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Incêndio no cais 12A do Porto de Santos começou numa esteira de terminal que atende a Nita Alimentos e reuniu Bombeiros, Guarda Portuária, brigada vizinha e rebocadores; APS diz que a operação do cais não foi afetada
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 24/09/2026 às 20:18
Atualizado em 24/09/2026 às 20:19
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O fogo no Porto de Santos começou por volta das 13h de 24 de setembro, no Paquetá, e foi controlado sem feridos; pelas informações preliminares, a esteira atingida levava trigo
Uma esteira de cargas pegou fogo por volta das 13h desta quinta (24) no cais 12A do Porto de Santos, no Paquetá. As chamas foram controladas e ninguém se feriu, informa a APS.
O incêndio de 24 de setembro de 2026 atingiu uma área de terminal retroportuário na margem direita do Porto de Santos. A Autoridade Portuária de Santos (APS) registra que o fogo saiu de uma esteira de cargas e alcançou outros equipamentos do terminal.
Pelas informações preliminares apuradas pela CNN Brasil, a esteira transportava trigo.
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Das 13h às 16h: três horas entre a primeira chama e o fim da varredura
A cronologia oficial cabe em poucas linhas. O fogo começou por volta das 13h. Às 14h, as equipes já faziam a varredura do local, conforme a nota da APS reproduzida pela CNN Brasil.
A varredura no Paquetá terminou por volta das 16h, detalha o jornal A Tribuna, com base na mesma Autoridade Portuária. Do início do incêndio ao fim da checagem, foram cerca de três horas.
Bombeiros, Guarda Portuária, brigada da COFCO e rebocadores no combate
A nota oficial lista três equipes no combate. Foram o Corpo de Bombeiros, a Brigada de Incêndio da Guarda Portuária e a brigada do terminal vizinho, da COFCO. O fogo, afirma a APS, “prontamente foi controlado”.
O jornal A Tribuna registra um reforço que veio pela água. Rebocadores atuaram ao lado das brigadas. As fotos da ocorrência publicadas pela CNN Brasil mostram dois deles lançando jatos d’água perto do casco de um navio atracado.
A brigada vizinha entrou por um roteiro que já existe no papel. A ajuda entre terminais em emergência está prevista no Plano de Ajuda Mútua (PAM), conforme a nota. A APS coordena o plano, que reúne terminais e órgãos que atuam no porto.
Quem opera a área do cais 12A
A comunicação do Porto de Santos informou à CNN Brasil o nome da operadora do cais 12A. É a Neves & Marinheiro Ltda., empresa ligada à Nita Alimentos.
A planta do trecho do Paquetá publicada pela emissora mostra a área marcada como T-12A encostada na da COFCO. Um lote da Nita fica logo atrás, do outro lado dos trilhos.
O jornal A Tribuna descreve a área como terminal retroportuário do Moinho Paulista, empresa que atende à Nita Alimentos. O próprio Moinho Paulista confirmou em nota um incidente em suas operações no Cais 12.
A COFCO ajudou a apagar as chamas com a própria brigada. À CNN Brasil, a empresa disse que o incêndio não atingiu o terminal que ela opera no Porto de Santos.
Cais seguiu operando, e nenhum equipamento público foi avariado
O incidente não interferiu nas operações do cais, informou a Autoridade Portuária ao jornal A Tribuna. Nenhum equipamento público do Porto de Santos foi avariado. O fogo passou da esteira para outros equipamentos do terminal, que é operado por empresa privada.
“A ocorrência foi rapidamente controlada. A empresa está avaliando as causas do incidente e adotando as medidas necessárias para prevenir novas ocorrências”, afirmou o Moinho Paulista. A empresa se declarou à disposição das autoridades. A causa segue em avaliação.
O que a norma dos Bombeiros de SP cobra de uma esteira de silo de grãos
As exigências dos Bombeiros de São Paulo para esteiras de silos de grãos estão na Instrução Técnica 27. A norma de silos está em vigor desde 20 de março de 2025 e vale para os silos de cereais do estado.
Os itens abaixo valem para qualquer silo de grãos paulista e não apontam a origem do fogo no cais 12A, que o Moinho Paulista informou estar em avaliação.
O primeiro alvo da norma é o pó. O texto manda coletar a poeira onde a esteira recebe e despeja a carga e exige limpeza constante, “para evitar explosões”. Onde a concentração de poeira no ar é desconhecida, um técnico precisa medi-la de tempos em tempos. Ela nunca pode ficar entre 20 e 4.000 gramas por metro cúbico.
O segundo alvo é o calor. A norma exige detecção de calor em toda a extensão da correia, com desligamento automático, e sensores que param os motores quando ela escorrega. Esteiras enclausuradas ou com mais de 12 metros de altura precisam de chuveiros automáticos de dilúvio, com água para 60 minutos, detalha a IT 27.
O terceiro é a eletricidade estática. A correia tem de ser de material que não propague chama e evite acúmulo de carga estática, registra a norma. Um botão de emergência à vista precisa desligá-la em caso de incêndio.
1,3 milhão de toneladas de trigo desembarcaram no Porto de Santos em 2025
O trigo tem lugar fixo na lista de cargas santistas. Em 2025, o Porto de Santos desembarcou 1,3 milhão de toneladas do cereal, segundo os números que a APS fechou em janeiro de 2026.
O cereal aparece em quarto lugar entre as principais importações do porto, registra a Autoridade Portuária. À frente dele ficaram adubo (8,3 milhões de toneladas), óleo diesel e gasóleo (2,4 milhões) e enxofre (2,04 milhões).
A conta com os dados da APS mostra o ritmo. Dividido pelos 365 dias do ano, o volume dá cerca de 3,6 mil toneladas de trigo por dia. No total, o porto desembarcou 49 milhões de toneladas em 2025, e o trigo ficou com 2,7% desse peso, ou 1,3 dividido por 49.
O cais 12A, no Paquetá, faz parte desse circuito do trigo que chega de navio: a CNN Brasil descreve a empresa atingida como de desembarque de trigo. O porto inteiro movimentou 186,4 milhões de toneladas em 2025, a maior marca da sua história, segundo a APS.
O PAM do Porto de Santos comemorou 60 anos menos de um mês antes do incêndio
O plano comemorou 60 anos em 28 de agosto de 2026, com uma solenidade na sede da APS. A autorização para formar o grupo saiu da Capitania dos Portos de Santos em agosto de 1966, registra a Autoridade Portuária.
Na cerimônia, falou o coordenador-geral do PAM, Evandro Lourenço, técnico em segurança do trabalho da APS. Ele fez um balanço das estratégias adotadas a partir de 2016, depois de incêndios que atingiram a região portuária. Desde então, afirma a APS, incidentes de grande porte não foram mais registrados.
Um aplicativo de emergência para os terminais, previsto para 2027
No mesmo dia do aniversário, a APS lançou um aplicativo para as equipes do plano. Pelo app, detalha a Autoridade Portuária, a equipe de um terminal em emergência poderá registrar a ocorrência e mandar fotos.
Bombeiros e Defesa Civil receberão o alerta, segundo a descrição oficial. Pelo aplicativo, poderão ver a melhor rota até o local e a planta do estabelecimento, com a posição de extintores e outros equipamentos. O aplicativo está em implantação nos terminais do Porto de Santos e deve passar a operar em 2027, prevê a APS.
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Porto de Santos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

