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Finep aprova 92 projetos de infraestrutura científica dentro de programa de R$ 500 milhões para universidades e centros de pesquisa
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 03/09/2026 às 08:45
Atualizado em 03/09/2026 às 08:51
Economia
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A Finep aprovou 92 subprojetos de infraestrutura científica, reunidos em 61 propostas de instituições brasileiras, dentro de uma chamada com orçamento de R$ 500 milhões e recursos não reembolsáveis do FNDCT.
O resultado do ProInfra 2025 Expansão foi divulgado em 1º de setembro. Universidades e centros de pesquisa poderão comprar equipamentos, softwares associados e adaptar espaços para receber os novos dispositivos.
A chamada havia sido lançada em dezembro de 2025. Cada proposta podia chegar a R$ 24 milhões, conforme as necessidades de modernização e ampliação apresentadas pela instituição.
Segundo a informação publicada pela Finep, 33,4% dos recursos aprovados foram destinados a instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
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Paulo Nogueira
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O edital tinha reservado 30% para essas três regiões. O resultado final superou o piso em 3,4 pontos percentuais e distribuiu apoio por todas as áreas do conhecimento.
Entre as instituições citadas estão UFAM, UFAL, FURB, UFMG, UFG, Inmetro e USP. A lista completa alcança dezenas de organizações científicas e tecnológicas.
Recursos não reembolsáveis equipam laboratórios
Financiamento não reembolsável não exige que a instituição devolva o principal como em um empréstimo. O dinheiro, porém, continua sujeito a plano de trabalho, execução comprovada e prestação de contas.
O FNDCT fornece os recursos, e a Finep gerencia a seleção e os contratos. O objetivo é financiar estruturas que o orçamento cotidiano das universidades dificilmente consegue comprar de uma vez.
Equipamento de pesquisa pode custar milhões e exigir sala própria. Vibração, temperatura, energia estabilizada, gases ou blindagem fazem parte da instalação, dependendo do instrumento.
Por isso, o edital aceita adaptações físicas. Comprar uma máquina sem preparar o ambiente poderia deixá-la encaixotada ou impedir que atingisse a precisão prometida pelo fabricante.
Softwares associados também entram no pacote. Muitos instrumentos produzem dados que só podem ser calibrados, processados e armazenados com ferramentas específicas.
Os 92 subprojetos excedem as 61 propostas porque uma mesma instituição pode reunir frentes distintas. Cada unidade responde a uma necessidade dentro do plano apresentado.
A execução ainda terá fases de compra, importação, entrega e instalação. Equipamentos estrangeiros podem enfrentar prazos de fabricação, câmbio, transporte especializado e desembaraço aduaneiro.
Depois vem o treinamento. Pesquisadores e técnicos precisam aprender operação, manutenção básica e protocolos para que o investimento gere dados confiáveis durante sua vida útil.
Laboratórios multiusuários ampliam o alcance quando abrem agenda para diferentes grupos. Regras claras de acesso evitam que um equipamento caro fique restrito a um único projeto.
Eu vejo a equipe técnica permanente como parte decisiva. Sem pessoal para calibrar, conservar e apoiar usuários, a infraestrutura perde disponibilidade muito antes de ficar obsoleta.
33,4% do orçamento chega a três grandes regiões
A reserva regional procura enfrentar a concentração histórica da infraestrutura científica. Equipamentos disponíveis perto dos pesquisadores reduzem viagens e tornam experimentos repetidos mais viáveis.
O resultado de 33,4% acima do mínimo mostra que propostas dessas regiões passaram pela seleção em volume suficiente. A distribuição por instituição e estado indicará o alcance concreto.
Na Amazônia, por exemplo, distância e transporte de amostras podem alterar material biológico ou ambiental. Capacidade local permite analisar mais perto do ponto de coleta.
No Centro-Oeste, infraestrutura pode atender agricultura, saúde, materiais, energia e biodiversidade. No Nordeste, redes universitárias têm potencial para compartilhar equipamentos entre vários campi.
A política regional não substitui qualidade do projeto. Ela reserva parte do orçamento para corrigir acesso desigual, mantendo análise técnica das propostas apresentadas.
O teto de R$ 24 milhões permite combinar instrumentos e obras. Nem todas as propostas receberão esse valor máximo, pois a aprovação segue itens e custos avaliados.
Como o orçamento anunciado é de R$ 500 milhões, a contratação final e os valores por subprojeto merecem acompanhamento. Aprovação abre a fase de formalização e execução.
Pesquisas beneficiadas podem levar anos para produzir artigos, patentes ou serviços. A entrega imediata do programa é a capacidade instalada, não uma descoberta científica específica.
Ainda assim, equipamentos modernos encurtam etapas. Eles permitem medições que antes dependiam de parceiros distantes e aumentam o número de perguntas que uma equipe consegue testar.
Instituições também precisam prever custeio depois do projeto. Energia, consumíveis, contratos de manutenção e peças continuam gerando despesa quando o recurso inicial termina.
A governança deve incluir agenda, responsabilidade e indicadores de uso. Horas disponíveis, usuários atendidos e projetos apoiados mostram se a máquina entrou de fato na rotina científica.
Além disso, compartilhar protocolos evita repetir ajustes em cada grupo. Uma equipe especializada pode preparar método, treinar novos usuários e manter o histórico de calibração disponível.
O ProInfra 2025 Expansão permite que essa organização comece junto da compra. A instituição sabe quais pesquisadores justificaram o equipamento e pode definir desde cedo como eles terão acesso.
Projetos de pesquisa financiados por outras agências também poderão usar a estrutura, desde que a política local permita. Dessa forma, um investimento do FNDCT amplia o efeito de bolsas e editais futuros.
Há ainda a dimensão do dado. Instrumentos novos podem produzir arquivos grandes, exigindo armazenamento, cópia de segurança, rede e regras para preservar resultados sem expor informações sensíveis.
Quando o fabricante encerra suporte, a instituição precisa decidir se atualiza, mantém ou substitui o sistema. Planejar esse ciclo evita que software antigo imobilize um equipamento ainda útil.
A adaptação física pode envolver obra em prédio ocupado. Cronograma deve reduzir poeira, vibração e interrupções em laboratórios vizinhos que continuam executando experimentos.
O ProInfra financia o chão material da pesquisa. Sem laboratório, software e técnicos, ideias promissoras ficam limitadas àquilo que a estrutura antiga consegue medir.
Os próximos marcos serão assinatura, aquisição e instalação. É nesse percurso que os 92 subprojetos deixarão a planilha do resultado e chegarão às bancadas.
Qual infraestrutura científica mais falta às universidades da sua região? Conte nos comentários.
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Fonte
Finep — resultado do ProInfra 2025 Expansão
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

