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Herdeiros de Luciano Hang não começaram em cargos de chefia: aos 12 anos empacotavam compras e vendiam brinquedos, depois passaram quatro anos rodando por setores da Havan e fazendo avaliações no RH, enquanto o empresário deixava claro que trabalhar era obrigatório, mas assumir a empresa não
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 15/09/2026 às 18:48
Atualizado em 15/09/2026 às 18:49
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Aos 12 anos, os filhos de Luciano Hang já empacotavam compras, organizavam estoque e vendiam brinquedos na Havan. Aos 14 anos, Lucas e o irmão gêmeo Leonardo passaram cerca de quatro anos por setores da empresa, com provas no RH. Segundo Lucas, a regra era trabalhar, não necessariamente na Havan.
Os filhos de Luciano Hang, um dos maiores empresários do varejo brasileiro, não começaram na Havan como se espera de herdeiros: aos 12 anos, empacotavam compras, organizavam estoque e vendiam brinquedos. Aos 14, Lucas e o irmão gêmeo, Leonardo, entraram em um treinamento do RH e passaram cerca de quatro anos trabalhando nos diferentes setores da empresa. Segundo Lucas, o pai nunca obrigou os filhos a trabalhar na Havan, mas trabalhar era obrigatório.
As informações foram publicadas pelo NSC Total em 11 de setembro de 2026, em reportagem de Talita Catie, com relatos de Lucas Hang, filho mais velho do empresário catarinense. O texto mostra como os herdeiros aprenderam a funcionar a Havan por dentro, sem a obrigação de assumir o negócio do pai.
A regra dos filhos de Luciano Hang: trabalhar era obrigatório, trabalhar na Havan não
De acordo com Lucas, Luciano Hang nunca exigiu que os três filhos trabalhassem na Havan nem que eles assumissem a empresa no futuro. Desde cedo, porém, havia outra regra.
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Lucas resume essa regra assim: “A gente nunca foi obrigado a trabalhar na empresa. O que a gente teria que fazer era trabalhar”.
Páscoa, Natal e Dia das Crianças levavam a família inteira para as lojas
Os filhos tiveram contato com a Havan desde a infância, e esse contato aumentava nas épocas de maior movimento, como Páscoa, Natal e Dia das Crianças, segundo o NSC Total. Nessas datas, eles ajudavam nas lojas, mas não estavam sozinhos: a família inteira ia junto.
Luciano, a mãe e até a avó de Lucas também empacotavam compras na loja de Brusque. Foi em Brusque que a Havan começou, em um espaço de apenas 40 metros quadrados, muito menor que as megalojas de hoje, com 20 mil metros quadrados de área construída.
Aos 14 anos, Lucas e Leonardo passaram cerca de quatro anos pelos setores da Havan
Aos 14 anos, Lucas e o irmão gêmeo, Leonardo, entraram em um treinamento mais organizado, criado pelo próprio RH da Havan. O objetivo era que os dois conhecessem a empresa por dentro, segundo a reportagem. Durante cerca de quatro anos, os irmãos passaram por diferentes setores das lojas, sempre separados um do outro.
Ao fim de cada etapa, prova no RH perguntava o que eles mudariam no setor
No fim de cada etapa, cada irmão voltava ao RH para uma espécie de prova. Tinha que contar o que aprendeu, quem ensinou, do que mais gostou e, principalmente, dizer o que mudaria naquele setor.
Segundo Lucas, a ideia era que o trabalho não se resumisse a cumprir horário. “A gente sempre tinha que ir para o trabalho buscando alguma melhoria”, diz.
Depois das lojas, o treinamento passou pelo escritório
Depois de conhecer as lojas, os irmãos seguiram o treinamento no escritório, em áreas como RH, financeiro, contabilidade, tecnologia e marketing. No fim, tinham uma visão geral de como funcionava cada parte da Havan, segundo o NSC Total.
Em paralelo, irmãos tinham encontros mensais com ex-prefeito de Blumenau
Félix Theiss, ex-prefeito de Blumenau que trabalha com formação de executivos e acompanhamento de famílias empresárias, também participou da preparação dos irmãos. Durante o treinamento, eles se encontravam com ele uma vez por mês, fora da rotina da Havan, segundo a reportagem.
