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Homem aposta todas as economias da vida para comprar cidade-fantasma por US$ 1,4 milhão, passa seis anos vivendo entre ruínas e minas abandonadas até encontrar uma rachadura no chão que leva a quilômetros de túneis fechados havia um século, enquanto cartas, roupas e ferramentas revelam vidas esquecidas no lugar
Escrito por Ana Alice
Publicado em 10/09/2026 às 18:40
Atualizado em 10/09/2026 às 18:41
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Uma cidade mineradora abandonada, quilômetros de túneis e objetos esquecidos há gerações transformaram uma compra arriscada de US$ 1,4 milhão em uma exploração contínua pelas histórias escondidas sob as montanhas da Califórnia.
Comprar uma casa antiga já costuma trazer surpresas escondidas atrás de paredes, pisos e móveis.
Brent Underwood foi muito além: comprou uma cidade mineradora inteira, com prédios abandonados e quilômetros de túneis sob a montanha, e passou os anos seguintes descobrindo objetos que ficaram onde seus antigos donos os deixaram décadas atrás.
O que começou em 2018 como uma aposta financeira de US$ 1,4 milhão continua em andamento.
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Paulo Nogueira
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Em setembro de 2026, Underwood contou à revista People que ainda vive em Cerro Gordo, na Califórnia, e segue restaurando o local seis anos depois de se mudar para lá em tempo integral.
Entre os projetos atuais está a reconstrução do American Hotel, destruído por um incêndio em 2020.
Uma cidade inteira apareceu em um anúncio de madrugada
A ideia de comprar o lugar, curiosamente, não nasceu de um plano detalhado.
Em 2018, Underwood vivia em Austin, no Texas, quando recebeu de um amigo chamado Aaron, no meio da noite, o anúncio de venda de Cerro Gordo acompanhado de uma brincadeira: aquilo poderia ser seu próximo projeto.
Na manhã seguinte, ele começou a pesquisar.
Underwood já tinha experiência com hospedagem em imóveis históricos.
Em Austin, havia administrado uma pousada instalada em uma casa vitoriana do século XIX e se interessava pela ideia de usar construções antigas para aproximar visitantes da história de um lugar.
Cerro Gordo apresentava a mesma possibilidade em uma escala incomparavelmente maior.
Em vez de recuperar uma casa ou um hotel, ele poderia tentar preservar uma antiga cidade mineradora inteira nas montanhas da Califórnia.
O risco de US$ 1,4 milhão começou sem um plano claro de retorno
O problema era o preço.
A propriedade foi vendida em julho de 2018 por US$ 1,4 milhão, apesar de ter sido inicialmente anunciada por US$ 925 mil.
A negociação envolveu Underwood e outros investidores, e os antigos proprietários chegaram a receber propostas de valores maiores, segundo reportagens publicadas na época.
A proposta de preservar o caráter histórico do local e mantê-lo acessível ao público pesou na escolha dos compradores.
Anos depois, Underwood explicou à People como conseguiu participar de uma compra desse tamanho.
Segundo ele, colocou suas economias no projeto, amigos contribuíram com uma parcela menor e grande parte dos US$ 1,4 milhão foi financiada por meio de um empréstimo de curto prazo com juros elevados, conhecido nos Estados Unidos como “hard-money loan”.
Ele posteriormente comprou a participação da maioria dos amigos, mas afirmou em 2026 que ainda estava pagando o financiamento.
“Todo o projeto foi um grande risco desde o primeiro dia”, disse Underwood à revista.
Segundo ele, suas economias foram direcionadas à cidade mesmo sem existir, naquele momento, um caminho claro para recuperar o dinheiro.
Assista o vídeo
O que havia sob Cerro Gordo era maior do que os prédios abandonados
A compra incluía mais de 300 acres de terreno e cerca de duas dezenas de estruturas remanescentes.
Entre elas estavam casas, uma igreja, alojamentos, construções ligadas às minas e o histórico American Hotel.
Debaixo do solo, porém, estava uma parte muito maior da cidade.
Cerro Gordo cresceu a partir da mineração de prata e chumbo no século XIX.
Documentos históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos registram atividade na região a partir da década de 1860 e descrevem um período de forte produção entre o fim daquela década e os anos 1870.
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos também aponta Cerro Gordo como uma das principais áreas produtoras de prata e chumbo da Califórnia naquele período.
Quando Underwood comprou o lugar, sabia dessa história.
O que não conseguia saber era quanto da vida dos antigos trabalhadores ainda permanecia fisicamente escondido nos prédios e nas minas.
