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Dois homens roubam cartão de uma mochila dentro de carro em Toulouse, gastam € 52,50 em cigarros e raspadinhas, descobrem prêmio de € 500 mil, fogem sem receber a fortuna e deixam o verdadeiro dono diante de uma decisão inacreditável: retirar a queixa, dividir o dinheiro com os próprios ladrões e recuperar a carteira ou permitir que o bilhete vencedor perca a validade sem que ninguém fique rico
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 10/09/2026 às 17:34
Atualizado em 10/09/2026 às 17:37
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O uso do cartão roubado permitiu uma compra de € 52,50 em cigarros e raspadinhas, revelou um prêmio de € 500 mil, fez os dois compradores desaparecerem com o bilhete e levou o dono da carteira a oferecer a retirada da queixa e a divisão da fortuna antes que o prazo de resgate terminasse.
Dois homens entraram numa tabacaria de Toulouse, na França, e usaram um cartão bancário furtado para comprar cigarros e bilhetes de raspadinha. Pouco depois, descobriram que um dos jogos escondia o prêmio máximo de € 500 mil.
A comemoração, porém, durou pouco. O pagamento exigia contato direto com a Française des Jeux (FDJ), operadora da loteria francesa. Enquanto isso, o verdadeiro dono do cartão já procurava seus documentos e se preparava para comunicar o furto.
Os compradores desapareceram levando a raspadinha. Diante do risco de o prêmio nunca ser recebido, Jean-David E., proprietário do cartão, apresentou uma proposta inesperada: retirar a queixa e dividir o dinheiro caso os homens aparecessem e devolvessem sua carteira.
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O furto da mochila e a compra na tabacaria
O caso começou em 3 de fevereiro de 2025, quando Jean-David percebeu que sua mochila havia sido retirada de dentro de seu automóvel em Toulouse. O objeto guardava sua carteira, cartões bancários, documentos pessoais e outros pertences.
Ele entrou em contato com o banco para bloquear o cartão. Entretanto, antes que a operação fosse concluída, os responsáveis pelo furto já haviam realizado uma compra numa tabacaria da cidade.
A movimentação chamou sua atenção. Mais preocupado com os documentos do que com o valor gasto, Jean-David foi ao estabelecimento na manhã seguinte para perguntar se alguém havia encontrado ou abandonado sua carteira.
O comerciante não tinha os documentos, mas se lembrava dos clientes. Segundo o relato apresentado às autoridades, dois homens aparentemente em situação de rua, com idades estimadas entre 30 e 40 anos, haviam usado o cartão para comprar cigarros e raspadinhas.
O comportamento dos dois despertou desconfiança. Eles conseguiram fazer uma primeira compra, mas tentaram pagar outros produtos e não souberam digitar a senha quando o terminal exigiu o código.
A transação realizada com o cartão chegou a aproximadamente € 52,50, segundo informações divulgadas pela imprensa francesa.
A raspadinha que revelou € 500 mil
Entre os bilhetes adquiridos estava uma raspadinha da modalidade Cash, comercializada pela FDJ. O jogo oferecia um prêmio máximo de € 500 mil.
Depois de raspar o bilhete, os homens perceberam que haviam conquistado justamente a maior quantia disponível. Eles retornaram ao balcão e tentaram receber o dinheiro na própria tabacaria.
O estabelecimento, contudo, não tinha autorização nem estrutura para entregar um prêmio daquele tamanho. O comerciante explicou que os vencedores precisariam procurar diretamente a FDJ e passar pelo procedimento de validação.
A reação dos compradores demonstrou o tamanho da surpresa. Conforme o relato do advogado de Jean-David, Pierre Debuisson, os dois ficaram tão eufóricos que saíram apressadamente e esqueceram cinco maços de cigarros e outros objetos na loja.
Naquele momento, eles tinham em mãos um bilhete capaz de mudar suas vidas. Também carregavam uma prova diretamente ligada ao uso de um cartão furtado.
Depois de deixar o estabelecimento, a dupla desapareceu.
O prêmio que ninguém conseguia receber sozinho
Jean-David registrou uma queixa sobre o furto. A polícia entrou em contato com a FDJ e informou que a raspadinha havia sido comprada com um cartão bancário usado sem autorização.
Com isso, o prêmio ficou bloqueado. Os dois homens não poderiam procurar normalmente a loteria para receber os € 500 mil sem correr o risco de serem identificados e detidos.
