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Família compra restaurante centenário nos EUA e, quase 40 anos depois, quebra o piso do salão para construir um banheiro, e encontra um poço de mina de ouro de 9 metros, selado havia mais de um século, com veia de ouro exposta na parede
Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/09/2026 às 10:21
Atualizado em 11/09/2026 às 11:00
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O caso aconteceu no Smith House, restaurante e pousada centenária de Dahlonega, na Geórgia (EUA), cidade que viveu a primeira corrida do ouro dos Estados Unidos no início do século 19. A descoberta ocorreu em fevereiro de 2006, durante obras de expansão do hotel.
A família Welch, dona do tradicional restaurante e pousada Smith House, em Dahlonega, na Geórgia (EUA), teve uma surpresa e tanto durante uma reforma no salão principal: encontrou um poço de mina de ouro selado havia mais de um século sob o piso de concreto onde servia refeições desde 1970.
Segundo o próprio Smith House, o achado ocorreu em 12 de fevereiro de 2006, quando operários quebravam a laje para construir um novo banheiro, dentro de um projeto de expansão do hotel. O poço tem cerca de 9 metros de profundidade e 1,2 metro de largura, e revelou uma veia de ouro exposta na parede lateral, além de objetos deixados por antigos moradores da casa, que data de 1884.
A reforma que expôs um segredo de mais de 100 anos
A descoberta aconteceu em meio a uma reforma ambiciosa. Freddy Welch e a esposa, Shirley, então à frente do negócio, tocavam um projeto de expansão em duas etapas para o restaurante e o hotel, que previa a construção de 52 novos quartos de hóspedes e espaço para eventos de até 200 pessoas. Como parte da primeira etapa, a equipe de obras removia o piso de concreto do antigo salão de jantar principal para transformar o espaço em uma nova área de banheiros.
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Foi ao quebrar essa laje, em 12 de fevereiro de 2006, que os operários se depararam com algo que não esperavam: um grande buraco circular sob o concreto, dando acesso a um poço que descia reto para baixo do prédio. Ninguém no canteiro de obras sabia, até aquele momento, que existia qualquer estrutura ali embaixo, a laje havia escondido a abertura de forma tão completa que o poço permanecera intacto por gerações de reformas anteriores no imóvel.
Um poço de mina de ouro com veia exposta na parede
Ao remover os escombros acumulados dentro do poço, a equipe constatou que se tratava de um antigo poço de mina de ouro, com cerca de 9 metros de profundidade e 1,2 metro de largura, perfeitamente selado sob o piso havia mais de um século. No caminho para baixo, os trabalhadores encontraram objetos descartados por antigos moradores da casa, restos de um cotidiano doméstico anterior à existência do próprio restaurante.
A surpresa maior veio ao limparem o poço por vários metros de profundidade: ali, exposta na parede lateral, estava a veia de ouro e quartzo que dera origem a décadas de lenda na cidade. “Sempre foi a história contada por aí, que o Smith House ficava em cima de uma veia de ouro, mas a gente nunca acreditou muito nisso”, contou Freddy Welch à revista Garden & Gun. O achado confirmava, de forma literal, um boato que circulava entre moradores de Dahlonega havia gerações, sem que ninguém tivesse, de fato, ido atrás dele.
Da corrida do ouro ao boarding house: a história por trás do túnel
A origem do poço remonta ao final do século 19, em uma cidade que carrega um capítulo importante da história da mineração americana: Dahlonega foi palco da primeira corrida do ouro dos Estados Unidos, no início do século 19, anos antes da mais famosa corrida da Califórnia. O capitão Frank Hall havia se mudado de Vermont para Dahlonega em 1868, logo após a Guerra Civil americana, para trabalhar como representante da Boston Massachusetts Company, supervisionando moinhos de ouro e maquinário de mineração na região.
