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Engenheiros criam usina flutuante de 136 metros que une turbina eólica, painéis solares e energia das ondas para concentrar até 19,2 MW em uma única estrutura no mar
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/09/2026 às 14:44
Atualizado em 23/09/2026 às 14:45
Energia Renovável
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Plataforma norueguesa combina eólica, solar e ondas em uma estrutura de 136 metros e mira até 19,2 MW de potência instalada no mar.
Segundo o SINTEF, pesquisadores noruegueses colocaram em um enorme tanque oceânico uma estrutura que tenta fazer algo incomum: retirar eletricidade do vento, da luz solar e do movimento das ondas ao mesmo tempo. O projeto Flex2Power, desenvolvido pela Flex2Future, reúne uma turbina eólica, painéis fotovoltaicos e conversores de energia das ondas sobre uma única plataforma flutuante. Na configuração S1 apresentada atualmente pela empresa, a estrutura em escala real teria 136,6 metros de largura por 136,6 metros de comprimento e capacidade instalada de até 19,2 MW.
Antes de chegar ao mar, porém, a máquina precisa provar que consegue sobreviver ao ambiente que pretende explorar. Em 2026, um modelo em escala 1:25 foi submetido a ondas, vento e correntes nas instalações do SINTEF Ocean, na Noruega.
A plataforma não tenta escolher entre vento, sol e mar
Num parque eólico convencional, a estrutura existe principalmente para sustentar a turbina. No Flex2Power, até o movimento da própria base faz parte da geração.
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A ideia é aproveitar forças que normalmente seriam tratadas apenas como um problema de engenharia. Ondas, vento e correntes movimentam partes da estrutura, e os conversores instalados no sistema tentam transformar esse deslocamento em eletricidade. Sobre a plataforma ficam ainda os painéis solares, enquanto uma turbina captura o vento acima do oceano.
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O resultado é uma usina híbrida que não depende de uma única fonte.
Quando o sol desaparece, vento e ondas podem continuar disponíveis. Quando o vento cai, o mar ainda pode se mover. A produção real dependerá das condições de cada local, mas é justamente essa combinação que a empresa pretende explorar.
A base teria mais de 136 metros de cada lado
O módulo S1 atual mede 136,6 por 136,6 metros no conceito em escala real. A estrutura completa chega a 52,8 metros de altura, sendo 32,8 metros acima do nível do mar. Debaixo d’água fica boa parte do peso responsável pela estabilidade.
A Flex2Future informa uma massa estrutural de aproximadamente 10.950 toneladas, incluindo cerca de 7 mil toneladas na estrutura inferior de concreto. O calado projetado chega a aproximadamente 20 metros.
Quatro sistemas de ancoragem manteriam o conjunto preso ao fundo do mar.
A empresa projeta a tecnologia para profundidades que vão de 60 a 1.500 metros, uma faixa que permitiria trabalhar em águas onde uma fundação tradicional presa diretamente ao fundo se torna mais difícil ou cara.
Os 19,2 MW vêm de três tecnologias diferentes
A potência anunciada não sai principalmente dos painéis solares. Na configuração S1 atualmente divulgada pela Flex2Future, 5 MW correspondem à turbina eólica.
Outros 14 MW aparecem associados ao sistema de conversão do movimento das ondas e da fundação. A energia fotovoltaica adiciona aproximadamente 0,2 MW.
Somados, chegam aos 19,2 MW de capacidade instalada. Isso deixa claro onde está a aposta mais radical do projeto.
O componente solar é pequeno. Vento já é uma tecnologia offshore conhecida. O salto está em tentar retirar uma quantidade grande de energia dos movimentos que a plataforma sofre continuamente no oceano.
A onda deixa de ser apenas a força que bate na estrutura e passa a funcionar como combustível.
O movimento da plataforma é transformado em eletricidade
O Flex2Power usa módulos capazes de se deslocar conforme ondas e outras forças movimentam a instalação.
É nesse movimento relativo entre partes da estrutura que entra o sistema de conversão.
Nos testes do SINTEF, motores, sensores e modelos computacionais foram usados para reproduzir o comportamento do chamado power take-off, ou PTO. Em palavras simples, é o conjunto responsável por pegar o movimento mecânico provocado pelo mar e transformá-lo em energia aproveitável.
Os pesquisadores precisavam saber não só quanto a estrutura se move, mas quanta energia poderia ser retirada desses movimentos sem alterar de forma indesejada sua estabilidade.
Um modelo de 1:25 enfrentou ondas e vento dentro do laboratório
Em abril de 2026, a Flex2Future concluiu uma campanha de testes no SINTEF Ocean, em Trondheim. O modelo tinha escala 1:25. Em um dos tanques, a estrutura completa foi submetida simultaneamente a ondas, vento e corrente, com o sistema de ancoragem também representado.
Em outro laboratório, uma seção da plataforma passou por diferentes condições de ondas para estudar especificamente a conversão de energia.
Sensores mediram deslocamentos, cargas nas amarras e forças sobre a estrutura.
