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Lobo-marinho aparece em Santa Catarina, é cercado e atacado por cães dentro do mar, tenta escapar enquanto animais o puxam de volta e pescador entra em ação para afastá-los antes que situação termine de forma muito pior
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 07/09/2026 às 08:15
Atualizado em 07/09/2026 às 08:16
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Pescador que havia saído para pescar percebeu o ataque na água, afastou os cães e registrou em vídeo um problema que preocupa equipes ambientais no litoral catarinense
Um lobo-marinho cercado por cães dentro do mar mobilizou a atenção de moradores de Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina, na manhã de sábado, 5 de setembro. O animal tentava se afastar enquanto os cães avançavam sobre ele, até que um pescador que estava no local decidiu intervir.
O momento foi registrado em vídeo por Valmor de Moraes, vice-presidente da Colônia de Pescadores Z-33, e divulgado pelo portal 4oito. Segundo o pescador, a situação poderia ter terminado de maneira muito diferente caso ninguém tivesse aparecido naquele momento.
Valmor tinha ido pescar quando encontrou o lobo-marinho cercado pelos cães
Valmor estava na região da Plataforma Sul, em Balneário Rincão, onde havia ido pescar durante a manhã. Foi então que percebeu uma movimentação incomum dentro da água e encontrou o lobo-marinho cercado pelos cães.
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Nas imagens, os animais aparecem muito próximos do mamífero marinho. De acordo com o relato do pescador, os cães puxavam o lobo-marinho em direção à parte mais rasa, enquanto ele tentava voltar para dentro do mar e ganhar distância.
Valmor decidiu agir para afastar os cães e interromper o ataque. Para ele, sua chegada aconteceu em um momento decisivo.
“Eles arrastavam ela pra cima e ela entrava pra dentro. Se eu não tivesse chegado ali, eles teriam matado ela”, contou o pescador ao 4oito.
Vídeo mostra a dificuldade do animal para se afastar
O registro feito por Valmor dá dimensão à cena. Cercado dentro da água, o lobo-marinho precisava tentar escapar de vários cães ao mesmo tempo, justamente em um ambiente próximo da faixa de areia onde sua movimentação se torna mais limitada.
Depois da aproximação do pescador, os cães foram afastados e o ataque terminou. O vídeo rapidamente passou a circular nas redes sociais e também foi publicado por veículos da região, entre eles 4oito e Engeplus.
Uma reportagem posterior do ND Mais informou que o caso mobilizou equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) e que, segundo uma especialista da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), o lobo-marinho não apresentava lesões após o episódio.
Ataques de cães a lobos-marinhos já vinham preocupando especialistas em Santa Catarina
O episódio de Balneário Rincão chama ainda mais atenção porque aconteceu em meio a uma sequência de registros envolvendo cães e mamíferos marinhos no litoral Sul de Santa Catarina.
Pouco antes do caso, um levantamento da Educamar apontou 165 ocorrências envolvendo pinípedes entre o início de maio e 20 de agosto no trecho monitorado entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba.
Entre os animais encontrados mortos, pelo menos 10 lobos-marinhos apresentavam ferimentos compatíveis com mordidas de cães, segundo informações divulgadas pelo projeto e publicadas pelo portal 4oito.
Os ataques representam um problema especialmente grave porque muitos desses animais chegam à costa depois de longos deslocamentos e utilizam a faixa de areia justamente para recuperar energia.
Lobo-marinho na praia nem sempre significa que animal está perdido ou precisa voltar para o mar
A presença de um lobo-marinho fora da água pode causar preocupação em quem encontra o animal, mas isso não significa necessariamente que ele esteja encalhado ou precise ser empurrado de volta para o oceano.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) explica que lobos-marinhos fazem parte do grupo dos pinípedes, assim como focas, leões-marinhos e elefantes-marinhos. Diferentemente de baleias e golfinhos, esses animais passam naturalmente parte do tempo em terra.
Eles podem sair da água para descansar, recuperar energia ou permanecer temporariamente na praia antes de continuar o deslocamento.
Por isso, a recomendação é não tocar no animal, não oferecer comida ou água, evitar barulho e manter uma distância segura.
Cães devem ser mantidos longe dos animais marinhos
Uma das orientações destacadas pelo próprio ICMBio é justamente manter animais de estimação afastados quando um mamífero marinho é encontrado na praia.
Mesmo quando o lobo-marinho parece saudável, a aproximação de cães pode provocar estresse, perseguições e ataques. Em animais já cansados ou debilitados, a situação pode se tornar ainda mais perigosa.
Os ferimentos também nem sempre são fáceis de perceber. Monitoramentos realizados no Sul catarinense já identificaram casos em que havia poucas marcas externas, mas avaliações posteriores revelaram problemas mais graves, como fraturas e hemorragias internas.
Intervenção do pescador evitou que ataque continuasse
No caso registrado em Balneário Rincão, a sequência terminou sem uma consequência mais grave conhecida para o lobo-marinho.
Valmor não tinha saído de casa para realizar um resgate. Ele simplesmente havia ido pescar quando encontrou o animal tentando se livrar dos cães e percebeu que precisava fazer alguma coisa.
Assista o vídeo
A intervenção interrompeu o ataque e permitiu que o lobo-marinho se afastasse da situação. Para especialistas, episódios como esse reforçam uma orientação simples para quem vive ou frequenta o litoral: quando um animal marinho aparece para descansar, o melhor é dar espaço e impedir principalmente que cães consigam se aproximar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

