outro elemento que muda de maneira significativa o desenho atual da rodovia é a construção de sete viadutos.
As estruturas foram planejadas para áreas conhecidas como Vila Freitas, Bruhmuller, Figueirinha, Rio Branco, Cantalício Flores e Américo Domingos de Souza, além do entroncamento com a SC-415.
Alguns desses pontos concentram movimentos de entrada e saída da rodovia e, com a duplicação, precisam ser reorganizados para reduzir conflitos entre quem atravessa a pista e quem segue pelo eixo principal.
Na região da Vila Bruhmuller, por exemplo, a construção do viaduto já havia atingido estágio avançado em 2025.
A estrutura da Figueirinha também começou pelas fundações, enquanto outras frentes foram abertas progressivamente ao longo do corredor.
O projeto prevê ainda intervenções em regiões mais urbanizadas.
No Rio Branco, por exemplo, o planejamento divulgado pelo governo prevê uma configuração que pode chegar a oito faixas de circulação quando consideradas as pistas principais e as marginais.
Vias marginais devem reorganizar o tráfego local
A duplicação não consiste apenas em criar duas novas faixas ao lado da pista existente.
Em determinados setores, o projeto utiliza vias marginais para separar deslocamentos locais do tráfego que percorre distâncias maiores.
Uma dessas configurações foi prevista entre Figueirinha e Jacu-Açu.
A estratégia é importante porque uma rodovia que atravessa áreas urbanizadas reúne tipos de tráfego muito diferentes.
Caminhões e automóveis que seguem entre municípios dividem espaço com moradores que precisam acessar bairros, empresas, comércios e ruas próximas.
Quando todos esses movimentos utilizam diretamente a pista principal, entradas, conversões e cruzamentos podem reduzir a fluidez e aumentar os pontos de conflito.
Os sete viadutos e as marginais buscam reorganizar justamente esses movimentos, permitindo que parte das travessias aconteça em níveis diferentes e que acessos locais deixem de interferir diretamente na circulação principal.
Assista o vídeo
Projeto da SC-108 prevê quatro passarelas para pedestres
A transformação também inclui estruturas destinadas a quem precisa atravessar a rodovia a pé.
O projeto original prevê quatro passarelas de pedestres distribuídas pelo trecho.
A necessidade aumenta principalmente em regiões onde bairros, empresas e serviços ficam em lados opostos da SC-108.
Com a duplicação, a largura total a ser atravessada cresce e o volume de veículos tende a continuar elevado.
Por isso, as passarelas fazem parte das medidas destinadas a evitar que pedestres tenham de cruzar diretamente as novas pistas.
A obra ainda exige alterações de drenagem, contenções, sinalização e adequações de interseções, elementos menos visíveis que pontes e viadutos, mas essenciais para que a rodovia funcione depois da ampliação.
Duplicação é reivindicada há mais de duas décadas
A melhoria da ligação entre Guaramirim e Massaranduba é uma demanda antiga da região.
A duplicação foi reivindicada ao longo de mais de 25 anos, especialmente diante do crescimento industrial e do aumento da circulação de veículos.
O processo para tirar a obra do papel passou por projetos, licitações, revisões de orçamento e disputas administrativas antes da assinatura da ordem de serviço, realizada em dezembro de 2022.
Naquele momento, o investimento contratado já era estimado em aproximadamente R$ 238,4 milhões.
O edital anterior havia trabalhado com orçamento máximo próximo de R$ 207,7 milhões, mostrando como os valores mudaram ao longo das diferentes fases do projeto.
A execução também passou por períodos de ritmo mais lento antes de ganhar novas frentes de trabalho.
Em junho de 2026, divulgações do Governo de Santa Catarina apontavam avanço superior a 30%, além de obras simultâneas em pontes e viadutos.
SC-108 tem peso na logística industrial do Norte de Santa Catarina
A importância da intervenção ultrapassa os limites de Guaramirim e Massaranduba.
O corredor está inserido em uma região marcada por empresas dos setores metalmecânico, têxtil, plástico, químico, de máquinas e equipamentos e por intenso transporte de mercadorias.
Guaramirim também está diretamente conectada à BR-280, um dos principais corredores de exportação da região.
A partir dela, cargas conseguem acessar a BR-101 e rotas em direção aos portos catarinenses.
Já no sentido oposto, a SC-108 ajuda a aproximar o Vale do Itapocu das cidades do Médio Vale do Itajaí.
Essa posição explica por que a obra reúne estruturas muito maiores do que uma simples recuperação de pavimento.
Pontes, sete viadutos, passarelas, marginais e novas pistas estão sendo construídos para reorganizar um corredor que precisa atender simultaneamente moradores e um fluxo logístico regional.
À medida que pilares, rampas e novas faixas surgem ao lado da rodovia atual, a intervenção começa a deixar de existir apenas em projetos e máquinas espalhadas pelo caminho.
A nova configuração da SC-108 passa a aparecer no próprio traçado, especialmente nos pontos onde os futuros viadutos e travessias começam a modificar a paisagem entre Guaramirim e Massaranduba.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