Em 1884, Hall comprou um hectare de terra a leste da praça central da cidade para construir sua própria casa. Durante a construção, os operários encontraram uma veia de ouro e quartzo bem sob a futura residência. Hall procurou as autoridades municipais para solicitar direitos de mineração no local, mas o pedido foi negado, por preocupação de que o barulho das máquinas de extração perturbasse os comércios instalados na praça da cidade. Pouco depois de a casa ficar pronta, Frank Hall morreu de febre tifoide, e a veia de ouro sob sua residência acabou esquecida por décadas.
A casa passou por novas mãos em 1922, quando Henry e Bessie Smith a compraram e a transformaram em uma pensão para hóspedes e viajantes famintos, com sete quartos adaptados e duas mesas comunitárias para as refeições. Um quarto com direito a três refeições caseiras custava 1,50 dólar por dia. As receitas de frango frito com buttermilk, presunto caipira e vegetais frescos de Bessie Smith se tornaram a marca registrada da casa, e seguem no cardápio até hoje, cem anos depois.
Décadas servindo frango frito em cima de uma mina de ouro
Em 1946, a propriedade foi vendida à família Fry, que contratou Fred e Thelma Welch para administrar o restaurante. Pouco depois, o serviço de refeições foi transferido para o porão da estrutura original, exatamente a área sob a qual, sem que ninguém soubesse ao certo a localização exata, corriam as histórias sobre um misterioso poço de mina selado com tábuas e coberto de concreto pelos antigos donos. Durante anos, a família Welch serviu milhares de refeições literalmente em cima do túnel escondido, sem imaginar o que havia alguns metros abaixo dos pés dos clientes.
Thelma Welch ampliou o cardápio e a fama da casa cresceu: visitantes passaram a viajar de várias partes do país, e do exterior, só para experimentar a comida, com filas que podiam chegar a três horas de espera aos domingos. Em 1970, a família Welch, já com o filho Freddy à frente do negócio, comprou o Smith House definitivamente, dando início ao período em que a casa seria administrada diretamente pela família que, décadas depois, encontraria o poço.
Entre os frequentadores mais conhecidos da casa ao longo desses anos estava Truett Cathy, fundador da rede de fast-food Chick-fil-A, que era cliente assíduo do Smith House aos domingos, a ponto de haver quem atribua parte da inspiração do sanduíche de frango que tornou a rede famosa às visitas de Cathy ao restaurante de Dahlonega.
O que virou o poço depois da descoberta
Em vez de simplesmente selar novamente a abertura, a família Welch optou por transformar o poço em parte da experiência do restaurante. Hoje, a boca do poço de mina é o centro de uma exposição permanente sobre a história de Dahlonega dentro do próprio Smith House, com parte dos objetos retirados do subsolo, garrafas antigas e outros artefatos, à mostra para os visitantes, ao lado de painéis explicando a ligação da casa com a corrida do ouro da cidade.
O restaurante, hoje administrado por Freddy e Shirley Welch junto com filhos e netos, também cresceu em tamanho: das 22 cadeiras originais de 1922, o salão passou a comportar 350 lugares. Um detalhe conecta diretamente o presente ao personagem que, sem saber, começou toda a história: uma caixa registradora antiga em exibição no local, que pertenceu a Frank Hall, o mesmo homem que teve o pedido de direitos de mineração negado em 1884, ainda tem um mecanismo original para aceitar pagamentos em ouro, embora hoje o Smith House aceite normalmente cartão e dinheiro.
A descoberta de 2006 deu corpo literal a uma lenda que circulava por Dahlonega havia gerações, e hoje funciona como atração turística e histórica dentro de um restaurante que já era, por si só, uma instituição centenária da cidade.
O caso reforça como pequenas cidades ligadas a antigos ciclos de mineração, como Dahlonega, berço da primeira corrida do ouro americana, ainda guardam estruturas históricas praticamente intactas sob construções do dia a dia, à espera de uma reforma para vir à tona.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