Para Luciano Hang, na Havan é mais importante ser generalista do que especialista
Depois de terminar o ensino médio, Lucas entrou na faculdade e passou a trabalhar de fato na empresa. Nessa fase, os irmãos puderam escolher as áreas em que poderiam contribuir mais, segundo o NSC Total.
A influência do pai aparece principalmente no jeito de ver o negócio. Segundo Lucas, Luciano Hang costuma dizer que, em uma empresa como a Havan, é mais importante ser um profissional generalista do que especialista em uma única área.
Lucas levou a Havan ao esporte e acompanhou o pai nas decisões sobre terrenos e obras
Lucas se aproximou da área comercial e do marketing, e uma de suas primeiras iniciativas foi levar a marca para o esporte. A partir daí, ajudou a montar a área de patrocínios da Havan, que envolve clubes, atletas, campeonatos e seleções, segundo a reportagem.
Ele também continuou acompanhando o pai em decisões importantes, com viagens para conhecer terrenos, acompanhar obras e avaliar novas lojas. “Meu pai sempre fez questão de ter os filhos próximos nessas questões de tomar decisão importante”, afirma.
Lucas cuida de pessoas e lojas; Matheus, de números, crédito e expansão
Hoje, Lucas e o irmão mais novo, Matheus, são os que mais trabalham diretamente na Havan, mas em áreas diferentes. Lucas está mais ligado à área de pessoas, ao relacionamento com clientes e às lojas, enquanto Matheus cuida principalmente de números, crédito e expansão.
Segundo Lucas, essa divisão respeita o perfil de cada um. “A gente acabou sempre se doando pra empresa da maneira que a gente puder doar melhor”, diz.
Sem disputa pelo “número 1” na sucessão de Luciano Hang
Lucas diz que a preparação não é uma disputa entre os filhos para decidir quem vai suceder Luciano Hang. Ele afirma que nunca ouviu que seria o primeiro na linha de sucessão e que essa questão nem preocupa os irmãos.
Lucas descarta qualquer competição entre eles: “A gente não tem ego em relação a isso, não tem uma disputa sobre quem vai ser o número 1, o número 2, o número 3”. Segundo ele, a ideia é aproveitar o que cada um tem de melhor: Lucas se considera mais extrovertido e à vontade diante do público, e Matheus tem mais facilidade com números e expansão.
Leonardo abriu uma clínica de fisioterapia, mas participa do conselho de família
Leonardo, o terceiro irmão, fez o mesmo treinamento, mas seguiu outro caminho: virou empreendedor e abriu uma clínica de fisioterapia, segundo o NSC Total.
Mesmo assim, Leonardo não se afastou totalmente dos negócios da família. Lucas explica que existe um conselho de família, onde os irmãos discutem assuntos da empresa, para que mesmo quem não trabalha no dia a dia da Havan esteja preparado para atuar como acionista e participar das decisões no futuro.
Liberdade para testar, errar e aprender dentro da Havan
Para Lucas, uma das principais diferenças na forma como Luciano Hang preparou os filhos é a liberdade que deu a eles. Ele diz que vê, em outras empresas familiares, conflitos entre quem criou o negócio e os filhos que chegam depois, enquanto na Havan o pai sempre incentivou os filhos a encontrar o próprio espaço.
Lucas descreve assim o jeito do pai: “O meu pai sempre deu muita liberdade, sempre nos provocou a poder testar e errar e aprender aqui dentro”.
Sucessão na Havan ainda não tem nome nem data, e Luciano Hang segue no comando
A sucessão na Havan ainda não tem nome nem data definidos, segundo a reportagem. Luciano Hang continua à frente da empresa, e Lucas diz que os filhos não têm pressa para ocupar o lugar do pai: “A gente quer que ele esteja com a gente o máximo possível, porque a gente aprende muito com ele”.
A Havan completa 40 anos, desde a primeira loja, aberta em 1986 no Centro de Brusque, e a nova geração não fala em mudar o modelo criado pelo pai. Lucas garante que a intenção é seguir o mesmo caminho, sem precisar “reinventar a roda”.
Para você, começar pelo trabalho nas lojas, como fizeram os filhos de Luciano Hang, é a melhor forma de preparar herdeiros para uma empresa familiar, ou a sucessão deveria seguir outro modelo? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

