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Fábricas chinesas que produziam caixas de quarentena agora fabricam casas em até 25 dias, exportam US$ 4,3 bilhões por ano e vendem modelos que custam menos de 6.800 yuans
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 21/09/2026 às 10:33
Atualizado em 21/09/2026 às 10:35
Construção
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Após perderem a demanda por alojamentos de quarentena durante a pandemia, fabricantes chineses transformaram suas linhas de produção em fábricas de casas pré-fabricadas para exportação, com unidades montadas em menos de um mês e modelos destinados ao turismo e à habitação internacional.
Fábricas chinesas que antes produziam alojamentos de trabalhadores e módulos de quarentena passaram a fabricar casas pré-fabricadas em apenas 15 a 25 dias. A mudança ocorreu depois que o fim das restrições sanitárias e a crise imobiliária na China reduziram a demanda pelos produtos que sustentavam essas empresas.
A transformação ajudou a impulsionar um negócio bilionário. As exportações chinesas de edificações pré-fabricadas passaram de US$ 1,7 bilhão em 2020 para US$ 4,3 bilhões em 2025, com vendas para os Estados Unidos, o Sudeste Asiático, a Austrália e a Europa Ocidental.
A Reuters, agência internacional de notícias, apresentou os resultados dessa mudança industrial em reportagem publicada em 17 de setembro de 2026, mostrando como estruturas simples de metal deram lugar a casas cápsula, cabines dobráveis e construções destinadas ao mercado internacional.
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Fábrica aberta em 2022 perdeu seus principais compradores e precisou mudar completamente de produto
A história da Hebei Shengtai Integrating Housing, localizada em Hengshui, no norte da China, mostra como a indústria precisou reagir ao desaparecimento de parte de seu mercado.
A empresa começou a operar em 2022, quando o setor imobiliário chinês já enfrentava dificuldades. Poucos meses depois, o governo encerrou as restrições sanitárias que haviam sustentado a procura por alojamentos temporários e unidades de quarentena.
O resultado foi uma forte redução da demanda pelos produtos que a fábrica havia sido criada para produzir.
Sun Guangqing, responsável pela produção e pelo desenvolvimento dos modelos da empresa, identificou nos compradores estrangeiros uma alternativa para manter o negócio funcionando.
A fábrica passou a oferecer casas cápsula e cabines dobráveis destinadas principalmente ao turismo e a imóveis de férias. Outros fabricantes chineses seguiram uma trajetória semelhante, substituindo parte da produção de estruturas temporárias por unidades residenciais de maior padrão.
Casas ficam prontas em 15 a 25 dias e podem chegar ao comprador estrangeiro em até três meses
A velocidade de fabricação tornou essas construções atraentes para compradores internacionais.
Na Hebei Shengtai Integrating Housing, uma unidade residencial pode ser produzida em 15 a 25 dias. A empresa também trabalha com entregas internacionais que podem ocorrer em até três meses.
Isso é possível porque boa parte da construção acontece dentro da fábrica, antes de a estrutura chegar ao terreno onde será instalada.
Em vez de levantar paredes e montar os principais componentes diretamente no local da obra, os fabricantes produzem módulos que concentram parte significativa da estrutura da casa.
Essas unidades utilizam principalmente estruturas metálicas, painéis de isolamento térmico, portas, janelas e componentes industriais. Não se trata, portanto, de casas construídas predominantemente com madeira.
A vantagem está na possibilidade de organizar a produção em etapas, fabricar componentes em série e preparar as unidades para transporte.
Entretanto, o prazo de fabricação não representa necessariamente o tempo necessário para deixar uma casa pronta para morar. Transporte, preparação do terreno e instalação definitiva são etapas diferentes da produção industrial.
De casas simples abaixo de 6.800 yuans a cabines sofisticadas acima de 100 mil yuans
A variedade de produtos também cresceu com a mudança para o mercado internacional.
Na cidade de Weifang, no leste da China, a Qingdao Jingcheng Metal Technology comercializa unidades residenciais produzidas em fábrica e destinadas a diferentes perfis de compradores.