Câmeras e medidores de ondas acompanharam o comportamento físico enquanto modelos numéricos funcionavam paralelamente.
A empresa informou em agosto que os resultados ficaram alinhados aos modelos computacionais usados no desenvolvimento. Isso ajuda a validar os cálculos, mas ainda não equivale ao funcionamento de uma máquina de 136 metros em mar aberto.
Potência instalada de 19,2 MW não significa produzir 19,2 MW o tempo inteiro
A capacidade instalada soma o máximo nominal dos equipamentos. Vento, ondas e sol variam durante o dia e ao longo do ano, portanto a produção efetiva fica abaixo desse número na maior parte do tempo.
O SINTEF cita uma estimativa da fabricante de cerca de 8 MW de produção média para um módulo em escala completa. Pelos cálculos apresentados, isso seria suficiente para cobrir o consumo anual de aproximadamente 4.500 residências médias norueguesas.
A Flex2Future projeta para o demonstrador uma produção acumulada de 1,56 milhão de MWh ao longo de 25 anos em condições do Mar do Norte.
Ainda são projeções da desenvolvedora. A resposta definitiva depende de uma unidade real funcionando durante anos no oceano.
O projeto que está no licenciamento ainda tem 11,2 MW
Embora a Flex2Future apresente hoje o S1 como uma plataforma de 19,2 MW, o processo oficial que tramita na autoridade energética norueguesa, a NVE, descreve uma configuração de demonstração de 11,2 MW perto de Eigerøy.
Nesse desenho regulatório, são 6 MW de energia das ondas, 5 MW de eólica e 0,2 MW de solar.
A instalação ficaria aproximadamente sete quilômetros distante de Auglend, no município de Egersund, em águas de 170 a 200 metros de profundidade. O projeto prevê ainda um cabo submarino de 22 kV para levar a eletricidade à rede.
A diferença mostra que o conceito técnico continuou evoluindo enquanto o projeto regulatório seguia seu próprio caminho.
Hoje, a autorização final para instalar a unidade ainda não está concedida.
A turbina prevista para o piloto teria rotor de 126 metros
O processo da NVE permite enxergar a máquina com mais detalhes. A turbina prevista possui 5 MW. Seu rotor teria aproximadamente 126 metros de diâmetro, com a nacelle posicionada perto de 117 metros acima do mar. A ponta superior das pás chegaria a cerca de 180 metros de altura.
Os painéis solares ocupariam aproximadamente 1.200 m² da estrutura flutuante. Na configuração apresentada ao regulador, a parte de ondas teria 72 braços móveis ligados a sistemas que capturam o deslocamento provocado pelo mar. Quatro geradores de 1,5 MW completariam os 6 MW dessa etapa.
Uma máquina, portanto, teria três sistemas de geração convivendo fisicamente no mesmo espaço.
A empresa quer ocupar menos mar para produzir mais
Espaço é uma das promessas centrais da Flex2Future. A companhia afirma que seu conceito pode usar menos de 30% da superfície marítima necessária a outras soluções offshore quando comparadas pela potência instalada por quilômetro quadrado. É uma estimativa própria da desenvolvedora, ainda sem comprovação por um parque comercial em funcionamento.
Num parque eólico convencional, as turbinas precisam ficar separadas para que uma não roube o vento da outra. Entre elas sobra uma grande extensão de mar.
No Flex2Power, a empresa tenta colocar outras formas de geração dentro da área já ocupada pela estrutura.
O mesmo ponto do oceano entrega vento acima da superfície, radiação solar no convés e ondas em movimento ao redor.
Uma versão maior já aparece no papel com 100 MW
O S1 seria apenas o primeiro degrau. A Flex2Future também apresenta o conceito Q1, uma estrutura modular de aproximadamente 500 por 500 metros e capacidade total de 100 MW. Nesse desenho, 40 MW viriam de turbinas eólicas, 59 MW da conversão das ondas e 1 MW de energia solar.
Quatro conjuntos Q1 formariam uma configuração de parque de 400 MW.
Por enquanto, isso continua no campo do projeto. Não existe um parque comercial Flex2Power de 100 MW funcionando no oceano. A empresa primeiro precisa levar o S1 para escala real, medir disponibilidade, manutenção, produção e comportamento durante tempestades.
Só depois números maiores deixam a tela do computador.
O primeiro equipamento completo ainda precisa chegar ao mar
A Flex2Future trabalha com uma janela entre 2026 e 2030 para produção e demonstrações piloto. A companhia diz querer colocar a primeira versão completa no oceano antes de 2030 e iniciar entregas em escala plena depois disso.
Na Noruega, o processo ambiental do piloto avançou quando a NVE definiu o programa de estudos que deverá sustentar uma futura solicitação de licença.
Ainda haverá avaliação de impactos, documentação técnica, consulta e decisão regulatória. O tanque do SINTEF resolveu uma parte do problema.
Agora a estrutura precisa sair de um laboratório onde ondas podem ser desligadas por um botão e enfrentar um oceano que não segue roteiro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