Jean-David também não conseguia pedir o pagamento. Embora o dinheiro usado na compra tivesse saído de seu cartão, ele não havia escolhido a raspadinha e não possuía o bilhete original.
O impasse criou uma situação incomum. Os compradores tinham o comprovante premiado, mas não podiam explicar legalmente como o adquiriram. O dono do cartão tinha a origem do dinheiro, mas não estava com a raspadinha.
A FDJ confirmou em fevereiro de 2025 que ninguém havia apresentado o bilhete para receber a fortuna. O valor continuava retido enquanto as autoridades investigavam o caso.
Além disso, havia outro risco. O Ministério Público poderia considerar o prêmio um benefício obtido a partir de uma infração e tentar apreender os € 500 mil, mesmo que os homens aparecessem.
A proposta para retirar a queixa e dividir a fortuna
Em vez de tentar reivindicar todo o dinheiro, Jean-David decidiu oferecer um acordo. Ele afirmou que aceitaria retirar a queixa se os responsáveis pelo furto aparecessem, devolvessem seus documentos e apresentassem a raspadinha.
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O prêmio seria dividido entre eles. A negociação deveria ocorrer por intermédio de Pierre Debuisson, advogado contratado pelo proprietário do cartão.
A proposta seguia uma lógica prática. Sem o cartão de Jean-David, os dois homens não teriam comprado os bilhetes. Sem a escolha feita por eles dentro da tabacaria, Jean-David também jamais teria chegado perto dos € 500 mil.
“Sem eles, ninguém teria ganhado”, declarou Jean-David à emissora pública France 2, conforme relatou a Associated Press.
O advogado lançou um apelo nacional para localizar os compradores. A mensagem prometia uma negociação sem intenção de persegui-los, desde que aceitassem cooperar enquanto o bilhete ainda pudesse ser validado.
Jean-David também queria recuperar a carteira e os documentos. Porém, diante do prêmio, a devolução dos pertences passou a fazer parte de um acordo que poderia entregar uma fortuna tanto à vítima quanto aos responsáveis pelo furto.
A dúvida sobre quem seria o verdadeiro vencedor
O caso abriu uma discussão sobre a propriedade da raspadinha. Uma interpretação poderia atribuir o prêmio a quem estava com o bilhete. Outra poderia reconhecer que a compra somente ocorreu por meio de dinheiro retirado ilegalmente do cartão de Jean-David.
Pierre Debuisson defendia que a FDJ não deveria cancelar o jogo apenas por causa da forma usada para pagá-lo. Para o advogado, a saída mais lógica seria liberar o prêmio depois de um acordo entre as partes.
A análise não era simples. O bilhete era verdadeiro, o resultado havia sido confirmado e o valor fazia parte de um jogo regular. Contudo, os compradores usaram um meio de pagamento que não lhes pertencia.
Enquanto a discussão avançava, o tempo trabalhava contra todos. Raspadinhas possuem prazo para resgate e, sem a apresentação do comprovante, a quantia acabaria sem destinatário.
A cobertura inicial do The Guardian destacou que a polícia havia congelado o pagamento e que os dois homens ainda não tinham tentado sacar o dinheiro.
Cartão reapareceu, mas raspadinha continuou desaparecida
Meses depois, o caso ganhou um novo capítulo. Em julho de 2025, a imprensa francesa informou que o cartão bancário usado na compra havia reaparecido e que um homem foi preso.
O suspeito acabou condenado por fatos relacionados ao furto. Entretanto, durante o processo, ele negou conhecer a existência do bilhete de € 500 mil.
A polícia não encontrou a raspadinha. Dessa forma, nem a prisão de um suspeito conseguiu esclarecer onde estava o comprovante capaz de liberar a fortuna.
Não se sabe se o segundo homem permaneceu com o jogo, se o bilhete foi perdido durante a fuga ou se alguém o descartou depois de perceber que o pagamento estava bloqueado.
O caso deixou uma combinação difícil de repetir: um cartão furtado, uma raspadinha legítima, uma fortuna sem dono reconhecido e uma vítima disposta a dividir o dinheiro com os próprios ladrões.
A sorte colocou € 500 mil nas mãos dos dois homens. A origem da compra, porém, transformou o bilhete premiado em um pedaço de papel que nenhum dos envolvidos conseguiu usar sozinho.
Você aceitaria dividir os € 500 mil para receber parte da fortuna ou tentaria ficar com todo o prêmio na Justiça? Deixe nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