Os modelos mais simples, semelhantes a contêineres, apresentam preços de fábrica inferiores a 6.800 yuans, aproximadamente US$ 1 mil, antes dos custos de envio.
Na outra ponta estão as cabines dobráveis em formato de A, com estruturas expansíveis, que podem ultrapassar 100 mil yuans.
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Alguns compradores também solicitam unidades equipadas com móveis, aquecedores de água, aparelhos de ar condicionado e outros eletrodomésticos.
A empresa utiliza equipamentos de fabricantes chineses, incluindo Hisense e Haier, para atender parte dessas encomendas.
A Reuters, agência internacional de notícias, também identificou um fator importante para os preços dessas casas: a proximidade entre os fornecedores de materiais e as fábricas responsáveis pela montagem.
Em Weifang, estruturas de aço, painéis isolantes, portas e janelas são encontrados na própria região. O porto de Qingdao fica a aproximadamente duas horas de viagem.
Essa concentração industrial reduz a necessidade de buscar componentes em regiões distantes e facilita a organização da produção destinada à exportação.
Mais de mil fábricas disputam compradores e algumas lucram apenas 1 mil yuans por casa
O crescimento das exportações não significa que todos os fabricantes chineses estejam ganhando muito dinheiro.
A indústria enfrenta uma disputa intensa por encomendas, principalmente porque mais de mil fábricas de casas pré-fabricadas operam na China. Somente Hengshui reúne aproximadamente 30 estabelecimentos desse segmento.
A concorrência provocou uma redução expressiva dos preços de alguns modelos.
Na Hebei Shengtai Integrating Housing, o valor de uma casa expansível com duas partes dobráveis caiu mais da metade e ficou abaixo de 20 mil yuans.
Com essa redução, o lucro obtido pela empresa passou a representar apenas 1 mil a 2 mil yuans por unidade vendida.
A situação é ainda mais apertada em outros estabelecimentos. Pang Hufeng, gerente de operações da Hebei Shengshuo Metal Products, relatou ganhos de apenas algumas centenas de yuans por unidade.
A empresa também começou atendendo principalmente o mercado chinês, mas passou a direcionar aproximadamente 80% de suas vendas para compradores estrangeiros.
A preocupação entre os fabricantes envolve justamente a continuidade dessa disputa. Sun Guangqing acredita que mais de um terço das fábricas do setor poderá encerrar as atividades nos próximos anos.
Essa é uma expectativa do empresário, não um fechamento já confirmado.
Casa barata na fábrica não significa moradia pronta pelo mesmo preço no Brasil
Para o consumidor brasileiro, os valores apresentados pelas empresas chinesas exigem uma distinção importante.
Uma unidade anunciada por menos de 6.800 yuans não representa necessariamente uma casa instalada e pronta para morar no Brasil.
O preço de fábrica pode deixar de fora despesas como transporte internacional, impostos de importação, deslocamento até o terreno e movimentação da estrutura durante a instalação.
Também podem existir gastos com fundação, ligações de água e energia elétrica, preparação do lote e licenciamento da construção.
Essas despesas precisam entrar na avaliação antes de comparar o preço de uma casa importada com o custo de uma construção convencional.
Para fabricantes brasileiros, o avanço chinês evidencia a importância da produção em escala e da proximidade entre fornecedores de estruturas metálicas, painéis, portas e outros componentes.
Já para empresas interessadas em importar as unidades, a principal questão é verificar quanto custará colocar cada estrutura em condições de uso no destino final, e não apenas quanto será pago ao fabricante.
O crescimento das exportações chinesas mostra que as casas produzidas em fábrica encontraram compradores em diferentes mercados, especialmente para turismo e imóveis de férias.
Ao mesmo tempo, a queda dos lucros revela o outro lado dessa expansão: produzir rapidamente e vender barato não garante a sobrevivência de uma fábrica quando muitos concorrentes disputam os mesmos clientes.
E você, compraria uma casa pré-fabricada da China se o preço final, incluindo transporte e instalação, fosse menor que o de uma construção tradicional? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

