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Fazenda usa porcos na agricultura como “arados vivos” para revolver solo e preparar áreas para novas pastagens nos Estados Unidos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 11/09/2026 às 23:45
Atualizado em 11/09/2026 às 23:46
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Projeto conduzido em Rhode Island colocou 20 animais em pequenas parcelas cercadas para controlar cardos e miscanthus, reduzir o uso de máquinas e semear culturas de cobertura.
Uma fazenda demonstrativa de Rhode Island, nos Estados Unidos, está usando porcos na agricultura para revolver terrenos, controlar plantas indesejadas e preparar áreas que posteriormente recebem culturas de cobertura. Iniciada experimentalmente em novembro de 2024, a iniciativa foi ampliada durante 2025 e está planejada para durar dois anos.
O trabalho é realizado pela Ocean Hour Farm, uma propriedade situada em Newport que funciona como centro de educação e demonstração de práticas regenerativas. A fazenda utiliza o comportamento natural dos porcos de cavar o terreno como alternativa ao preparo feito com máquinas agrícolas.
Porcos na agricultura trabalham em áreas cercadas
De acordo com o estudo de caso Pigs for Progress, publicado pela Ocean Hour Farm, o projeto começou com duas porcas jovens da raça Berkshire, adquiridas em novembro de 2024. Os primeiros testes foram realizados em uma área ocupada por miscanthus, uma gramínea ornamental que estava se espalhando pela propriedade.
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Depois do nascimento de duas ninhadas, uma em março e outra em maio de 2025, o manejo passou a envolver 20 animais: as duas porcas e 18 leitões. O primeiro grupo de filhotes foi levado ao pasto em 19 de maio, enquanto o segundo entrou nas áreas de trabalho em 3 de junho.
Os porcos foram colocados em parcelas delimitadas por cercas elétricas móveis. Cada espaço tinha aproximadamente 0,1 acre, equivalente a cerca de 405 metros quadrados. Normalmente, os animais permaneciam sete dias em cada local.
Ao todo, a fazenda registrou o uso dos porcos em 18 parcelas. O período podia ser reduzido quando a chuva deixava o terreno excessivamente úmido, pois os animais conseguiam transformar rapidamente o solo revolvido em lama.
Cardos e miscanthus eram os principais alvos
O manejo concentrou-se no cardo-do-canadá e no miscanthus. Segundo a fazenda, essas plantas ocupavam áreas que poderiam sustentar gramíneas mais nutritivas para o rebanho de ovelhas.
Enquanto buscavam alimento e exploravam o terreno com o focinho, os animais derrubavam plantas, soltavam o solo e perturbavam raízes. Em pontos com vegetação mais resistente, os funcionários espalhavam ração sobre os agrupamentos de plantas para estimular os porcos a cavar.
Os resultados, porém, não foram iguais em todas as áreas. Os leitões inicialmente apresentaram pouca eficiência contra os cardos, mas passaram a derrubar mais plantas quando cresceram. Em algumas situações, a equipe precisou cortar os cardos maiores e deixá-los no terreno.
A fazenda também observou o rebrote de parte da vegetação indesejada. Por isso, o trabalho é apresentado como um estudo demonstrativo, sem equivaler a um experimento científico controlado ou comprovar a eliminação definitiva dessas espécies.
Terreno recebe sementes depois da rotação
Logo após a retirada dos animais, as parcelas receberam sementes escolhidas conforme a estação e as necessidades do rebanho. Foram utilizados sorgo-sudão, feijão-caupi, centeio de inverno e misturas destinadas à formação de pastagens para ovelhas.
A propriedade estima ter utilizado aproximadamente 300 libras de sementes, cerca de 136 quilos. Palha também foi colocada sobre o terreno para conservar a umidade e impedir que as sementes fossem carregadas pelo vento.
Imagens aéreas produzidas durante o projeto mostraram a recuperação gradual da cobertura vegetal. Em uma das áreas acompanhadas, o terreno voltou a apresentar vegetação completa 68 dias depois da saída dos porcos. A germinação, entretanto, variou conforme as condições de chuva.
Na apresentação de seus sistemas de manejo, a Ocean Hour Farm descreve os porcos como “arados da natureza”, utilizados para soltar terrenos degradados e prepará-los para as culturas de cobertura. A propriedade também reconhece riscos como compactação, formação de buracos e danos a árvores ou plantas sensíveis.
A condição da Ocean Hour Farm como espaço demonstrativo é corroborada pela Universidade de Rhode Island, que promoveu uma visita técnica à propriedade em junho de 2024 durante sua transição para a agricultura regenerativa.
O plano da fazenda é manter o projeto durante dois anos. Caso o controle das plantas alcance o resultado esperado, a equipe considera substituir os Berkshire por raças mais adaptadas ao pastejo e menos voltadas ao revolvimento intenso do solo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