Uma pasta empoeirada revelou a vida de um antigo minerador
Uma das primeiras descobertas ocorreu dentro do antigo armazém da cidade.
Enquanto vasculhava o imóvel, Underwood encontrou uma pasta envolvida em um cobertor e escondida sob caixas cobertas de poeira.
O conteúdo não era um tesouro no sentido tradicional, mas reunia fragmentos da vida de um homem que havia vivido ali.
Dentro estavam documentos de mineração, cheques, cartas de amor, papéis relacionados a divórcio e processos judiciais.
Ao analisar aquele material, Underwood conseguiu reconstruir parte da trajetória de um minerador que havia chegado às montanhas acreditando que poderia encontrar uma oportunidade de vida em Cerro Gordo.
Os documentos mostravam sucessivas tentativas, dificuldades e planos que nem sempre deram certo.
Segundo Underwood, foi justamente esse tipo de descoberta que tornou os objetos pessoais mais interessantes para ele do que possíveis peças de grande valor financeiro.
Um bilhete sobre o almoço ficou escondido dentro da mina
Em outra exploração, já dentro de uma mina, ele encontrou uma pequena lata antiga de tabaco parcialmente enterrada perto da base de uma escada.
Dentro havia um bilhete.
Pelo conteúdo, dois trabalhadores aparentemente usaram aquele pequeno pedaço de papel para combinar quando fariam uma pausa para o almoço.
Não era um documento oficial nem algo produzido para ser preservado.
Era uma conversa cotidiana que permaneceu naquele ambiente depois que os homens que a escreveram desapareceram da rotina da mina.
Entre as descobertas mais conhecidas feitas em Cerro Gordo também estão antigas peças de roupa.
Underwood encontrou calças Levi Strauss em áreas ligadas às minas e descreveu esse tipo de achado como um dos objetos mais desejados por colecionadores e pesquisadores interessados no vestuário usado por trabalhadores daquele período.
Uma abertura no chão levou a túneis esquecidos por cerca de um século
Algumas descobertas começaram de maneira ainda menos previsível.
Durante uma caminhada pela propriedade, Underwood percebeu uma pequena abertura no chão em um ponto pelo qual já havia passado diversas vezes.
Ele começou a escavar e voltou ao local repetidamente até conseguir ampliar a passagem.
Do outro lado estava uma rede de túneis de mineração que, segundo seu relato, não era acessada havia aproximadamente um século.
Madeiras de sustentação continuavam posicionadas nos túneis.
Ferramentas permaneciam no interior da mina, enquanto jornais antigos encontrados no subterrâneo traziam datas que iam de 1897 a 1926.
Mesmo depois de seis anos vivendo no local, Underwood afirmou à People que continua encontrando áreas e objetos que ainda não conhecia.
Nomes nas paredes podem levar aos descendentes dos antigos mineiros
Nos últimos anos, ele também passou a prestar atenção em marcas muito mais discretas.
Dentro dos túneis aparecem nomes escritos ou gravados pelos próprios mineiros.
Underwood disse ter fotografado cerca de uma dúzia deles.
Alguns teriam sido inscritos nas paredes ainda na década de 1880; outros foram escritos décadas mais tarde, inclusive na década de 1940.
O objetivo agora é tentar descobrir quem eram esses homens.
Underwood pretende pesquisar os nomes e localizar descendentes vivos.
A ideia, segundo ele, é conseguir mostrar a uma família que a assinatura ou inscrição feita por um antepassado ainda permanece centenas de pés dentro de uma mina.
Assista o vídeo
Como é viver sozinho em uma antiga cidade mineradora
A vida ali continua distante da experiência de uma cidade comum.
Segundo a People, Cerro Gordo fica a mais de 2.400 metros de altitude, não possui serviço convencional de telefonia celular e enfrenta limitações de água.
O supermercado mais próximo exige aproximadamente duas horas de deslocamento, e nevascas podem dificultar ou impedir temporariamente a saída pela estrada da montanha.
Underwood transformou essa rotina em uma série documental informal na internet.
Pelo projeto Ghost Town Living, publica explorações das minas, obras, objetos encontrados e problemas enfrentados para conservar construções erguidas mais de um século atrás.
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Ana Alice
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O projeto também deixou de ser completamente solitário.
Em 2026, eventos realizados em Cerro Gordo já atraíam centenas de pessoas, enquanto voluntários participavam de algumas etapas das obras.
O objetivo de Underwood continua sendo receber visitantes de maneira mais estruturada quando as novas acomodações estiverem prontas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

