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Mãe de três filhos tinha nível de leitura da 3ª série, limpava escolas e casas de repouso e chorava por não conseguir ler palavras simples, recebeu aulas de fonética dos próprios filhos, entrou na faculdade, concluiu graduação e mestrado e acabou se tornando vice-diretora de escola
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 10/09/2026 às 22:51
Atualizado em 10/09/2026 às 22:52
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Pam Talbert passou parte dos anos 1990 trabalhando na limpeza e depois dirigindo ônibus escolar em Baton Rouge, nos Estados Unidos, enquanto enfrentava uma dificuldade que escondia havia anos. Um teste indicou que sua leitura correspondia ao nível da 3ª série. Os próprios filhos passaram a ajudá-la.
Nos anos 1990, Pam Talbert trabalhava limpando escolas e uma casa de repouso em Baton Rouge, capital da Louisiana. Era mãe de três filhos e, embora conseguisse trabalhar e cuidar da família, carregava uma dificuldade que se tornava cada vez mais evidente dentro de casa.
Pam tinha sérios problemas de leitura e escrita. Um teste diagnóstico indicou que seu nível de leitura correspondia aproximadamente ao de uma criança da 3ª série, resultado que ajudou a explicar dificuldades que a acompanhavam desde os primeiros anos escolares.
O problema ganhou outra dimensão quando os filhos começaram a levar tarefas para casa. Ela queria ajudá-los, mas muitas vezes não conseguia compreender palavras que apareciam nos exercícios, apesar de ter facilidade com matemática.
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Anos depois, aquela mulher que havia trabalhado como auxiliar de limpeza e motorista de ônibus entraria na universidade, conquistaria graduação e mestrado e passaria por diferentes funções dentro das escolas até chegar à vice-direção da Istrouma Middle School.
A dificuldade ficou impossível de esconder quando os filhos começaram a pedir ajuda com as tarefas
Talbert contou ao Good Morning America, em reportagem publicada em 20 de agosto de 2019, que já sabia ter uma deficiência na leitura, mas percebeu a dimensão do problema quando não conseguia acompanhar as atividades escolares dos filhos. Em uma das lembranças mais marcantes, disse ter ficado à mesa chorando porque não conseguia ler corretamente a palavra inglesa “bear”.
Ela afirmou que havia sido uma criança tímida e que, durante o ensino fundamental, não recebeu o atendimento de que precisava para desenvolver a alfabetização. A dificuldade acabou atravessando sua vida escolar e chegando à idade adulta.
A situação dentro de casa, porém, produziu uma inversão incomum. Sua filha e seus dois filhos começaram a ensinar à própria mãe conteúdos que aprendiam na escola, principalmente exercícios de fonética, associação entre letras e sons e formação de palavras.
Pam também procurou programas de reforço e cursos de recuperação para adultos. Aos poucos, passou a preencher lacunas acumuladas durante anos e começou a enxergar uma possibilidade que antes parecia distante.
Depois da limpeza, o trabalho como motorista de ônibus colocou a faculdade novamente em seus planos
Antes de entrar definitivamente na educação, Pam deixou os serviços de limpeza e passou a trabalhar como motorista de ônibus escolar. Foi nesse período que decidiu tentar a faculdade, movida por uma ideia bastante específica: trabalhar com crianças que enfrentassem dificuldades semelhantes às que ela havia vivido.
Segundo a emissora local WBRZ, um professor chegou a perguntar a Talbert se ela já havia pensado em se tornar educadora. O obstáculo era evidente, porque naquele momento ela própria descrevia sua leitura e escrita como equivalentes às de um estudante da 3ª série.
Ainda assim, ela ingressou na Southern University, universidade pública historicamente negra sediada em Baton Rouge. Lá concluiu primeiro a graduação e depois o mestrado.
O avanço acadêmico ocorreu enquanto Pam precisava reaprender habilidades básicas que muitos universitários já dominavam havia anos. Em vez de encerrar a trajetória educacional por causa dessa defasagem, ela transformou o problema que carregava desde criança no campo em que pretendia trabalhar.
Primeiro emprego como professora veio em 2002 e abriu caminho para diferentes séries
Depois de concluir a formação, Talbert conseguiu seu primeiro emprego como professora em 2002, inicialmente em uma turma da 4ª série. A partir daí, permaneceu diretamente ligada ao ensino por cerca de 15 anos.
Ao longo desse período, passou por turmas da 2ª, 4ª e 5ª séries e também trabalhou dando reforço para estudantes da 6ª e 7ª séries. A experiência colocava diante dela justamente alunos em fases decisivas para o desenvolvimento da leitura e da aprendizagem.
Pam continuou lecionando até 2017. Depois assumiu funções administrativas, incluindo a de dean of students, cargo ligado ao acompanhamento dos estudantes e à rotina disciplinar e acadêmica da escola.
Em 2019, quando sua história ganhou repercussão nacional, ela estava começando seu segundo ano como assistant principal, função equivalente à vice-direção, na Istrouma Middle School, em Baton Rouge.
Registros posteriores mostram que Pam continuou ocupando cargos de vice-direção
A trajetória administrativa continuou depois das reportagens que tornaram sua história conhecida. Documentos do sistema público de ensino de East Baton Rouge registram Pam Talbert ainda como assistant principal anos mais tarde.
Em fevereiro de 2023, uma relação oficial de mudanças de pessoal indicou sua transferência da Istrouma Middle School para a Woodlawn High School. O mesmo documento registrou posteriormente sua designação para a Broadmoor High School, mantendo a função administrativa.
O registro é relevante porque mostra que a passagem de Pam pela direção escolar não se limitou aos primeiros anos após deixar a sala de aula. Mais de duas décadas depois de conseguir seu primeiro emprego como professora, ela continuava profissionalmente ligada à gestão de escolas públicas.
A mulher que aprendeu fonética com os filhos queria criar uma escola para quem também não conseguia ler
Quando contou sua história em 2019, Pam já tinha outro projeto em mente. Ela dizia querer abrir uma escola dedicada a crianças e adultos com dificuldades de alfabetização, aproximando o trabalho profissional da experiência que havia enfrentado dentro da própria família.
Havia ainda outro plano acadêmico. Talbert afirmou que pretendia retornar à Southern University acompanhada do filho mais velho, com a intenção de avançar para um doutorado.
Para ela, a experiência de chegar à vida adulta com uma capacidade de leitura muito abaixo do esperado também influenciava sua maneira de trabalhar com estudantes. Pam dizia querer evitar que outras crianças atravessassem a escola sem receber o suporte educacional que ela própria não teve.
A história começou muito antes do cargo na direção. Passou pela mulher que limpava escolas, dirigia ônibus, estudava fonética com os próprios filhos e precisava reaprender a ler enquanto criava três crianças, até chegar à profissional que passou a ocupar justamente o lugar de quem pode identificar alunos enfrentando dificuldades semelhantes.
O que mais chama sua atenção na trajetória de Pam Talbert, os filhos ensinando a própria mãe a ler melhor, a decisão de entrar na faculdade ou o fato de ela ter chegado à vice-direção de uma escola? Deixe sua opinião nos comentários e conte o que você achou dessa história.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

