Faça um comentário
5 min de leitura
Maior fabricante de compensados do Brasil escolhe Paraguai para investir US$ 215 milhões, equivalente a R$ 1,10 bilhão, e prevê mais de 2 mil empregos no país vizinho
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 22/09/2026 às 11:13
Indústria
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A brasileira Sudati será o primeiro parceiro industrial do polo da Paracel em Concepción, com investimento de US$ 215 milhões, obras previstas para 2027, primeira fase em 2028 e mais de 2 mil empregos.
A brasileira Sudati, uma das maiores forças do setor de compensados do país, escolheu o Paraguai para abrir uma nova frente industrial de grande escala. O projeto anunciado em Concepción prevê US$ 215 milhões em investimentos e coloca a companhia como o primeiro parceiro industrial do polo que está sendo estruturado pela Paracel no norte paraguaio.
O acordo foi formalizado em maio de 2026, durante o início das obras de infraestrutura do complexo em Paso Horqueta. A previsão divulgada pela Paracel é de mais de 2 mil empregos diretos e indiretos ligados à operação da Sudati, com construção a partir de 2027 e entrada em funcionamento da primeira fase em 2028.
US$ 215 milhões equivalem a cerca de R$ 1,10 bilhão na cotação atual
Na cotação consultada em 22 de setembro de 2026, os US$ 215 milhões correspondem a aproximadamente R$ 1,10 bilhão. O valor dá dimensão ao tamanho da aposta da Sudati fora de seu mercado de origem e coloca a nova unidade entre os projetos industriais brasileiros de maior escala anunciados recentemente no Paraguai.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A cifra não será destinada apenas à implantação da estrutura industrial. O acordo também prevê uma expansão relevante da base florestal necessária para abastecer a produção, conectando a futura fábrica ao ecossistema de madeira que a Paracel já vem formando em Concepción.
Sudati será o primeiro parceiro industrial do polo que a Paracel constrói em Concepción
A entrada da Sudati foi anunciada como a primeira adesão de outra indústria ao polo de desenvolvimento da Paracel. A ideia é que as empresas compartilhem uma estrutura que inclui porto e terminal fluvial, linhas de transmissão de energia, vias de acesso e logística, reduzindo barreiras para novas plantas industriais na região.
Essa infraestrutura começou a sair do papel em 2026. Segundo a Paracel, a plataforma foi desenhada para sustentar não apenas a futura fábrica de celulose, mas também outras empresas ligadas à cadeia florestal, transformando Paso Horqueta em um núcleo de processamento de madeira e produtos de maior valor agregado.
Empresa mantém quatro unidades no Paraná, cerca de 3 mil funcionários e produção de 564 mil m³ por ano
No Brasil, a Sudati mantém uma presença industrial relevante. O site oficial da companhia informa atualmente quatro plantas no Paraná, cerca de 3 mil empregados, mais de 200 clientes e produção anual de 564 mil metros cúbicos. As unidades estão localizadas em Palmas, Ibaiti, Ventania e Telêmaco Borba.
A própria comunicação institucional da empresa a apresenta como líder nacional no mercado de compensados. Material divulgado sobre o acordo informa ainda que a Sudati responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de compensado para mercados globais, o que ajuda a dimensionar o peso da companhia que agora prepara uma nova operação no país vizinho.
Obras da Sudati estão previstas para 2027 e primeira fase deve operar em 2028
O cronograma divulgado prevê que a construção da unidade da Sudati comece em 2027. A primeira etapa operacional está projetada para 2028. Até lá, o avanço dependerá da implantação das estruturas compartilhadas do polo e do desenvolvimento da nova base florestal prevista no acordo.
Projeto prevê mais de 30 mil hectares adicionais para abastecer a futura operação
Sudati e Paracel projetam plantar mais de 30 mil hectares adicionais na região. O objetivo é reforçar a oferta de matéria-prima para a futura operação e ampliar a cadeia de silvicultura no norte do Paraguai, onde a Paracel já acumulou uma extensa base de terras e plantações de eucalipto.
A integração industrial também busca aumentar o aproveitamento da madeira. Em vez de cada projeto operar de forma isolada, o modelo busca criar sinergias entre celulose, compensados, subprodutos florestais, logística e energia, elevando a eficiência do complexo e atraindo novas empresas para a mesma área.
Porto fluvial, energia e acessos formam a infraestrutura compartilhada do novo polo
O movimento ocorre enquanto a Paracel avança com uma estrutura de grande porte em Concepción. A empresa informou possuir mais de 203 mil hectares de terras e mais de 100 mil hectares já plantados em áreas próprias e de terceiros. O complexo também recebeu apoio financeiro do BID Invest para parte da infraestrutura que servirá ao polo.
O emprego é outro ponto central do projeto. Além dos mais de 2 mil postos diretos e indiretos associados à chegada da Sudati, a Paracel estima aproximadamente 7 mil empregos no polo industrial como um todo. A companhia já informa mais de 1.200 trabalhadores diretos, dos quais 95% são paraguaios e cerca de 70% são do departamento de Concepción.
Paraguai quer transformar sua base florestal em produtos industriais de maior valor
Para o Paraguai, a chegada de uma fabricante brasileira desse porte reforça a estratégia de transformar a base florestal local em produtos industriais dentro do próprio país. Durante o lançamento das obras, o chairman da Paracel, Per Olofsson, resumiu a ambição com uma pergunta curta: “Por que não o Paraguai?”.
O caso também chama atenção do lado brasileiro porque não envolve uma empresa pequena buscando seu primeiro mercado externo. A companhia tem milhares de funcionários, quatro plantas no Paraná e participação relevante nas exportações nacionais de compensados, e decidiu colocar um investimento bilionário em reais em uma nova operação no país vizinho.
Expansão ocorre no Paraguai enquanto a companhia mantém sua estrutura industrial no Brasil
A expansão no Paraguai acontece paralelamente à estrutura que a Sudati mantém no Brasil. O anúncio disponível até agora é de crescimento internacional e implantação de uma nova capacidade produtiva, com o próximo marco previsto para 2027, quando devem começar as obras da unidade em Concepción.
Se o cronograma for mantido, 2028 marcará a entrada da primeira fase em operação e permitirá medir o impacto real dos mais de US$ 200 milhões aplicados, dos empregos previstos e da integração com o polo florestal. A escolha de uma gigante brasileira pelo Paraguai merece atenção: você acredita que veremos mais indústrias nacionais fazendo investimentos desse porte no país vizinho? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

